Nós mudamos para Blumenau em julho de 1981.Nossa mudança foi no meio do ano letivo das crianças. Sei que exigiu muito deles terem que deixar para trás a escola com que já estavam ambientados e enfrentar o desconhecido. Tiveram que fazer novos relacionamentos e se adaptar a novos hábitos. Hábitos que tiveram que captar , já que ninguém parava para explicar-lhes.
Foi assim que um dia a Ale se viu numa fila em que todos , depois de escovar os dentes , recebiam um copinho com flúor. Ela , como todos os outros , colocou o conteúdo na boca. Só que , diferente dos demais , ela engoliu o flúor.Logo ela percebeu os colegas cuspindo o liquido numa pia.
Mas ela não pagou mico , não. Quando chegou a vez dela cuspir , ela já tinha saliva suficiente guardada na boca.
O aprendizado não foi amargo pois , conforme ela , o gosto do flúor não era ruim.
Ela tinha 8 aninhos , estava na terceira série. Quietinha , tímida . Aluna nota 10. E , naquele dia , nota 10 em improvisação.
domingo, fevereiro 25, 2007
55
Em poucos dias estarei de aniversário . Estarei completando 55 anos.
Refletindo sobre estes muitos anos me sinto tranquila. Realizei sonhos , deixei de realizar alguns , me tomaram outros. Mas tudo isto é parte da vida ou melhor , é a vida.
Toda caminhada tem tropeço.Tropeços que abalam , assustam.
Mas toda caminhada tem coisas boas que nos ajudam a olhar para frente com otimismo. E , minha caminhada tem sido regada por surpresas boas , carinho e muito amor.
Completo 55 anos de muita felicidade e alegria.Estou em paz. Convicta de valores que passei para meus filhos e que me acompanham em minha trajetória.
Hoje a sociedade , os hábitos são diferentes de quatro décadas atrás.Somos e pensamos diferente do que pensávamos. É a evolução.
Quantos eventos , que mudaram o mundo , eu presenciei...O homem foi a lua , a TV , a internet..
Não parei no tempo. Uso o computador ,estudei espanhol (estou retornando) estudei durante 5 anos a lingua inglesa ( tenho que retornar )...Entretanto trago comigo valores que julgo fundamentais e dos quais jamais abri mão.Valores que o tempo só tem fortalecido ,embora a sociedade não os traga mais com tanta importäncia.
Acredito que as relações tëm que evoluir através do conhecimento.
Não acredito em pular etapas. O homem gatinha antes de caminhar.Caminha para depois correr...Se correr antes de estar com as pernas firmes está arriscado a cair.E, quem cai pode se machucar.
Completo 55 anos orgulhosa de poder olhar para trás.
Completo 55 anos com o olhar virado para a frente.Tenho sonhos a realizar , projetos a completar.
Espero que não me falte energia...
Refletindo sobre estes muitos anos me sinto tranquila. Realizei sonhos , deixei de realizar alguns , me tomaram outros. Mas tudo isto é parte da vida ou melhor , é a vida.
Toda caminhada tem tropeço.Tropeços que abalam , assustam.
Mas toda caminhada tem coisas boas que nos ajudam a olhar para frente com otimismo. E , minha caminhada tem sido regada por surpresas boas , carinho e muito amor.
Completo 55 anos de muita felicidade e alegria.Estou em paz. Convicta de valores que passei para meus filhos e que me acompanham em minha trajetória.
Hoje a sociedade , os hábitos são diferentes de quatro décadas atrás.Somos e pensamos diferente do que pensávamos. É a evolução.
Quantos eventos , que mudaram o mundo , eu presenciei...O homem foi a lua , a TV , a internet..
Não parei no tempo. Uso o computador ,estudei espanhol (estou retornando) estudei durante 5 anos a lingua inglesa ( tenho que retornar )...Entretanto trago comigo valores que julgo fundamentais e dos quais jamais abri mão.Valores que o tempo só tem fortalecido ,embora a sociedade não os traga mais com tanta importäncia.
Acredito que as relações tëm que evoluir através do conhecimento.
Não acredito em pular etapas. O homem gatinha antes de caminhar.Caminha para depois correr...Se correr antes de estar com as pernas firmes está arriscado a cair.E, quem cai pode se machucar.
Completo 55 anos orgulhosa de poder olhar para trás.
Completo 55 anos com o olhar virado para a frente.Tenho sonhos a realizar , projetos a completar.
Espero que não me falte energia...
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Alunos...ex-alunos
Trabalhei 11 anos na rede municipal de Viamão.Turmas de primeira série , terceira e , super gostoso, uma turma de prézinho. Passaram por mim , pelo menos , 600 crianças.
Estar em sala de aula , contar histórias , criar atividades interessantes , ouvir o que as crianças tinham para contar , sentar ao lado e auxiliar numa tarefa, chamar a atenção , tentar aconselhar. Tudo isto eu sempre fiz com muito prazer , muito carinho.
Claro que houve dias em que não estive muito disposta , mas são dias que acontecem na rotina de todos nós.
Como eu trabalhava numa comunidade pobre eu me senti muitas vezes frustada e desanimada. Mas voltava a encontrar disposição e vontade na esperança de poder estar fazendo diferença em, pelo menos , parte daquelas crianças.
Meus primeiros alunos estão hoje na faixa dos 17-20 anos.Nestes últimos meses acabei por encontrar-me , em situações diferentes , com trës deles.O Márcio estava
trabalhando numa obra no condomínio em que mora a minha filha. Eu o via como mais um operário até que ele me cumprimentou e o reconheci.Passamos a trocar algumas palavras.Lembro do primeiro dia de aula .Ele,atrás da mãe dele, todo envergonhado. Menino disciplinado , quietinho e muito sorridente.
O Jefferson encontrei no super mercado Nacional. Ele me atendeu no setor da padaria. Foi meu aluno na terceira série , em 1997. Menino travesso mas muito querido. Inteligente mas sem muita vontade de estudar. Contou-me que agora está fazendo supletivo e tentando recuperar o tempo.
o Diego encontrei no Bourbon. Ele saiu do caixa onde trabalhava e veio ajudar com minhas compras. Contou-me que faz o ensino médio á noite.
Fico sempre muito feliz e emocionada nestas ocasiões,pois sinto muito carinho da parte deles. O carinho que sempre tive por todos eles.
Ah...tem o Gustavo que foi meu aluno da primeira até a terceira série. Sempre que chegava na escola se dirigia até a sala dos professores para me dar um abraço , depois que deixou de ser meu aluno.Hoje , que não estou mais lá na escola , ele me telefona , pelo menos uma vez na semana.
São situações como estas que me fazem crer que eu fui , na vida de alguns , um pouco mais que professora.
Creio ter feito diferença para algus deles , assim como eles fizeram diferença para mim.Aprendi com eles como a vida pode ser injusta e dura.
Não consigo deixar de ficar triste e lamentar por tantos que não conseguiram seguir um caminho que lhes oportunizasse uma vida melhor, mais digna e de direito.
Estar em sala de aula , contar histórias , criar atividades interessantes , ouvir o que as crianças tinham para contar , sentar ao lado e auxiliar numa tarefa, chamar a atenção , tentar aconselhar. Tudo isto eu sempre fiz com muito prazer , muito carinho.
Claro que houve dias em que não estive muito disposta , mas são dias que acontecem na rotina de todos nós.
Como eu trabalhava numa comunidade pobre eu me senti muitas vezes frustada e desanimada. Mas voltava a encontrar disposição e vontade na esperança de poder estar fazendo diferença em, pelo menos , parte daquelas crianças.
Meus primeiros alunos estão hoje na faixa dos 17-20 anos.Nestes últimos meses acabei por encontrar-me , em situações diferentes , com trës deles.O Márcio estava
trabalhando numa obra no condomínio em que mora a minha filha. Eu o via como mais um operário até que ele me cumprimentou e o reconheci.Passamos a trocar algumas palavras.Lembro do primeiro dia de aula .Ele,atrás da mãe dele, todo envergonhado. Menino disciplinado , quietinho e muito sorridente.
O Jefferson encontrei no super mercado Nacional. Ele me atendeu no setor da padaria. Foi meu aluno na terceira série , em 1997. Menino travesso mas muito querido. Inteligente mas sem muita vontade de estudar. Contou-me que agora está fazendo supletivo e tentando recuperar o tempo.
o Diego encontrei no Bourbon. Ele saiu do caixa onde trabalhava e veio ajudar com minhas compras. Contou-me que faz o ensino médio á noite.
Fico sempre muito feliz e emocionada nestas ocasiões,pois sinto muito carinho da parte deles. O carinho que sempre tive por todos eles.
Ah...tem o Gustavo que foi meu aluno da primeira até a terceira série. Sempre que chegava na escola se dirigia até a sala dos professores para me dar um abraço , depois que deixou de ser meu aluno.Hoje , que não estou mais lá na escola , ele me telefona , pelo menos uma vez na semana.
São situações como estas que me fazem crer que eu fui , na vida de alguns , um pouco mais que professora.
Creio ter feito diferença para algus deles , assim como eles fizeram diferença para mim.Aprendi com eles como a vida pode ser injusta e dura.
Não consigo deixar de ficar triste e lamentar por tantos que não conseguiram seguir um caminho que lhes oportunizasse uma vida melhor, mais digna e de direito.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Barbárie
A tragédia que se abalou sobre a familia do menino que, preso ao cinto de segurança, foi arrastado por assaltantes no Rio de Janeiro, horrorizou o paí.
A dor de perder um filho deve ser insuportável. A dor de ver seu filho, de seis anos , ser levado de maneira tão brutal é, para mim, sem definição.
Desespero, revolta, lágrimas...Acima de tudo medo.
Medo que aconteça de novo, medo que a impunidade se faça presente , medo que a tragédia se aproxime .
Quem não se comoveu ao ouvir o depoimento dos pais. A dor daquela mãe ao dizer que sabia que tinha perdido seu filho. Que sabia que não havia nada que ela pudesse fazer para reverter o que estava acontecendo.
Esta não é a primeira barbárie que acontece em nossa sociedade.
Ë vergonhoso saber que não há leis que punam, não há poder que evite , não existe um Estado que se importe.
Criamos nossos filhos, nossos netos com cuidado, amor e carinho.Mas, toda proteção é inutil diante da marginalidade e crueldade que envolve parte de nossa sociedade.
Não é preciso ouvir os noticiários para saber que o perigo ronda.
Qualquer um de nós, a qualquer hora ou momento pode ser uma vítima.
Estamos fadados a viver assim?
Eu oro a DEUS. Oro por proteção. Proteção para todos. Que a bondade Dele se espalhe entre os homens.
Mas há de se fazer muito mais. Não podemos calar e permitir que horrores se repitam. O maior responsável é o Estado que não propicia a seus cidadãos o que lhea é o minímo de direito.
O direito à vida.
O direito de viver dignamente, sem medo.
A dor de perder um filho deve ser insuportável. A dor de ver seu filho, de seis anos , ser levado de maneira tão brutal é, para mim, sem definição.
Desespero, revolta, lágrimas...Acima de tudo medo.
Medo que aconteça de novo, medo que a impunidade se faça presente , medo que a tragédia se aproxime .
Quem não se comoveu ao ouvir o depoimento dos pais. A dor daquela mãe ao dizer que sabia que tinha perdido seu filho. Que sabia que não havia nada que ela pudesse fazer para reverter o que estava acontecendo.
Esta não é a primeira barbárie que acontece em nossa sociedade.
Ë vergonhoso saber que não há leis que punam, não há poder que evite , não existe um Estado que se importe.
Criamos nossos filhos, nossos netos com cuidado, amor e carinho.Mas, toda proteção é inutil diante da marginalidade e crueldade que envolve parte de nossa sociedade.
Não é preciso ouvir os noticiários para saber que o perigo ronda.
Qualquer um de nós, a qualquer hora ou momento pode ser uma vítima.
Estamos fadados a viver assim?
Eu oro a DEUS. Oro por proteção. Proteção para todos. Que a bondade Dele se espalhe entre os homens.
Mas há de se fazer muito mais. Não podemos calar e permitir que horrores se repitam. O maior responsável é o Estado que não propicia a seus cidadãos o que lhea é o minímo de direito.
O direito à vida.
O direito de viver dignamente, sem medo.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Amigo imaginário
Adriana quando pequeninha era muito agarrada comigo. Talvez pelo fato de termos mudado para Santa Catarina quando ela tinha apenas três meses. Temperamento calmo e dócil. Nunca se interessou por ir brincar com outras crianças além dos irmãos. Nas festas de aniversário ficava ao meu lado, negando-se a participar das brincadeiras.
Ficávamos bastante tempo uma com a outra. Só nós duas. Os irmãos maiores iam para a escola e a Pat gostava de brincar com algumas meninas da vizinhança. Então, para driblar a falta de companhia, Adriana encontrou um amiguinho imaginário. Lastimo não recordar o nome pelo qual ela se referia a ele. Mas ele se fazia presente quase todo o tempo.
Quando sentávamos à mesa tínhamos que deixar um espaço ao lado dela para ele. Na época houve quem insinuasse que a Adriana era autista. Porém, eu e seus irmãos encarávamos com naturalidade o seu amiguinho.Jamais nenhum de nós fez troça ou deixou de respeitar a maneira como ela conversava e brincava com aquele amigo. Tínhamos certeza de sua existência e importância no mundo mágico que ela criara.
E, da mesma forma que ele surgiu, ele foi embora.
Acredito que ele surgiu para preencher alguma lacuna emocional. Quando esta lacuna foi preenchida adequadamente, a Adrianinha deixou seu amiguinho partir.
Muitas vezes os problemas surgem a partir da nossa falta de habilidade de lidarmos com situações que não compreendemos. Adriana é uma pessoa perfeitamente equilibrada, extraordinariamente habilidosa e competente.
A vida, o dia a dia, com 5 crianças era movimentado. Nem sempre eu podia estar totalmente disponível. Um amiguinho imaginário só veio a me auxiliar.
Ficávamos bastante tempo uma com a outra. Só nós duas. Os irmãos maiores iam para a escola e a Pat gostava de brincar com algumas meninas da vizinhança. Então, para driblar a falta de companhia, Adriana encontrou um amiguinho imaginário. Lastimo não recordar o nome pelo qual ela se referia a ele. Mas ele se fazia presente quase todo o tempo.
Quando sentávamos à mesa tínhamos que deixar um espaço ao lado dela para ele. Na época houve quem insinuasse que a Adriana era autista. Porém, eu e seus irmãos encarávamos com naturalidade o seu amiguinho.Jamais nenhum de nós fez troça ou deixou de respeitar a maneira como ela conversava e brincava com aquele amigo. Tínhamos certeza de sua existência e importância no mundo mágico que ela criara.
E, da mesma forma que ele surgiu, ele foi embora.
Acredito que ele surgiu para preencher alguma lacuna emocional. Quando esta lacuna foi preenchida adequadamente, a Adrianinha deixou seu amiguinho partir.
Muitas vezes os problemas surgem a partir da nossa falta de habilidade de lidarmos com situações que não compreendemos. Adriana é uma pessoa perfeitamente equilibrada, extraordinariamente habilidosa e competente.
A vida, o dia a dia, com 5 crianças era movimentado. Nem sempre eu podia estar totalmente disponível. Um amiguinho imaginário só veio a me auxiliar.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Exemplo
Outro dia conversando com meu neto , ele disse que .... lhe falara que rezava muito. Comentei que rezar era muito bom e que ele deveria também orar. Perguntei-lhe, então , se ele conhecia alguém mais que rezava. Ele , imediatamente , respondeu ..`Tu vovó `. Perguntei-lhe quando eu lhe dissera que tinha o hábito de rezar , e ele disse que nunca. Ele sabe que eu rezo porque sempre me vë orando.
Não é costume dizermos aos outros que temos o hábito de tomar banho , escovar os dentes , dirigir com cautela , não proferir palavrões... Nossa conduta diária é que mostrará o que somos. O exemplo é o maior professor.
Nunca mandei meus filhos rezarem antes das refeições , mas ensinei-lhes a serem gratos á Deus por toda Sua generosidade.Não apenas pelas refeições, mas por tudo que nos é dado.
Sempre rezei com eles a oração do Anjo da Guarda.Frequentava á missa e mostrei-lhes a importäncia de respeitarmos a casa de Deus.
Fico espantada ao ver que há quem diga que eles foram criados sem religiosidade.
Pessoas tão sensatas , boas , dignas , respeitosas , amorosas jamais teriam sido criadas num lar onde Ele estivesse ausente.
Eu não falei Dele para meus filhos.Não falo Dele para meus netos.
Procurei , procuro , Levá-lo através do meu amor , da minha conduta e do respeito que sempre tive pela decëncia e verdade.
Não é costume dizermos aos outros que temos o hábito de tomar banho , escovar os dentes , dirigir com cautela , não proferir palavrões... Nossa conduta diária é que mostrará o que somos. O exemplo é o maior professor.
Nunca mandei meus filhos rezarem antes das refeições , mas ensinei-lhes a serem gratos á Deus por toda Sua generosidade.Não apenas pelas refeições, mas por tudo que nos é dado.
Sempre rezei com eles a oração do Anjo da Guarda.Frequentava á missa e mostrei-lhes a importäncia de respeitarmos a casa de Deus.
Fico espantada ao ver que há quem diga que eles foram criados sem religiosidade.
Pessoas tão sensatas , boas , dignas , respeitosas , amorosas jamais teriam sido criadas num lar onde Ele estivesse ausente.
Eu não falei Dele para meus filhos.Não falo Dele para meus netos.
Procurei , procuro , Levá-lo através do meu amor , da minha conduta e do respeito que sempre tive pela decëncia e verdade.
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