sexta-feira, novembro 02, 2007

Despedida

Minha querida amiga partiu. Se fosse por sua vontade ou nossa, ainda estaria entre nós.
Quando eu era criança ansiava pelos finais de semana,pois ia sempre dormir na casa de minhas tias. Gostava de estar com elas. Comer o pudim de pão feito pela tia Olga ou a banana cozida na chapa do fogão de lenha.
Eram muitas as brincadeiras. Ficava triste quando chegava domingo e meu pai ia buscar-me.
Quando tinha meus 12 anos passei a ir sozinha. Morávamos na Venancio Aires. Eu caminhava até o H.P.S. e , então pegava o bonde.
Era a época das reuniões dançantes . Sempre havia alguma para irmos e éramos acompanhadas, pacientemente, pela tia Lourdes.
Partilhamos amizades e segredos. Eu pegava roupas dela emprestadas e ela as minhas.
Mesmo distantes sempre estivemos próximas.
Nossas filhas cresceram amigas. Depois colegas.
Muitas dificuldades, lutas. Muito amor por seus filhos, familia.
Mulher guerreira , determinada, habilidosa, organizada, detalhista, incansável.
Minha amiga partiu. Partiu cedo demais, prematuramente.
Eu mostrei-me fraca diante dela nos últimos meses. Acovardei-me e pouco fui visitá-la. Deixei que minha dor superasse a amizade.Coloquei minha energia em orações.
Minha amiga partiu. Mais triste e díficil , que a despedida, foi aceitar sua doença.
Ninguém pode determinar quanto de consciëncia ela poderia ter do que ocorria, e isto era algo que também me afligia.
Porém, eu acredito que ela pöde sentir e saber do grande amor , afeto , paciëncia e dedicação de seus filhos e irmão. E, se conheço minha amiga , isto foi o bastante para que partisse em paz e feliz.

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