domingo, maio 28, 2006

Adriana e Carlos

Amanhä o Carlos , meu genro , estará completando 25 anos.Jovem , muito jovem mas com uma bagagem cultural fabulosa. Extremamente inteligente.Sua mäe, minha querida amiga Norma, sempre fala com orgulho que com trës anos ele já estava alfabetizado. Criamos os filhos para o mundo e a Norma cumpriu muito bem a sua missáo de mäe.Oportunizando...abnegando.
Adriana trouxe o Carlos para o nosso convívio e hoje os dois constroem sua história de vida com muito amor. A distäncia enorme que nos separa fisicamente näo é suficiente para të-los fora de nossas vidas.Continuamos sendo uma familia.Familia saudosa , mas muito orgulhosa.
Escrever sobre a inteligëncia dele seria ser repetitiva.Todos sempre se referem a isto.
Quero falar sobre um rapaz que atrás de um olhar sério tem muita ternura e afeto.
Quero , principalmente, dizer que tenho um carinho muito grande por este grande homem que muito mais que uma brilhante cabeça tem um grande coraçáo.

sábado, maio 27, 2006

FOGOOOOOOO !!!

Veräo de 1977. Estava em Torres com as crianças.Alessandra 3 aninhos,André 2 aninhos e Eduardo com 1 aninho.
A casa em que ficamos , para entenderem a situaçäo , tinha as peças dispostas de forma pararela (cozinha, sala e quartos ).
Era noite e as crianças dormiam no meu quarto.
Na sala eu jogava cartas com minha mäe, minha irmä Rosana ( na época com 16 anos) e minha tia Neli. Os homens estavam todos em Porto Alegre.
Minha mäe levara a Maria , senhora que trabalhava para ela.
Entäo, ouvimos a Maria gritar...FOGOOOOOOOOOO !!!!!! Ela gritou e correu para a rua levando com ela o seu `radinho`de pilhas.
Vimos que realmente havia labaredas vindo da cozinha ( o fio da geladeira incendiara á partir de um curto circuíto).
Imediatamente minha mäe, tia e irmä sairam para a rua. Rosana , minha irmä , correu até a casa da Cris ,minha outra irmä, para pedir ajuda. Ninguém sabia onde era a caixa da chave de luz...gritaria e correria.
Enquanto isto...
Corri para meu quarto para pegar as crianças que dormiam.Eram trës e eu com dois braços. Uma coisa era certa ...eu só sairia da casa com os trës.Gritei pedindo ajuda mas ninguém atendeu. Consegui acordar a Alessandrinha que era maior , e peguei os meninos no colo. Sentindo a mäozinha da Ale segurando firme na minha roupa eu saí da casa.
A chave geral foi desligada e o fogo cessou.
Lembro que eu fiquei inconformada por ninguém ter lembrado de me ajudar com meus pequeninhos.
Foi um susto muito grande.Tudo aconteceu muito rápido.
Eu , durante todo tempo , tinha uma certeza. Meus filhos sairiam dali juntos.Jamais eu deixaria para trás um deles.
Os filhos gostam de dizer que temos o preferido.Eu sempre digo que o relacionamento pode ser diferente mas amor que sempre tive por eles , jamais.Amor näo se reparte entre os filhos , se multiplica.
Sempre me desdobrei para dar á eles todo amor e atençäo que lhes era de direito.Sempre fiz isto com muito carinho e prazer pois sempre foram meu bem mais precioso.

sexta-feira, maio 19, 2006

Tati Bi Tati

Quando criança , bem pequeninha mesmo , eu tinha dificuldade na pronúncia de algumas letras , era o Tati Bi Tati.
Recordo do meu pai fazendo-me repetir as palavras enquanto me colocava os sapatos. Morávamos na rua Hoffman. Ele, pacientemente , mandava que eu repetisse ;ônibus..e eu falava ombus. Felizmente , meu amado pai , teve êxito. Demorou só um pouquinho.Demorou o tempo de fazerem muita graça com isto.
Bastava eu entrar no banheiro para alguém bater na porta para ouvir-me dizer;"Não posso abrir, tô nula sem salsa".
Esta minha dificuldade era vista com graça pelas pessoas , que faziam-me ficar falando e falando....E todos riam , riam muito.Quanta terapia seria necessária se isto fosse nos dias atuais.
Havia uma história , em particular, que todos apreciavam ouvir-me contar.
Eu , inocente , contava bem faceira.
Eu devia ter menos de 4 anos. Estávamos indo , logo após o natal, para Torres. Imaginem o que era a estrada há meio século atrás. Bah...escrevendo assim , senti-me muito idosa.
Ìamos com o tio Rui. Ele tinha uma caminhonete, tipo Ford , com uma cabine e carroceria coberta com lona (assim que lembro). Na cabine iam meu tio , meu pai e minha avó .Minha mãe ia comigo, minha irmã Cristina e meus primos, na carroceria. Nós e a bagagem. Eu ganhara , de natal, um vestidinho . Eu gostara tanto dele que não deixei mamãe colocá-lo na mala. Não queria que amassasse. Pendurei-o perto de mim.Durante a viagem , o motor começou a pegar fogo. Meu pai tirou-nos da caminhonete , colocou-nos fora da estrada e providenciou em apagar o fogo.
Passado o susto retornamos. Mas , onde estava meu vestidinho ? Meu pai o usara para abafar o fogo. Que tristeza. Eu nunca iria usar meu lindo vestidinho.
Porque esta história tornou-se interessante ? Porque eu era Tati Bi Tati..
Ao invés do G eu falava o D. Então ficava assim: "Era um fodo muito grande , um fodaréu , um fodão enorme"."Todo mundo correu do fodo".
Quando maiorzinha eu entendi qual a graça e não achei mais tão engraçado.Parece-me que eu era um tanto tolinha.
Sempre tive muito cuidado , como mãe e também como professora ,de jamais expôr meus filhos ou alunos a situações que pudessem constrangê-los.Sei que não havia maldade mas , convenhamos , não era "politicamente" correto.

terça-feira, maio 16, 2006

Ser feliz...tem que querer

Na semana passada, assisti no programa da Adriane Galisteu , uma entrevista com Cauê. Cauê tem 23 anos e aos 18 perdeu as duas pernas num acidente ferroviário.
Rapaz simpático e , apesar de tudo , saudável. A mente nos faz saudáveis.
Cauê pratica natação, ciclismo e surfe. O surfe ele faz de joelhos , pois disse que equilibrar-se na prancha e nas próteses seria um esforço muito grande e desnecessário.
Várias perguntas foram feitas pela platéia e ele respondeu com desembaraço , mesmo as mais íntimas.Quando perguntado sobre ser feliz , respondeu que que é mais feliz hoje do que era antes do acidente.
Eu entendo o que ele quis dizer.È lógico que não foi a tragédia que o tornou feliz.Ele hoje é feliz porque foi capaz de , num momento triste e desesperador , encontrar dentro dele forças para continuar e fazer do fato de estar vivo, motivo de felicidade.
Muitas pessoas , diante de alguma perda , se escondem dentro de si mesmas, fogem da vida.Não aceitam o fato de que sua vida , tão perfeita , foi abalada por algo que lhes tira o chão , a estrutura.Diante disto passam a lamentar-se. Tornam-se pessoas amargas e trazem tristeza para aqueles que as amam.
Mas se usarmos a nossa dor como ferramenta de luta ,como fez o Cauê , certamente
seremos mais felizes.
Olhar para frente, valorizar o que ficou nos dá oportunidade de descobrir facetas e capacidades nossas que estavam adormecidas.Podemos sim, depois de uma experiência negativa , sermos mais capazes e felizes.
Concordo com o Cauê ,para ser feliz... basta querer.

quinta-feira, maio 11, 2006

Bombinhas de São João

Era o mès de junho. Meus tios haviam se mudado para a rua Olavo Bilac.
Eu tinha uns onze anos.Cau deveria estar com uns 8 e Silvinho com 7 aninhos.
Era noite. Minha màe tinha ido ver minha tia que ganhara neném e voltara do hospital por aqueles dias.
Descemos para brincar na calçada acompanhadas pela Mari Otilia. Muitas foram as recomendaçòes. Nào brincar com bombinhas e nào fazer travessuras pois minha tia precisava descansar.
Se as crianças ouvissem seus pais , muitos acidentes seriam evitados.
Descemos...e levávamos bombinhas...e fósforos. Jogamos uma , outra... Certamente nào estava interessante pois eu tive a idéia de colocar uma bombinha dentro de uma lata.
Pois foi o que fizemos. Se me recordo bem eu que tive a idéia quando encontrei uma lata jogada no meio fio da calçada. Detalhe importante...a lata era de IsaRaz(solvente).
Foi um estrondooooo...A lata explodiu e deixou o Cau com a camisa em chamas. Camisa volta-ao-mundo.(quem é daquele tempo lembra...super inflamável).
Deus protege as criancinhas sem juízo... Cau ficou apenas sem a camisa e os cílios.Ele tinha uns cílios enormes.Nenhuma queimadura grave. Chamamos a atençào de toda vizinhança.
Subímos para o apartamento e conversamos muito. Queríamos esconder a travessura mas acabamos contando. Nào lembro se foi voluntariamente ou sobre pressào. Também nào recordo se sofremos algum castigo.Mas recordo que eu fiquei muito envergonhada , pois era mais velha e tinha colocado em risco meus primos.
Hoje fico pensando que eu deveria ser meia `lerda` das idéias.Criança é assim mesmo.Por isso é criança.Age mais por impulso , sem pensar.
Crescemos e ficamos mais responsáveis, felizmente.
Mas era divertido...muito divertido.

Meu querido amigo Cau

Ontem eu estava sem sono e resolvi pesquisar no Orkut. Surpresa boa. Encontrei o Cau.Atualmente ele mora no Rio de Janeiro , por isso o distanciamento.Eu e Cau somos primos em primeiro grau.Devo ter 2 ou 3 anos a mais que ele. Quando crianças morávamos perto e protagonizamos juntos algumas aventuras.Inclusive passávamos as férias de verão juntos.
Lembrei-me de duas em particular.
Eu estava com 9 anos , então o Cau deveria ter seus 6 aninhos. Morávamos no mesmo prédio e naquela noite meus tios foram ao cinema e o Cau e seus 2 irmãos menores ficaram com a empregada , a Mari Otilia ( que tinha menos de 15 anos).
Eu e minha irmã subimos para o apartamento deles para assistir televisão.
Morávamos no andar térreo e eles no segundo andar.
Meus pais tinham ido visitar minha avó que morava , com outros tios meus, na mesma rua. Morávamos todos na rua Laurindo , na Cidade Baixa.
Nós costumávamos brincar de MANDRAKE ( STOP ).Eu dei Mandrake para o Cau que deveria , conforme a brincadeira , ficar imóvel. Como ele não fez isto ,eu fui até ele e dei trës soquinhos no braço dele. Ele ficou aborrecido , não estava certamente com vontade de brincar , e veio me devolver os soquinhos. Eu ergui o braço e ele acertou o meu pulso esquerdo. Nada demais se não fosse o fato de ele estar com uma gilete na mão. Ui...dá arrepio.
O que ele fazia com uma gilete na mão? Raspava uma vela...!!!
Imediatamente o meu pulso começou a jorrar muito sangue. Lembro que segurei o braço com a máo direita e sai correndo, aos berros , até o prédio da minha avó. Eram umas 9 horas da noite. Fiquei literalmente berrando na porta do prédio. Meus pais e tios surgiram aflitos pela maneira que eu gritava. Ficaram assustados quando me viram. Meu pai levou-me para o banheiro onde rasgou uma toalha que enrolou no meu pulso. Enquanto isto meu tio já chegava com um táxi. Naquela época tinha que se buscar o táxi no ponto.
Resultado...quatro pontos e uma cicatriz , bem charmosa , no pulso.
Enquanto isto no apartamento dizem que o Cau passava mal e o Silvinho chorava , porque achava que o Cau poderia ir preso.
Isto nào abalou nossa amizade. O que aconteceu não foi proposital.Ëramos crianças boas e sem maldade , embora um pouco inconsequentes como perceberão na minha próxima história.
Aguardem...Bombinhas de Sào João

terça-feira, maio 02, 2006

Viagens

No final de semana passado fomos para Gramado. Nossa idéia era viajar pela tarde porém , quando saímos de Viamão já era quase 19 horas. Noite fechada e muito movimento.Esta viagem me trouxe algumas recordações.
Quando as crianças eram pequenas nós viajávamos durante a noite , até que passamos por uma experiëncia muito desagrádavel. Morávamos em Blumenau e estávamos vindo passar o natal em Porto Alegre.Era a época em que se fazia racionamento de gasolina. Sábado e domingo os postos fechavam. Saímos de Blumenau numa sexta feira ä noite. Pretendíamos completar o tanque antes das 22 horas , hora em que os postos fechavam , para ter combustível suficiente para chegar ao nosso destino. Entretanto, fomos surpreendidos por uma grande tormenta. Lembro da angustia de ver um carro sendo arrastado para o acostamento...Seguimos atrás de um caminhão e com muita sorte alcançamos um posto de gasolina. Muitos motoristas já haviam parado e se abrigado sob o posto. Nós estacionamos em frente ao restaurante que, aquela hora e pela situação do tempo , estava fechado. Não se tinha nenhuma visibilidade .Ficamos ali estacionados durante toda noite. Não abastecemos...
Imaginem a situação. Passar uma noite, mais de 8 horas dentro de um carro (um Passat ), debaixo de muita chuva com cinco crianças pequenas. Alessandra tinha 9 anos , André 8 anos, Eduardo 7 anos , Patrícia 4 anos e Adrianinha ainda nào
completara 2 aninhos.
Quando amanheceu a chuva já passara e vimos que no outro lado da estrada havia um balneário e hotéis. Seguimos viagem e tivemos a certeza de que ficar a noite parados foi a coisa certa. Trechos inteiros da estrada haviam sumido.
Conseguimos , com o combustível que tínhamos, chegar em Ararangua.
Entramos no restaurante Becker para tomar café e pensar como resolver o problema da gasolina.Conversávamos quando um rapaz que escutara nossa conversa ofereceu combustivel de uma empresa de transporte. Bastou atravessar a rua e enchemos o tanque. Não foi só coincidëncia ou sorte.
Chegamos em Porto Alegre. Cansados mas felizes.
Depois disto sempre evitamos viajar durante á noite.