domingo, dezembro 24, 2006

Véspera de Natal

Hoje acordei cedo como todos os dias.
Silëncio quebrado pelo canto de pássaros e pelo barulho de alguém, que tão cedo , já varria sua calçada.
Abri a porta da sacada e uma brisa suave tocou-me.
Tudo parece igual embora hoje seja véspera de Natal.
Quando meus filhos eram pequenos este era um dia longo e agitado. Muito cedo eles acordavam e ficavam conferindo os presentes sob o pinheirinho.
Perguntavam pelas horas a todo momento...
Queriam saber qual embrulho poderiam receber mais cedo...
Estas são lembranças do passado.
O silëncio não me causa tristeza. Sei que o tempo passou e são outras as emoções que hoje embalam meu Natal.
O abraço carinhoso do Dudu , o sorriso da Bianca quando me vë chegando , o Pedrinho chamando por mim quando chega em casa.Isto é muito doce , muito bom.
O telefonema da Adriana , preocupada por eu não ter respondido um e-mail.Isto é amor.
Minhas filhas que ainda me chamam de `mãezinha` . Isto é carinho.
Meus filhos formando suas próprias familias, aumentando seus universos.Isto é a vida.
Algumas coisas porém permanecem iguais, não mudarão jamais. Entre elas o meu amor e preocupação por todos eles.Isto é sentimento de MÃE.
Vejo os lares de meus filhos como extensão daquele onde foram criados .E , é onde eles estão neste momento , que acontece o burburinho.Não os vejo mas posso senti-los.Isto é caminhada.
Caminhada que faço sem pressa, procurando aproveitar cada momento com muita intensidade pois compreendo que é o que tenho na vida...momentos.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Noite de Natal

Eu tenho como de mais precioso a Familia.
Em toda minha vida meus familiares tëm sido sempre minha prioridade.
Filhos , netos , irmãs , sobrinhos , cunhados , minha querida mãe e amigos especiais , são meu mais amado Universo.
Amigos especiais são aqueles , que por serem de todas as horas ,se tornam da familia.
Tenho uma grande familia, pela qual sempre agradeço.
Muitas vezes se passam dias até nos encontrarmos, ou mesmo ver-nos.Muitas vezes ficamos nos comunicando só por e-mail(modernidade).Importante é a certeza de que todos estão lá.
Momentos de alegria , de pesar , de constrangimento.Olho e estão todos lá.Não é preciso palavras para receber suas forças e carinho.A energia flue e o amor estampa em seus olhares.
Neste Natal não terei a presença de todos meus filhos.Estiveram todos comigo no Natal passado e , de forma justa , estarão este ano com seus sogros.Adriana e Carlos estarão comemorando com amigos em Salt Lake.Felizes.
Mas estarei bem. Teremos uma mesa ocupada por queridos familiares e amigos mais que amados.
Vamos partilhar esta noite de maneira muito especial.
Partilhar a saudade dos que partiram para brilhar entre os anjos.
Partilhar a saudades daqueles que se reunem ao redor de outra mesa.
Partilhar os anseios e alegria de cada um.
Partilhar a dádiva de podermos nos reunir tendo a mesa cheia de alimentos e os corações repletos de amor.
Este amor que vai cruzar distäncias e trazer para junto de nós, no momento de nossa oração , todos aquele á quem amamos e que não podem estar fisicamente presente.
Vai ser uma linda noite .Vamos desejar que todas nossas noites sejam noites de natal.
Muita luz para todos nós.No natal e em todos os dias futuros.

domingo, dezembro 17, 2006

Expectativa

Aguardar pela noite de Natal, por vezes ,é mais excitante que a própria noite.
É a emoção da expectativa.
Quando meus filhos eram pequenos era grande a espera do Natal. Fazíamos juntos a decoração da árvore, cartinhas ao Papai Noel eram escritas...
Os presentes iam aparecendo sob o pinheirinho. Os dias eram contados, um a um.
Adriana , muito pequeninha , criou o próprio médoto de contagem.
Ah...para aumentar a emoção , toda vez que um deles fazia uma travessura , um embrulho desaparecia de sob o pinheiro.
Que maldade...Mas logo reapareciam ,para alegria deles. As crianças ficavam conferindo os pacotes a cada nova travessura. Eu até acredito que ficariam decepcionadas se não houvesse todo este `ritual`.
Papai Noel vinha entregar os presentes na noite do dia 24. Mas , no fim da tarde , as crianças ganhavam um presente. Eu lhes dava um presente para acalmá-los , já que eles acabavam ficando bem agitados.Eles sabiam que aquilo que mais tinham desejado viria á noite , pelas mãos do Papai Noel.
A magia era tão grande que , mesmo os maiores que não tinham mais a ilusão sobre a existëncia do Bom Velhinho , ficavam nervosos e emocionados .
A expectativa era grande. Era prazeiroso vë-los contando seus palitos , seus presentes ...
Tempos ídos, tempos vividos, bem vividos.
Tempos que pertencem ao passado mas eternizados pela ternura e amor com que sempre partilhamos todos os nossos momentos.

domingo, dezembro 10, 2006

Danielle Stell

Sempre fui uma grande apreciadora de livros. A leitura nos dá muito mais que conhecimento. Através da leitura temos oportunidade de viajar por terras desconhecidas , sonhar com o impossível e viver grandes emoções.
Danielle Stell é uma autora da qual já li muitos e muitos livros.Gosto dos seus romances embora eles nunca tragam muitas surpresas.
Existe uma trama , sofrimento , lágrimas ...Componentes de qualquer história.Porém , em todos seus livros ,os personagens são lindos e ricos. Esta semana eu "devorei" um dos últimos lançamentos desta autora.
Fatos comuns à minha vida e , de muitas outras mulheres , não chegaram a me emocionar pois era beleza demais em todas as linhas.Tanta beleza não permitiu que eu fluísse da ficção .
A personagem sofreu decepções, se deprimiu , chorou mas se manteve bela.
Difícil não recuperar a auto-estima se há dinheiro para todos os caprichos.
Difícil não sentir-se satisfeita se , apesar de nunca ter trabalhado , o emprego dos sonhos é conseguido em três dias. Maravilhoso , passar por uma crise e , continuar podendo mandar os filhos viajarem por três meses pela Europa.
Sem problema financeiro e exibindo cabelos sedosos , corpo escultural e olhos azuis fica bem mais fácil vencer determinadas perdas.
Ficção.Pura ficção.Mas uma ficção bem boa de ser lida.Recomendo.

domingo, dezembro 03, 2006

Minha culpa

Morávamos em Porto Alegra , na Borges de Medeiros com a Duque de Caxias.
As crianças estavam de férias e fomos passar a tarde na casa da Rosana.Era verão e eles se divertiram bastante na piscina. Mas , como tudo que é bom acaba , chegou a hora de voltar para nosso apartamento. A mãe insistiu em levar-nos porém, sempre pode haver um porém, não havia lugar para todos no carro. Eu relutei um pouco , bastante até. Devia ter relutado de fato. Mas convenceram-me que os meninos poderiam retornar de ônibus. Eles não viram nenhum problema então...
Eu recomendei cuidado de expliquei que poderiam pegar qualquer ônibus que passasse. Melhor era pegar logo o primeiro.Desceriam quase em frente de casa.Não deveriam atravessar a rua.Pedi que eles subissem as escadarias da Borges .
Fui criticada.Tinha que dar mais autonomia para os meninos.Eles estavam com 11 e 12 anos.
Chegamos em casa e nada dos meninos .E o tempo passando e nada.Fui ficando desnorteada.Não sabia o que fazer .Quanto arrependimento.Jamais deveria ter me separado deles...Culpa dói, como dói.
Depois de bastante tempo eles chegaram.Abracei-os e prometi que jamais aquilo se repitiria.Mas eles estavam tranquilos.Até orgulhosos por terem se saído tão bem na aventura.
Por culpa minha , eles pegaram õnibus errado.Havia apenas uma linha que não ia para o centro e foi justo o que passou primeiro.Eu disse que pegassem o primeiro ônibus. Na verdade eu não tinha conhecimento desta linha.Os meninos foram parar além da Ari Tarragô. O André foi percebendo que o caminho estava diferente e foi se informar com o motorista. O motorista os orientou a descerem e pegarem outra condução em direção ao centro.Eles assim o fizeram.O fim da linha não era perto de casa.Era no Mercado Público.
Nós tinhamos morado quatro anos fora de Porto Alegre entretanto , eles souberam se determinar e chegar em casa.
Deveriam estar aborrecidos e zangados mas estavam era preocupados comigo. Sabiam que eu estaria aflita à espera deles.
Até hoje quando lembro deste episódio sinto um remorso muito grande.
Culpa mesmo.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Bolinhos de chuva

Depois de um ano em Blumenau compramos nossa casa.
O bairro era mais central , transporte mais acessível , ruas calçadas.Nossa casa ficava no alto da rua.
As crianças iam , sozinhas , de ônibus para a escola.Levava uns cinco minutos.
A rua era sem saída e eles tinham mais liberdade para brincar e se relacionar com as demais crianças.
Patricia , principalmente , sempre gostou de fazer amizades . Mesmo com 4 aninhos ficava buscando novas amiguinhas.
Certa tarde veio , muito feliz, perguntar se eu fazia alguma comida para ela poder participar de um chá de bonecas. Priscila a convidara.Ela estava satisfeita pois esta menina nunca lhe dava muita atenção.
Fiz uma grande travessa de bolinhos de chuva. Ela levou a Adriana.Foram bem produzidas, roupinhas de passear.
Fiquei no portão observando-as chegarem na casa da menina.Bastava atravessar a rua.
Não se passaram nem dez minutos e Pat e Nani estavam de volta.
Patricia tristinha...Contaram que as meninas as tinham mandado embora.
Perguntei pelos bolinhos.Ficaram lá pois era a única comida do chá.
Pois sim...
Peguei as duas pelas mãos , atravessamos a rua , entramos e eu passei a mão no prato de bolinhos. Peguei até mesmo um bolinho que estava na mão de uma das meninas.
Olhei para elas e lhes disse que onde não tinha lugar para minhas filhas , não tinha lugar para meus bolinhos.Fomos embora.
Cheguei em casa e fiz o nosso chá de bonecas.
Adriana ficou satisfeita mas a Patricia ficou muito desapontada.Amigos para ela eram muito importantes.
Tentei explicar-lhe que , na verdade , aquelas não eram suas amigas.Amigos jamais agiriam assim.
As decepções começaram cedo para ela mas ,com certeza , contribuiu para que ela crescesse sabendo reconhecer amigos verdadeiros.

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domingo, novembro 26, 2006

Pertinho...

Nossa primeira mudança de cidade foi para Blumenau.
Fui de önibus , sozinha com as crianças.
Um grande aperto no coração. Deixava para trás minha familia , amigos ,tudo que fizera parte da minha vida. As crianças estavam mudando de escola no meio do ano. Teriam que se adaptar a novos moldes , fazer novas amizades.
Alessandra tinha 8 aninhos , André 6 , Edu 5 , Pat ia completar 3 e Adriana estava com trës meses.
Eduardo não iria para a escola.Ele estava no prézinho e a escola que eles iriam não tinham este nível.
Alessandra estava na terceira série e o Dé na primeira.
Eu só fiz um pedido quando soube de nossa ida para Blumenau. Eu queria que a escola fosse próximo de casa.
Nem me importei pelo fato das crianças irem para uma escola pública pois, conforme me asseguraram, eu podia ver a escola da porta de casa.
Pertinho...
Realmente nós víamos a escola da porta de casa, pois a mesma ficava no topo de um morro.
Quantas lágrimas derramei em silëncio vendo a Ale e o Dé indo , de mãos dadas ,para a escola. E , no semestre seguinte, o Dudu.
Em dias secos eles caminhavam quase 2 quilometros. Chão batido. Atravessavam uma estrada de movimento e atalhavam caminho subindo por uma trilha atrás do morro.
Em dias de chuva tinham que contornar o morro. Era mais um quilometro.
Isto todo dia.Ida e volta.
Muitas vezes eu ia até a estrada e esperava que atravessasem.Depois ficava olhando-os até sumirem na distäncia.
Na hora do retorno eu estava lá, ansiosa, esperando por eles. A Pat e Nani comigo.Era a melhor parte do dia.
Dias difíceis. Eu não tinha com quem conversar. Com quem desabafar.
Onde morávamos não tinha linha telefonica. O önibus passava a cada uma hora.
As crianças eram a minha única companhia e, com certeza , a melhor .
Eu procurava fazer estas idas e vindas serem divertidas.
Após um ano compramos a nossa casa e tudo ficou mais fácil, ou ao menos , menos difícil.
Eu só tinha uma certeza. Tinha que guardar meu aperto no fundo do coração e , jamais deixar as crianças perceberem minha ansiedade e tristeza.Eles precisavam da minha força e da minha segurança

segunda-feira, novembro 20, 2006

Meus filhos

Tenho dois filhos homens , André e Eduardo. Eles tëm onze meses de diferença.Este mës eles estão com a mesma idade.
Dézinho tinha 2 meses quando engravidei do Edu. A médica dizia que eu estava enganada, mas eu soube , desde o início .Alessandra ia completar dois aninhos.
Em nenhum momento , por um segundo sequer , eu fiquei assustada. Ao contrário , fiquei muito feliz. Meus dois filhos eram um tesouro tão grande.Mais um bebë só viria acrescentar , aumentar minha felicidade. Fraldas e mamadeiras não me preocupavam e a alegria de outro bebë era compensador.
Em criança os dois sempre foram amigos.Companheiros de travessuras.Um sempre pronto para defender o outro. Amizade que perdura até hoje.
Temperamentos diferentes mas , em comum , a generosidade e firmeza de caráter.
Tenho tranquilidade e muita segurança em dizer , que apesar da pouca diferença de idade, eu consegui dar-lhes toda a atenção e amor que lhes era de direito. Mãe sempre tem amor para dar, multiplicar. Não dividi meu amor, nem ao menos meu tempo entre eles. O tempo era todo nosso. Brincamos, cantamos , nos divertimos muito juntos. E , com certeza , também tivemos nossos momentos de tristezas e lágrimas.Mas sempre juntos . Mesmo quando eles achavam que eu não estava , eu com certeza estive ao lado deles.
Filhos adultos mas crianças em nossos corações. Sempre estarei com minhas crianças.
Em pensamento , em orações...Sempre com eles.