quarta-feira, agosto 30, 2006

Observando

Eu gosto de observar as pessoas.Inclusive , preciso me policiar para não tornar este hábito em uma mania incoveniente.
Acho o ser humano admirável.Quantas formas de bocas, narizes , corpos enfim...Incrível , realmente incrível.
Hoje cedo, enquanto aguardava atendimento numa Clinica Médica , exercitei minha observäncia. Mães e filhas se parecem. Há quem diga que antes de casar com a filha , deve-se olhar a mãe. Acho que também se aplica aos homens. Mas , toda regra tem exceção. Felizmente para uns, infelizmente para outros.
Se não houver semelhança fisica , a mesma se fará através da postura.Observem...
Màes ou pais corcundas caminham ao lado de filhos corcundas. Quando minhas filhas estavam em crescimento , eu estava sempre chamando-lhes a atenção para a postura das costas. Por vezes , isto as aborrecia. Tenho certeza que devem ser bem agradecidas , quando vëem alguém andando curvado.
Podemos observar familias inteiras que se parecem. Não apenas a mãe com a filha , mas também o pai e o filho. De longe já se percebe que formam uma família.Seja pela semelhança fisica , seja pela postura ou ainda , pela maneira de falar ou sorrir.É a convivëncia.Não somos iguais ,mas podemos nos tornar parecidos por dentro e por fora.
Por tudo isto , considero que os pais tëm que ter muita atenção , não apenas com o que dizem para seus filhos , mas com o próprio comportamento. Sào nossos hábitos e atitudes que educam , muito mais que nossas palavras e conselhos.
Torno a repetir.Há exceções , sempre haverá.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Primeiro amor

O primeiro amor ninguém esquece e , apesar de tantos anos terem se passado, eu não esqueci do meu. Até porque sou de opinião de que sempre devemos guardar, com muito carinho, as boas lembranças.
Dia 30 deste mës, meu primeiro amor estará de aniversário (memória boa).
Época linda .Época em que a inocëncia tinha lugar.
A gente flertava , lançava olhares , dançava nas reuníões dançantes e aguardava o pedido de namoro. Nem sempre se respondia na hora.Podia-se pedir um tempo para pensar...
E assim aconteceu comigo. Flertamos e namoramos durante dois anos.Eu tinha doze anos. Mas a inocëncia era tão grande que era cabível.Pegar na mão só depois de um ano. Beijo ...Lembro que ganhei um na testa no dia dos meus treze anos.
Impossível esquecer um amor tão puro, meigo.
Ele me buscava na saída do colégio e ficávamos conversando em frente do meu prédio.
Aos domingos íamos ao cinema.Mas não íamos só.Tinha que ter o chá de përa. Foi numa tarde de domingo, durante a sessão dupla do cinema Cacique, que ele pegou
pela primeira vez a minha mão. Já estávamos namorando há mais de um ano.Quando as luzes acenderam e nós saímos de mãos entrelaçadas , toda turma , que nos acompanhava bateu palmas. Fiquei corada de tanta vergonha.
Voltávamos para casa de önibus e eu ficava desejando que a viagem nunca acabasse.
Nunca ouve brigas , mentiras ou mágoas.O nosso namoro acabou porque éramos ainda muito crianças. Provavelmente teríamos voltado se...Sempre há um se para atrapalhar as lindas histórias de amor.
Eu tinha uma caixinha de madeira onde guardava as nossas lembranças.Fotografias , fitinhas , flores secas...Gostaria de ainda të-las comigo.Mas , as tenho no coração.
Lamento pelo jovem de hoje , que trata os sentimentos e atitudes com tanta informalidade, tanto descaso.Acabam por não ter um primeiro amor para recordar.
Com certeza foi um período precioso da minha vida .

domingo, agosto 20, 2006

Taça Libertadores

Em 1983 , morávamos em Blumenau , o Gremio ganhou o título de Campeoes da América.Mesmo em Blumenau, a movimentação e festejos foram grandes .
Os meus meninos , como o pai deles , torciam pelo Internacional. Geralmente o que ocorre é isto mesmo.Os filhos pequenos seguem a escolha paterna.
Com a vitória do Grëmio, o Eduardo ( na época com 7 anos ) resolveu ser gremista.
Primeira coisa que me pediu foi uma camiseta do time.Percorri todas lojas da cidade e , com muita dificuldade , encontrei uma regata de adulto.
Ele ficou satisfeito e vestiu , orgulhoso , a camiseta que cobria os seus joelhinhos.
Vestido assim é que ele esperou o pai chegar.Ficou na frente da casa e não foi preciso palavras para a novidade ficar esclarecida. Até mesmo porque nenhum dos dois é de muitas palavras...
Passaram-se 23 anos e chegou a vez do Internacional conquistar o título.Parabenizo todos os Colorados.
E o Edu ...Continua sendo gremista.

Enquanto isso...

Era verão de 1993.
Depois de ter atingido a Patricia , o menino tratou de remar para longe da beira. André , Eduardo e Rafael que perceberam o que estava acontecendo remaram para a praia. O menino acabou surpreendido pelos trës que resolveram dar umas remadas no mesmo.
A familia do menino estava perto de onde estávamos e , claro , assistiu de camarote toda correria e confusão. O menino, juntamente com seu pai , veio falar conosco e disseram que iriam esperar pela Patricia (já a tinham levado para atendimento)para se desculparem.Eu os aconselhei a irem embora pois estavam todos muito nervosos e as desculpas poderiam não ser muito bem aceitas. Não naquele momento.
Posteriormente acabamos nos cruzando em Garobapa , e eles tiveram oportunidade de dizer que lamentavam a brincadeira.Brincadeira inconsequente que acabou privando a Patricia de entrar no mar , durante todo resto de nossas férias.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Susto na praia

Era verão.Talvez 1993.Fomos passar as férias em Garobapa.
Era nosso segundo ou terceiro dia de praia. O programa preferido dos meninos era andar de caiaque. Esperávamos a praia ficar vazia para que eles pudessem se divertir, sem risco de machucar os banhistas.
Debaixo do guarda sol eu conversava com a minha irmã.Conversava mas de olho na Patricia , que estava pegando onda de morey. Ela e a Ana Claudia.
Eu estava aflita pois havia um menino pegando onda (ao invés de remar ) com um caiaque.Pegando onda justo onde elas estavam. Eu fazia sinal para elas se afastarem dele, mas assim que elas se afastavam ele as seguia. Ele estava de brincadeira.
Até comentei que aquilo não iria dar certo.
E, foi assim que aconteceu...Patricia veio numa onda e , quando ela levantou e virou , foi atingida pelo caiaque .Eu gritei chamando a atenção de todos. Paty desapareceu sob a ägua.Todos correram para o mar. Vi quando ela surgiu em meio as ondas, a blusa branca estava vermelha do sangue que escorria da sua cabeça.Meu cunhado alcançou-a e a trouxe para a beira da praia. Lembro que a preocupação dela era comigo. Não queria que eu ficasse assustada.Tarde demais. Eu já estava enlouquecida...Correria completa.
Uma jovem que passeava ali perto , com sua neném, apresentou-se como médica e acompanhou-os para atender a Paty.
Felizmente Patricia ficou bem , mas perdeu todo resto dos dias de férias.Na verdade , o acidente poderia ter sido muito mais grave do que o corte que teve na testa.
O menino que machucou-a , veio se desculpar .Eu tentei explicar-lhe que é necessário que a gente sempre pense na consequëncia de nossos atos.O fato dele não ter tido a intenção , não evitou o acidente.
Assim é em tudo que fazemos ou dizemos.
Nenhum cuidado será em excesso se estivermos evitando de magoar ou machucar alguém.

terça-feira, agosto 15, 2006

Saudade

Certamente não deve existir quem não tenha sofrido ou sofra por saudade.Podemos sentir saudades de alguém , de algo , de uma época...Na minha vida a saudade tem se tornado uma constante . E , o fato dela ser minha velha conhecida ,não torna a convivëncia mais fácil.
Quando a saudade é de alguëm que está distante passamos a contar os dias , semanas , meses.Sabemos que ao término de determinado tempo ela irá embora.Ao menos por alguns dias.
Quando é de alguém que sabemos que não vai retornar, acomodamos a saudade num cantinho do coração.Assim como guardamos , em um canto da casa as coisas das quais não queremos nos desfazer.Da mesma forma esta saudade vai ficando por lá.
Nào curto a saudade de um tempo passado.Acredito que o passado é para ser lembrado , até mesmo comemorado.Porém sentir saudade do passado é querer voltar e eu não creio nesta volta.Nunca será igual.Melhor ter a lembrança.
Pior é a saudade de alguém que está muito próximo mas que se faz ausente.
Dói a saudade de quem partiu.Partida inevitável e necessária porém , repentina.Sem tempo para despedida.
Mas , se por um lado a saudade nos causa sofrimento, por outro lado ela é a prova de que temos vivido momentos que valem as lágrimas derramadas.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Gracinhas

Criança é sempre maravilhosa e tudo que ela faz ou diz achamos uma graçinha.
Dudu tinha uns 4 aninhos . Estávamos na piscina brincando quando ele me olhou e sugeriu que eu deixasse meu cabelo crescer. Com o cabelo comprido tu vais ficar mais bonita e até arranjar um namorado ,foi o que ele disse.
Eu expliquei para ele que eu gostava do meu cabelo assim . Que quando eu era jovem o meu cabelo era bem comprido mas que agora , mais velhinha , não seria tão apropriado.
Ele continuou insistindo. Argumentou que a outra avó tinha namorado pois tinha o cabelo mais bonito.
Dei um tempo e disse para ele que ia seguir o conselho dele. CLaro que com namorado ,eu não iria ter tempo para ficar horas e horas só brincando com ele. Brincando na piscina , jogando canastra , indo ao cinema...Mas se eu ia ficar mais bonita ...
Encerramos o assunto e continuamos com as bricadeiras.
De noite , depois de já termos feito a oração do anjinho da guarda e ele quase adormecera , ele me disse
-Sabe vovó? Deixa o teu cabelo assim , tu até que é bem bonitinha !

domingo, agosto 06, 2006

TIPIE

Eu fiz a escola Normal no Instituto de Educação. Minha formatura foi em 22 de agosto de 1971.
Uma das disciplinas que nós , futuras professoras ,tinhamos era de teatro...o TIPIE. Nossa professora era a Olga Reverbel. Excelente...maravilhosa.
No final de semestre nós tínhamos que apresentar uma peça para as crianças do curso primário ( hj curso fundamental ).
A peça do meu grupo se chamava A bruxinha que era boa. Eram muitas bruxas más , uma muiiiiiito má , um bruxo , um menino e a bruxinha que era boa.Meu papel era do bruxo. Eu fazia o grande bruxo , o chefe das bruxas.
Muitos ensaios , falas bem decoradas . Cenário feito por todas do grupo. Ficávamos envolvidas durante todo o semestre .Lembro que eu esperava pelo dia da aula de teatro com muita ansiedade.
Chegou o dia da nossa apresentação.Ginásio do IE cheio , lotado. Eu vesti calça e camisa preta.Uma capa preta enorme ( não podia faltar )e claro o chapéu. Chapéu de bruxo é sempre essencial.
Eu estava na lateral esquerda do palco aguardando o momento de entrar em cena. Ao meu lado a menina que fazia o Ponto.
Antes de entrar eu deveria dar uma grande gargalhada , anunciando a minha chegada. Pois bem...no momento em que gargalhei a menina do ponto assustou-se e invadiu a cena aos gritos, correndo. Foi muito engraçado.O grito dela desencadeou muitos gritos das crianças. Eu fiquei com muita vontade de rir da situação mas consegui prosseguir com o script . Fiz uma entrada triunfal , abaixo de gritos...
A apresentação foi tão elogiada que fomos convidadas a realizar um espetáculo fora do IE , na ACM.
Eu tinha na época 17 anos.Até hoje eu mantenho contato e amizade com algumas destas colegas.Amigas preciosas.
Um acontecimento pequeno , tão remoto.Mas , já ali , eu estava aprendendo que mesmo quando as coisas não acontecem do modo que planejamos, nós temos que seguir em frente e fazer o melhor possível.
Se o espetáculo não pode parar muito menos a Vida.