quarta-feira, setembro 08, 2021

QUASE 70

 Em seis meses eu vou estar completando 70 anos. Ninguém, tenho certeza, viveu sete décadas sem travar muitas batalhas, contornar muitas dificuldades, viver muitas emoções, dar muitas risadas e derramar muitas lágrimas

Tenho uma família a quem amo muito e de quem sempre recebi muito amor e carinho.Meus 5 filhos ,sete netos ,noras e genros são meu orgulho e paixão. Amo minhas irmãs e as tenho como minhas melhores amigas e parceiras.

Morando há 10 anos no condomínio Cantegril,fui me acomodando numa rotina bem tranquila,e com a pandemia fiquei bastante reclusa,cumprindo isolamento social.

Tempo passando e eu me acomodando cada vez mais,

Então,resolvi sair da minha zona de conforto,  e decidi realizar uma quarentena de 16 dias no México para assim poder entrar nos Estados Unidos. Sozinha, dia após dia, num quarto de hotel. Arriscando fazer algumas caminhadas pelo bairro de vez em quando. Sempre contando com o apoio e carinho, mesmo á distância ,da minha família maravilhosa e de amigas incríveis.

Um dia de cada vez. Mas cada dia tem 24 horas (só?) e as horas demoram a passar.Mas acabam passando.

Então sou surpreendida por um terremoto de 7.1 aqui no México. Com certeza nunca tinha me passado pela cabeça passar por um episódio assim.

Estávamos numa distância de 300 km do epicentro do terremoto mas de qualquer maneira os tremores alcançaram o nosso hotel com bastante intensidade. Quando se está sozinha, e não se tem em quem buscar apoio o lógico é ver o q está acontecendo e resolver o que tem de melhor á fazer. Levantei da cama ,abri a porta do quarto e verifiquei que outros hóspedes já estavam deixando seus quartos .Afirmaram que era um terremoto e que necessitávamos descer pelas escadas imediatamente.Isto tudo muito rápido porque o tremor persistia.Apanhei uma roupa que fui vestindo por cima do pijama,todos os meus documentos ,celular,um chinelo e  acompanhei os senhores para a escada .Eram muitas pessoas descendo a escadaria.Eu estava no quinto andar mas são 12 os andares do hotel com 600 quartos. Todos descemos as escadas com pressa ,mas sem ninguém tentar passar na frente ou fazendo gritaria.No final de escada uma equipe do hotel nos aguardava e nos conduzia por passagens de emergência até uma área segura.

 No nosso hotel não faltou luz e nem a internet .Os elevadores continuaram funcionando mas fomos orientados a permanecer no lobby.Entrei em contato com minhas filhas que ficaram muito assustadas .As pessoas foram se acalmando e foram retornando para  seus quartos .Foi difícil adormecer.Ao amanhecer falei com todos meus familiares que estavam muito preocupados ,querendo ter certeza que eu estava bem .

Depois de 12 horas do ocorrido,de assistir o noticiário,e pensar  na calma com o que eu enfrentei a situação eu me senti fraca e sozinha e me perguntei por quê com quase 70 anos eu entrei nessa aventura e aí meu coração me lembrou de que estou indo encontrar alguns amores que não vejo há  muito tempo.

Então ,estou agradecida a Deus ,ao meu Santo Antônio que sempre me protege ,ao carinho da minha família ,ao amor de meus filhos,nora e netos,sobrinhos e de grandes amigas que me acarinharam mesmo de longe .

E o terremoto vai ser mais uma história para contar.

“UM DIA TODOS VAMOS MORRER, MAS TODOS OS OUTROS SÃO PARA VIVER”

Mesmo que você tenha 70 anos ou mais.