domingo, outubro 09, 2005

terça-feira, outubro 04, 2005

Emoção

Todos nós passamos por muitas emoções na vida. Naturalmente quanto mais anos vividos mais emoções vividas. Casamentos , nascimentos , formaturas , chegadas , despedidas , um gesto amigo...Enfim , como cantou Roberto Carlos , ...são tantas as emoções...
Meu coração já se alegrou e também se entristeceu incontáveis vezes por conta de emoções.
Com certeza ainda vou ter este privilégio , o de emocionar-me , por infinitas vezes. Porém , hoje eu fui surpreendida por algo tão belo , tão sublime que dificílmente terei palavras para expressar. Aquele momento ficará gravado na minha memória como um dos mais doce e inesquecível da minha vida.
. Eu estava na sala de espera do consultório médico , onde minha filha fazia sua consulta , quando tive minha atenção voltada para um som . Um som forte , muito nítido. Meus olhos encheram-se de lágrimas e me senti confortávelmente aquecida por uma paz muito grande. Era o coraçãozinho da minha neta .Batia tão forte que eu ouvia , mesmo estando em outra sala. Agradeci , imediatamente , à Deus por tanta graça que me tem dado. Agradeci por aquele momento , tão único.
No batimento forte do seu coraçãozinho a certeza que ela vem para brilhar , vencer e encher os meus dias de alegria e de novas emoções....

quinta-feira, setembro 29, 2005

Banana Boat

Nunca fui uma pessoa ligada a esportes . Pedalar uma bicicleta acho que foi o máximo que fiz um dia , e não como esporte. Esportes radicais...nem pensar.
Gosto de sossego . Arriscar...para quê? Mas isto é o modo como eu penso. Meus filhos são diferentes e gostam de se aventurarem. Demonstra que eu soube criá-los sem minhas inseguranças e medos.
Era o verão de 98. Estavamos em Camboriu. Eu , Adrianinha , André , Claudine , Patrícia , Alessandra e Rafael. Estávamos hospedados no Hotel Fischer. Sentados na área das piscinas nós víamos o mar , e as Bananas Boat. Eles resolveram fazer o passeio e dicidiram que eu tinha que participar. Eu recusei...eles insistiram...fui.
Quando combinaram o passeio o rapaz da lancha perguntou:
--Com tombo ou sem tombo?
Eu , rapidamente , respondi que seria sem tombo. Um passeio suave...
Fomos...Três tombos...Horríveis.
O primeiro , realmente não previsto , aconteceu porque foi preciso "frear" para evitar uma rede de pescadores. Nós não caímos. Nós voamos e afundamos. A Patrícia se agarrou em mim com o objetivo de me ajudar , e com isso afundamos mais que os outros. Lembro de enxergar todos subindo enquanto eu e ela ainda íamos para mais fundo. A Pat acabou me largando e retornou e eu logo atrás dela. Todos ficaram aflitos por me ajudar , mas no desespero eu fui muito ágil e voltei rapidinho para cima da banana. Felizmente todos usávamos coletes salva-vidas , pois estávamos bem afastados da praia. Tivemos o segundo tombo...eles adorando.
Retornando para a praia perdemos a Ale e a Adri. Olhei para trás e lá estavam , bem distantes , dois pontinhos no meio do mar. Que aflição.
Mais um tombo na chegada. Hiper, hiper divertido...para eles.
Foi uma experiência assustadora , mas me sinto feliz por ter participado com eles. Pior é não ficar sabendo como poderia ter sido. Valeu , com certeza , valeu bastante.
Meus filhos estão me ensinando a viver sem medo. Sem medo de arriscar. Sem medo de ser eu mesma. Sem medo de ser feliz.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Patrícia

Hoje é o aniversário da Patrícia.
Ela está completando 27 anos e eu tinha um ano a menos quando ela nasceu.
Foi um bebê muito bonito , muito fofa. Dormiu , chorou , brincou como toda criança. Porém , conforme ela ia crescendo , eu percebí que ela seria singular. Ùnica.
Tinturas no cabelo , piercing , tatuagens...normal.
Festas...muitas festas. Os aniversários da Pat sempre tiveram muitos convidados.
Levantar cedo para ir para a escola era uma dificuldade. Trazê-la para casa após a escola...outra dificuldade. Isto mexia com a paciência dos irmãos , já que deviam ir e voltar juntos.
Mas como a Patrícia é peculiarmente surpreendente ela , apesar de toda esta agitação e inquietude , é extremamente meiga , amorosa e terna.
Começou a trabalhar bem cedo , mostrando-se desde então extremamente responsável e comprometida.
Amiga , muito amiga. Fiel e dedicada. Conviver com ela pode nem sempre ser fácil mas , sem dúvida , eu não abriria mão deste privilégio. Ela sempre foi muito mais que uma filha. Ela é a ajuda , o apoio , o abraço das minhas horas mais difíceis e dos meus momentos mais doces.
Se eu tivesse que compará-la com algo , eu diria que ela é como o sol. A maior das estrelas. Quando não está , tudo fica sombrio. Quando chega ilumina e alegra a tudo e a todos.
Desejo que esta energia positiva a guie ao alcance de todos os seus sonhos. Eu tenho um amor imenso por ela e as qualidades dela , com certeza , vão muito além do que posso colocar em palaras.
Ela é simplesmente incrível.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Primavera

Hoje começou a estação da Primavera. Começou com um lindo dia de sol, brisa fraca. Que bom se pudesse acreditar que todos os dias desta estação serão como o de hoje. Qualquer um sabe que, o que é menos constante é o tempo. Hoje amanheceu um dia lindo e pode ser que, antes do término do dia, ainda fique nublado e chova. Quem precisa sair cedo para o trabalho , como acontecia comigo, tem que sair preparada para se "descascar". Uma blusinha leve, uma mais grossinha por cima e quem sabe um casaquinho. E, isto acontece em qualquer estação, não apenas na Primavera.
Mas é na Primavera que os parques ficam mais floridos e o canto dos pássaros se faz mais presente. Eu gosto.
Primavera estação das flores e dos enamorados. Tudo bem que as flores brotem na primavera mas para amar não há de se esperar por uma estação. Correto?

terça-feira, setembro 20, 2005

20 DE SETEMBRO

Todo gaúcho deveria ter conhecimento do valor histórico que tem a Revolução Farroupilha para o nosso estado , senão para a nação. Muitos vêem esta data como um dia para ir assistir ao desfile, que este ano teve 11 carros alegóricos, e esquecem de falar para seus filhos o que se celebra...ou não se celebra....
Eu considero da maior importância cultivar as tradições do nosso Estado . Tenho orgulho de ser gaùcha e sempre procurei passar este sentimento para meus filhos.
Quando as crianças eram pequenas e morávamos em Porto Alegre, eu costumava levá-las para assistir ao desfile. Morávamos na Av. Venâncio Aires e o desfile acontecia na João Pessoa. Era só descer do prédio.
Lembro em especial do desfile de 1979. A Patricia ia fazer 1 aninho. Tinha chovido e havia muitas poças d'água. Alessandra, André e Eduardo iam brincando com aquelas "coisas" que acabamos comprando em dias festivos...bandeirinhas, catavento e um macaquinho pedalando uma bicicleta. A Paticia ia empurrando o carrinho dela pois , até aquele momento , ela não caminhava sozinha. Passamos por uma das inumeras poças d'água e a Pat quis ficar por alí. Eu segui em frente forçando o carrinho, que ela empurrava , para frente. Ficamos todos surpresos quando a Pat se soltou e foi , muito faceira e segura caminhando até a água, se abaixou e fez o que queria...molhou as mãos e as mangas da roupinha dela. Daquele momento em diante ninguém mais segurou aquela menina. Ela descobriu a maravilha do andar por conta própria e eu descobri que correr atrás dela não seria uma tarefa fácil ...porém deliciosa.

segunda-feira, setembro 19, 2005

2 filhos de Francisco

Ontem fui assistir à 2 filhos de Francisco. Sala cheia, depois de mais de um mês que o filme está em exibição.
Emocionante a história deste lavrador, do interior de Goiás, que tem por sonho transformar dois de seus filhos em uma dupla sertaneja.
Com certeza foi a sua determinação que fez com que isto acontecesse. Quantos pais , por este nosso país imenso, não cultivam este mesmo sonho e não conseguem realizá-lo.
Mas o filme nos mostra muito mais que a busca do sonho de Francisco. Mostra a realidade das familias brasileiras, da fome e do frio que enfrentam na sua trajetória de vida. Mostra as lágrimas de uma mãe que não tem comida para alimentar seus filhos. O desespero de pais diante da perda de um filho. A tristeza diante de uma doença irreparável.
Nada muda neste país. Não existe um programa social que oriente, auxiliem estas familias. O número de filhos é numeroso. E a fome e a miséria cada vez maiores.
Quem ainda nutre um sentimento de preconceito em relação às produções nacionais e não foi assistir a este filme, eu aconselho que vá. Vale a pena.
Sonhar e, não apenas esperar que o sonho aconteça, mas fazê-lo acontecer é possível. Mas é necessário que se tenha muita fé , vontade e acima de tudo, muito amor.
Do que me compete o cinema brasileiro está de parabéns pela beleza de "2 filhos de Francisco".

sábado, setembro 17, 2005

Sol

Finalmente, depois de tantos dias sombrios , o sol. Não sei por quanto tempo ele vai iluminar o dia já que o número de nuvens é bem significativo. Mas abrir a janela e vê-lo , hoje cedo, já foi reconfortante.
Sol, o grande amigo sol. Grande mesmo, como diz a música-tema do filme "Noviça Rebelde".
Dia ensolarado dá vontade de sair da cama, abrir as janelas, colocar a roupa para secar , cantar...Sim , sol pede música.
E abrir também o coração...porque não?
Comigo acontece assim. Dia iluminado me ilumina. Dias sombrios...um ou dois ,eu supero...Mais que isto... vou me tornando sombria também.
Quem hoje levantou cedo como eu , teve oportunidade de ser beijada pelo sol. Quem ficou até mais tarde na cama talvez já não tenha este previlégio, pois este nosso final de inverno está muito cinzento.
Sol, o grande amigo sol.. Aproveite o calor do sol quem como eu , prefere os dias claros, mas ñunca se esqueçam da proteção necessária para expor-se aos seus raios. Há malefícios que podem ser evitados. Evite-os...por favor.

domingo, setembro 11, 2005

Amizade

Eu tenho por hábito conservar e cultivar, com muito carinho, amizades. Posso dizer , orgulhosamente, que tenho amigas de quatro décadas. Não nos vemos nem nos falamos todos os dias, mas quando temos oportunidade de fazê-lo é como se tivéssemos nos visto a todo momento.
E foi desta forma na última sexta feira ,quando jantei com cinco queridas e maravilhosas amigas. Nós fizemos o curso "Normal' no Instituto de Educação juntas. Èramos adolescentes e , durante três anos e meio , dividimos e partilhamos nossos sonhos.
A vida levou-nos a caminhos diferentes. Eu mesma morei alguns anos em outras cidades, até fora do RS. Mas indepentente dos caminhos seguidos , nós permanecemos fiéis a nossa amizade.
Sempre que nos reunímos é muito, mas muito gratificante. È o meu sentimento que , com certeza absoluta, é também o delas. Conversamos sobre o tempo passado o que sempre nos leva a boas risadas. Fomos uma turma muito unida .
Falamos sobre nossos filhos e filhas. Conversamos sobre trabalho, viagens. Mostramos fotos. Fotos de viagens, de filhos ...Eu mostro fotos também de netos.
Quando nos despedimos a sensação que fica comigo é das melhores possíveis. Não sei quando conseguiremos novamente nos reunir , mas sei que , quando isto acontecer ,eu estarei entre pessoas muito queridas e que têm igual carinho por mim.

domingo, setembro 04, 2005

Bêu

Quase toda criança , quando pequenina, tem uma fraldinha ou cobertor do qual não se afasta.
Dos meus filhos só a Adrianinha, a mais nova, teve este "hábito". Porém ,não era uma fraldinha ou cobertor, era o Bêu.
O Bêu era uma fronha vermelha, com bordados brancos, de um dos meus travesseiros.Na verdade eram duas fronhas, que eu revezava enquanto eram lavadas. Ela não podia ficar sem o Bêu dela. Ficava esfregando os dedinhos na ponta das fronhas deixando-as puídas.
Há um dia que vai ficar para sempre na minha memória. Nós morávamos em Joinvile, numa casa com um terreno muito grande. Chovera muito e , quando fez sol, precisei lavar as duas fronhas. Lavei-as e as estendi no varal ,com esperança que elas secassem antes da Adrianinha acordar. Mas não foi isto que ocorreu. Ela acordou e a primeira coisa que ela veio me pedir foi o Bêu. Ela estava com 2 aninhos e costumava arrastar o travesseiro, que era grande, por onde andava. Eu disse que tinha lavado, mostrei as fronhas no varal e disse que logo elas estariam secas.
Eu nunca vou esquecer aquele dia, porque a Adri ficou o tempo todo perto do varal. Bem embaixo das fronhas. Eu tinha que a todo momento verificar se elas estavam secas. Nada fez com que ela se afastasse. Ficou lá de pé, a cabecinha virada para cima, os olhinhos vigiando o Bêu, que ela descobrira serem dois.
Com o tempo as fronhas foram rasgando. Comprei novas fronhas vermelhas , mas ela não queria.
No final ela largou do Bêu que ,depois de um tempo, descobri guardado em meu armário. Sinal de que eu ,de certa forma, fiquei com a fronha como se guardasse um pedacinho do meu passado. Gesto com certeza desnecessário , já que tenho todas as lembranças gravadas, não apenas na memória , mas no coração.