quarta-feira, agosto 30, 2006

Observando

Eu gosto de observar as pessoas.Inclusive , preciso me policiar para não tornar este hábito em uma mania incoveniente.
Acho o ser humano admirável.Quantas formas de bocas, narizes , corpos enfim...Incrível , realmente incrível.
Hoje cedo, enquanto aguardava atendimento numa Clinica Médica , exercitei minha observäncia. Mães e filhas se parecem. Há quem diga que antes de casar com a filha , deve-se olhar a mãe. Acho que também se aplica aos homens. Mas , toda regra tem exceção. Felizmente para uns, infelizmente para outros.
Se não houver semelhança fisica , a mesma se fará através da postura.Observem...
Màes ou pais corcundas caminham ao lado de filhos corcundas. Quando minhas filhas estavam em crescimento , eu estava sempre chamando-lhes a atenção para a postura das costas. Por vezes , isto as aborrecia. Tenho certeza que devem ser bem agradecidas , quando vëem alguém andando curvado.
Podemos observar familias inteiras que se parecem. Não apenas a mãe com a filha , mas também o pai e o filho. De longe já se percebe que formam uma família.Seja pela semelhança fisica , seja pela postura ou ainda , pela maneira de falar ou sorrir.É a convivëncia.Não somos iguais ,mas podemos nos tornar parecidos por dentro e por fora.
Por tudo isto , considero que os pais tëm que ter muita atenção , não apenas com o que dizem para seus filhos , mas com o próprio comportamento. Sào nossos hábitos e atitudes que educam , muito mais que nossas palavras e conselhos.
Torno a repetir.Há exceções , sempre haverá.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Primeiro amor

O primeiro amor ninguém esquece e , apesar de tantos anos terem se passado, eu não esqueci do meu. Até porque sou de opinião de que sempre devemos guardar, com muito carinho, as boas lembranças.
Dia 30 deste mës, meu primeiro amor estará de aniversário (memória boa).
Época linda .Época em que a inocëncia tinha lugar.
A gente flertava , lançava olhares , dançava nas reuníões dançantes e aguardava o pedido de namoro. Nem sempre se respondia na hora.Podia-se pedir um tempo para pensar...
E assim aconteceu comigo. Flertamos e namoramos durante dois anos.Eu tinha doze anos. Mas a inocëncia era tão grande que era cabível.Pegar na mão só depois de um ano. Beijo ...Lembro que ganhei um na testa no dia dos meus treze anos.
Impossível esquecer um amor tão puro, meigo.
Ele me buscava na saída do colégio e ficávamos conversando em frente do meu prédio.
Aos domingos íamos ao cinema.Mas não íamos só.Tinha que ter o chá de përa. Foi numa tarde de domingo, durante a sessão dupla do cinema Cacique, que ele pegou
pela primeira vez a minha mão. Já estávamos namorando há mais de um ano.Quando as luzes acenderam e nós saímos de mãos entrelaçadas , toda turma , que nos acompanhava bateu palmas. Fiquei corada de tanta vergonha.
Voltávamos para casa de önibus e eu ficava desejando que a viagem nunca acabasse.
Nunca ouve brigas , mentiras ou mágoas.O nosso namoro acabou porque éramos ainda muito crianças. Provavelmente teríamos voltado se...Sempre há um se para atrapalhar as lindas histórias de amor.
Eu tinha uma caixinha de madeira onde guardava as nossas lembranças.Fotografias , fitinhas , flores secas...Gostaria de ainda të-las comigo.Mas , as tenho no coração.
Lamento pelo jovem de hoje , que trata os sentimentos e atitudes com tanta informalidade, tanto descaso.Acabam por não ter um primeiro amor para recordar.
Com certeza foi um período precioso da minha vida .

domingo, agosto 20, 2006

Taça Libertadores

Em 1983 , morávamos em Blumenau , o Gremio ganhou o título de Campeoes da América.Mesmo em Blumenau, a movimentação e festejos foram grandes .
Os meus meninos , como o pai deles , torciam pelo Internacional. Geralmente o que ocorre é isto mesmo.Os filhos pequenos seguem a escolha paterna.
Com a vitória do Grëmio, o Eduardo ( na época com 7 anos ) resolveu ser gremista.
Primeira coisa que me pediu foi uma camiseta do time.Percorri todas lojas da cidade e , com muita dificuldade , encontrei uma regata de adulto.
Ele ficou satisfeito e vestiu , orgulhoso , a camiseta que cobria os seus joelhinhos.
Vestido assim é que ele esperou o pai chegar.Ficou na frente da casa e não foi preciso palavras para a novidade ficar esclarecida. Até mesmo porque nenhum dos dois é de muitas palavras...
Passaram-se 23 anos e chegou a vez do Internacional conquistar o título.Parabenizo todos os Colorados.
E o Edu ...Continua sendo gremista.

Enquanto isso...

Era verão de 1993.
Depois de ter atingido a Patricia , o menino tratou de remar para longe da beira. André , Eduardo e Rafael que perceberam o que estava acontecendo remaram para a praia. O menino acabou surpreendido pelos trës que resolveram dar umas remadas no mesmo.
A familia do menino estava perto de onde estávamos e , claro , assistiu de camarote toda correria e confusão. O menino, juntamente com seu pai , veio falar conosco e disseram que iriam esperar pela Patricia (já a tinham levado para atendimento)para se desculparem.Eu os aconselhei a irem embora pois estavam todos muito nervosos e as desculpas poderiam não ser muito bem aceitas. Não naquele momento.
Posteriormente acabamos nos cruzando em Garobapa , e eles tiveram oportunidade de dizer que lamentavam a brincadeira.Brincadeira inconsequente que acabou privando a Patricia de entrar no mar , durante todo resto de nossas férias.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Susto na praia

Era verão.Talvez 1993.Fomos passar as férias em Garobapa.
Era nosso segundo ou terceiro dia de praia. O programa preferido dos meninos era andar de caiaque. Esperávamos a praia ficar vazia para que eles pudessem se divertir, sem risco de machucar os banhistas.
Debaixo do guarda sol eu conversava com a minha irmã.Conversava mas de olho na Patricia , que estava pegando onda de morey. Ela e a Ana Claudia.
Eu estava aflita pois havia um menino pegando onda (ao invés de remar ) com um caiaque.Pegando onda justo onde elas estavam. Eu fazia sinal para elas se afastarem dele, mas assim que elas se afastavam ele as seguia. Ele estava de brincadeira.
Até comentei que aquilo não iria dar certo.
E, foi assim que aconteceu...Patricia veio numa onda e , quando ela levantou e virou , foi atingida pelo caiaque .Eu gritei chamando a atenção de todos. Paty desapareceu sob a ägua.Todos correram para o mar. Vi quando ela surgiu em meio as ondas, a blusa branca estava vermelha do sangue que escorria da sua cabeça.Meu cunhado alcançou-a e a trouxe para a beira da praia. Lembro que a preocupação dela era comigo. Não queria que eu ficasse assustada.Tarde demais. Eu já estava enlouquecida...Correria completa.
Uma jovem que passeava ali perto , com sua neném, apresentou-se como médica e acompanhou-os para atender a Paty.
Felizmente Patricia ficou bem , mas perdeu todo resto dos dias de férias.Na verdade , o acidente poderia ter sido muito mais grave do que o corte que teve na testa.
O menino que machucou-a , veio se desculpar .Eu tentei explicar-lhe que é necessário que a gente sempre pense na consequëncia de nossos atos.O fato dele não ter tido a intenção , não evitou o acidente.
Assim é em tudo que fazemos ou dizemos.
Nenhum cuidado será em excesso se estivermos evitando de magoar ou machucar alguém.

terça-feira, agosto 15, 2006

Saudade

Certamente não deve existir quem não tenha sofrido ou sofra por saudade.Podemos sentir saudades de alguém , de algo , de uma época...Na minha vida a saudade tem se tornado uma constante . E , o fato dela ser minha velha conhecida ,não torna a convivëncia mais fácil.
Quando a saudade é de alguëm que está distante passamos a contar os dias , semanas , meses.Sabemos que ao término de determinado tempo ela irá embora.Ao menos por alguns dias.
Quando é de alguém que sabemos que não vai retornar, acomodamos a saudade num cantinho do coração.Assim como guardamos , em um canto da casa as coisas das quais não queremos nos desfazer.Da mesma forma esta saudade vai ficando por lá.
Nào curto a saudade de um tempo passado.Acredito que o passado é para ser lembrado , até mesmo comemorado.Porém sentir saudade do passado é querer voltar e eu não creio nesta volta.Nunca será igual.Melhor ter a lembrança.
Pior é a saudade de alguém que está muito próximo mas que se faz ausente.
Dói a saudade de quem partiu.Partida inevitável e necessária porém , repentina.Sem tempo para despedida.
Mas , se por um lado a saudade nos causa sofrimento, por outro lado ela é a prova de que temos vivido momentos que valem as lágrimas derramadas.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Gracinhas

Criança é sempre maravilhosa e tudo que ela faz ou diz achamos uma graçinha.
Dudu tinha uns 4 aninhos . Estávamos na piscina brincando quando ele me olhou e sugeriu que eu deixasse meu cabelo crescer. Com o cabelo comprido tu vais ficar mais bonita e até arranjar um namorado ,foi o que ele disse.
Eu expliquei para ele que eu gostava do meu cabelo assim . Que quando eu era jovem o meu cabelo era bem comprido mas que agora , mais velhinha , não seria tão apropriado.
Ele continuou insistindo. Argumentou que a outra avó tinha namorado pois tinha o cabelo mais bonito.
Dei um tempo e disse para ele que ia seguir o conselho dele. CLaro que com namorado ,eu não iria ter tempo para ficar horas e horas só brincando com ele. Brincando na piscina , jogando canastra , indo ao cinema...Mas se eu ia ficar mais bonita ...
Encerramos o assunto e continuamos com as bricadeiras.
De noite , depois de já termos feito a oração do anjinho da guarda e ele quase adormecera , ele me disse
-Sabe vovó? Deixa o teu cabelo assim , tu até que é bem bonitinha !

domingo, agosto 06, 2006

TIPIE

Eu fiz a escola Normal no Instituto de Educação. Minha formatura foi em 22 de agosto de 1971.
Uma das disciplinas que nós , futuras professoras ,tinhamos era de teatro...o TIPIE. Nossa professora era a Olga Reverbel. Excelente...maravilhosa.
No final de semestre nós tínhamos que apresentar uma peça para as crianças do curso primário ( hj curso fundamental ).
A peça do meu grupo se chamava A bruxinha que era boa. Eram muitas bruxas más , uma muiiiiiito má , um bruxo , um menino e a bruxinha que era boa.Meu papel era do bruxo. Eu fazia o grande bruxo , o chefe das bruxas.
Muitos ensaios , falas bem decoradas . Cenário feito por todas do grupo. Ficávamos envolvidas durante todo o semestre .Lembro que eu esperava pelo dia da aula de teatro com muita ansiedade.
Chegou o dia da nossa apresentação.Ginásio do IE cheio , lotado. Eu vesti calça e camisa preta.Uma capa preta enorme ( não podia faltar )e claro o chapéu. Chapéu de bruxo é sempre essencial.
Eu estava na lateral esquerda do palco aguardando o momento de entrar em cena. Ao meu lado a menina que fazia o Ponto.
Antes de entrar eu deveria dar uma grande gargalhada , anunciando a minha chegada. Pois bem...no momento em que gargalhei a menina do ponto assustou-se e invadiu a cena aos gritos, correndo. Foi muito engraçado.O grito dela desencadeou muitos gritos das crianças. Eu fiquei com muita vontade de rir da situação mas consegui prosseguir com o script . Fiz uma entrada triunfal , abaixo de gritos...
A apresentação foi tão elogiada que fomos convidadas a realizar um espetáculo fora do IE , na ACM.
Eu tinha na época 17 anos.Até hoje eu mantenho contato e amizade com algumas destas colegas.Amigas preciosas.
Um acontecimento pequeno , tão remoto.Mas , já ali , eu estava aprendendo que mesmo quando as coisas não acontecem do modo que planejamos, nós temos que seguir em frente e fazer o melhor possível.
Se o espetáculo não pode parar muito menos a Vida.

segunda-feira, julho 31, 2006

Terra

Recebi um e-mail hoje de uma amiga muito querida.Daquelas amigas que sabem que estamos precisando de um incentivo , de um carinho , mesmo sem confessarmos.
A gente sabe que tem muitos motivos e razões para ser feliz mas , as vezes , uma palavra mal colocada ou um gesto menos gentil faz nossa estrutura balançar. E , vulneráveis , acabamos envolvidos por lembranças e pensamentos que nos trazem tristezas.Ficamos remoendo mágoas passadas ,lamentando por sonhos que nos tiraram e choramos os momentos perdidos. Deixamos rolar por nossos rostos lágrimas por tanto tempo contidas , lágrimas quentes ...
Então chega uma mensagem amiga. Mensagem que me faz lembrar tantos que me amam e que só alegria e prazer me dão...Que me faz lembrar da linda familia que formamos...Que faz lembrar que nada é mais importante que a paz e a tranquilidade...Nada é maior que sabermos que somos dignos e honrados.
Volto a sorrir e guardar no canto mais distante do coração aquilo que me causa dor.Sepulto as lembranças e momentos tristes já que não posso jogá-los fora.Fazem parte da minha história.
Todos temos dias de tristeza.Felizes aqueles que podem resurgir para um novo dia. Felizes os que conseguem seguir em frente sabendo que a terra que nos jogam pode ser o caminho para alcançarmos novos sonhos.
Importante é nunca deixar que a tristeza obscureça a nossa existëncia.Essencial é ter olhos e ouvidos para aqueles que nos amam e merecem nos ver
felizes.

quarta-feira, julho 26, 2006

Avós

Pois é , criaram o Dia dos Avós. Como se algum dia não fosse o dia dos avós , dos pais, das mães...
Alguns falam que ser avó é ser mãe duas vezes. Eu não concordo. Gosto que cada um tenha o seu papel bem determinado. Sou mãe dos meus filhos e amo ser avó dos meus netos.
Um neto nos trás tanta alegria , imagina trës...
O Eduardinho chegou de surpresa na minha vida e se tornou muito especial.
O Pedro é o meu anjinho de cachos dourados.
A Bianca é a minha princesinha.
Sou uma avó muito previlegiada pois tenho uma convivëncia muito próxima com todos eles. Acompanho seus crescimentos e descobertas . Fico triste quando os vejo chorar e fico feliz quando os vejo sorrir.Só mesmo outra avó para saber quanto isto nos faz feliz...participar.
Como avó muitas vezes me falta energia , porém me sobra paciëncia. Como mãe ,jovem , eu tinha mais energia e disposição e menos paciëncia. Gostaria de ter tido mais...Mas minhas atribuições como mãe eram maiores.
Avó brinca , conta histórias , canta , passeia...e também deve acompanhar a educação que os pais desejam para seus filhos.
Como tenho cinco filhos , sei que terei outros netos para embalar e isto é outra razão para olhar para o futuro com otimismo e confiança.
Hoje é o dia dos avós e , tenho orgulho e tranquilidade de poder afirmar que tenho conseguido ser avó todos os dias e não apenas um dia apenas no ano.
Agradeço aos pais dos meus netos que confiam em mim e permitem que eu compartilhe da vida destes meus tesouros. Tesouros que trouxeram um significado novo para meu dia a dia.
Meus filhos cresceram. Quando crianças precisavam de mim. Hoje , eu é que preciso deles...
Através dos meus netos eu continuo a existir...a ser.

segunda-feira, julho 24, 2006

Laranja

Quando a Alessandra estava no prézinho , a professora dela usava as cores verde , laranja e vermelha como conceito nos trabalhinhos das crianças.
Alessandra apesar de ter 5 aninhos já era muito dedicada e caprichosa. Todas suas atividades eram feitas com cuidado e carinho.Todos seus tabalhinhos vinham com o `sinal verde `.
Numa tarde , depois de realizar sua tarefa , ela trouxe para eu ver como estava...Estava bom , mas ela costumava fazer muito melhor. Eu disse isto e ela ficou um pouco aborrecida . Respondeu que estava muito bom . Eu , então lhe disse...`Vais tirar Laranja `. De fato , foi o único Laranja de toda vida escolar dela.
De certa forma ela passou a me achar responsável por aquilo. Ela passou a semana toda sonhando com o trabalhinho. Tendo pesadelos com o sinal laranja. Pior foi quando a professora , depois de uma semana , devolveu o tema e ...lá estava...LARANJA.
Valeu a experiëncia. Nunca mais ela deixou de se esforçar.
Alessandra sempre foi uma aluna exemplar. Na verdade ela é uma pessoa exemplar. Profissional , amiga , filha maravilhosa.
E , agora , uma mãezinha encantadora.

quinta-feira, julho 20, 2006

Dia do Amigo

Dia do Amigo...Semana da Amizade...
As caixas de e-mail ficaram cheias de mensagens sobre a amizade.Mas amigo , amigo mesmo , não se encontra em qualquer esquina.
Há amigos e amigos...vocës hão de concordar comigo.Amigo é aquele que está ao nosso lado em todas as horas.Vibra com nossas conquistas, chora com nossas tristezas. Compartilha de nossos sonhos e torce para que eles aconteçam.Amigo é aquele que dá um telefonema e tenta nos animar quando estamos querendo nos deprimir. Amigo , amigo mesmo , consegue.
Sou uma pessoa muito feliz pois sei que tenho muitos bons amigos.Melhor, tenho muitos amigos já que maus amigos , não são amigos.
Tenho amizades de longa data. Mas longa data mesmo.As vezes ficamos tempo sem nos vermos ,mas quando nos encontramos é como se tivessemos nos visto no dia anterior. A intimidade permanece.
Tenho amizades mais recentes mas tão intensas , que parecem estar comigo desde sempre.
Amizade que é verdadeira não se perde.Não se perde pelo tempo ou pela distäncia. Se perder ou esquecer é porque não era real e , sendo assim , não há o que lastimar. Não se perde o que nunca se teve.Não se chora pelo que não se perdeu.
Amigo...Com certeza é algo para se guardar não apenas no lado direito do peito , mas dentro dele.

domingo, julho 16, 2006

Dias de chuva

Distrair crianças em dias de chuva não era tarefa fácil. Precisava de muita criatividade e paciëncia.
Hoje as crianças tëm muitos canais de TV com uma programação variada.Sem falar no computador e video games.
Meus filhos estavam acostumados a ir , diariamente , para a Redenção ou praça.Quando chovia era dia de inventarmos e reinventarmos brincadeiras que nos deixassem entretidos e felizes.
Os programas de TV eram poucos. Haviam alguns muito bons como Vila Sësamo, Clubinho da Criança ( Alessandra era sócia de carteirinha), Sitio do Pica Pau Amarelo.Mas eram no horário da manhã. O canal 4 era proibido .Ninguem assistia Power Rangers.
Mas eram muitas as brincadeiras...Nós pintávamos , recortávamos.Fazíamos dobraduras. Usávamos os jogos de mesa ( dama, xadrez chinës , dominó ...)
Quando eles iam ficando agitados , aborrecidos , eu precisava de imaginação.
Lembro de uma tarde em que fizemos colares com cascas das laranjas do nosso lanche.Todos com agulhas e linha na mão para ver quem fazia o colar mais comprido.
Outra vez improvisei um escorregador.Foi muito divertido.Coloquei uma porta de armário apoiada na cama e guarda-roupa e eles ficavam deslizando .Difícil foi conseguir colocar a porta de novo no lugar...
O apartamento que morávamos , no edificio Ada , era grande.Eu os puxava , em cima de um cobertor , do quarto até a porta da frente (um de cada vez ).Certa vez o André se ergueu e acabou batendo com a testa na parede...que galo.
Ah...e as barracas feitas com lençóis e cobertores.Muito legal e divertido.
Hoje não brincam mais deste modo.Se avanços tecnológicos ajudam os pais nesta tarefa de entreter os seus filhos , por outro lado criam um afastamento , um acomodamento.
Claro que não podemos ficar no passado .Que adulto não gosta de um video game ou computador? Eu só acho que estas atividades podem ser partilhadas com a criança.
A infäncia é um período tão lindo, tão cheio de descobertas mas passa muito rápido.
Sou feliz porque sei que, assim como eu tenho estes dias na minha memória ,meus filhos tëm estas lembranças nos seus corações...e eu faço parte, para sempre.

segunda-feira, julho 10, 2006

Brincadeiras

Muitas eram as brincadeiras quando as crianças eram pequenas .Se o dia estivesse bonito eu os levava na praça (na Jerönimo de Ornelas esq Santana) ou na Redenção. Eu ia carregada com brinquedos e lanches.Muitas vezes levava as suas bicicletas. Era eu e eles.Alessandra, André e Eduardo. Depois também a Patricia.
Brincávamos na praça de areia que fica perto dos patos. Eu sentava na areia junto com eles e construíamos castelos, estradas , laguinhos e tudo o mais que a imaginação permitisse.Na hora de retornar nos tínhamos um caminho próprio.Passávamos pela àrvore do Tarzan , pelas pontes do Jardim Oriental , pela casa de ferro da bruxa, pelo chafariz perto do Araújo Viana...Muitas vezes eu estendia um cobertor na grama e fazíamos um piquenique. A Pat ficava sentadinha na coberta e eu corria com as crianças brincando de esconder , de pega-pega , mamãe posso ir...Certa vez, no inverno, nós pegamos uma grande folha de palmeira. Um de cada vez sentava sobre a folha e eu os puxava pela grama. Eu tinha 27 anos e muita força e saúde. Era divertido.
Algumas vezes aconteceram acidentes e tive que correr para o Pronto Socorro, como na vez que o André caiu e cortou o queixo.
Retornávamos para casa com a roupa , rostinhos e mãos sujas.Direto para o banho.Janta , e seis horas todos já dormiam. Eles deitavam todos juntinhos na minha cama e eu lhes contava histórias e cantava cantigas de roda e de ninar.Depois que adormeciam eu levava cada um para sua cama.( Adriana ainda não era nascida)
Gostava de estar com eles da mesma forma que gosto de estar com meus netos.Apesar de não ter energia para pular e correr , ainda tenho muita disposição e paciëncia para cantar e contar histórias.
Hoje canto , as mesmas cantigas que cantava para meus filhos , para o Eduardo, Pedro e Bianca...Assim sou feliz.

sábado, julho 08, 2006

Quem já não teve um dia difícil? Pior ainda , quem não teve uma semana ou mës ,mesmo anos difíceis? Com certeza , dificuldades é o que não falta para qualquer um de nós.
Tem dias que levantamos bem.Então uma notícia ,o conhecimento de que alguém a quem amamos não está bem e entristecemos.
Se bastasse o tanto que amamos para resolver os problemas...
Dias difíceis, como já escrevi , não é privilégio de um.Porém a maneira de enfrentarmos as dificuldades é que nos tornam diferentes.
Há situações em que me sinto totalmente impotente e eu só mantenho a calma porque tenho Fé.
Há um ditado que diz que a fé move montanhas. Tantas já foram as dificuldades, tantas já foram as preocupações e não foram poucas as decepções. Se venci a todas elas e sou uma pessoa plenamente feliz é porque nunca desesperei, nunca perdi a fé.
Sei que vai doer, que muito vou chorar .
Mas...vai passar.

quinta-feira, julho 06, 2006

Páginas da Vida

Durante esta semana estão sendo feitas muitas chamadas em cima da nova novela da Globo, Páginas da Vida. Eu nào sou noveleira. Não tenho nada contra .
Meus horários não fecham com os das novelas.Como passo o dia fora de casa, nestes horários eu estou sempre envolvida com os afazeres domésticos ou navegando na internet...rs...rs...
Estou curiosa , entretanto com esta nova novela.
Os assuntos que serão abordados fazem parte do nosso dia a dia.Algum deles, ao menos um , com certeza , já foi protagonizado por nós.
Elenco bom , da pesada. Grandes nomes televisivos.
Estou curiosa .Espero que o autor , carinhosamente chamado Maneco, dë um desenrolar e desfecho reais. Estou até me propondo a acompanhar os primeiros capitulos e ver se a arte saberá , de fato , imitar a vida.

domingo, junho 25, 2006

Que raio!

Aconteceu há mais de 20 anos e foi manchete dos jornais. Um raio caiu bem na cúpula da Catedral Metropolitana , em Porto Alegre , durante a madrugada. Foi um estrondo que se ouviu á grande distäncia .
Nós , na ocasião , morávamos na escadaria da rua Borges de Medeiros , esquina com a Duque de Caxias. Morávamos muito próximos á Catedral.
O que foi manchete foi o raio , não o que se passou no nosso apartamento.
Acordamos, não sei se com o barulho estrondoso do raio ou , com os gritos alucinados da Patricia.Ela devia ter 7 aninhos.Lembro de estarmos todos , quase ao mesmo tempo , junto á cama dela.Ela estava de pé sobre a cama e gritava agitando os braços , olhinhos fechados. No meio da madrugada se leva um tempo para entender o que se passa.Não dava para saber o que acontecera primeiro , os gritos dela ou aquele estouro enorme. A confusão era total. Não havia jeito de acordá-la , tirá-la daquele frenesi.Ela pulava , gritava e nós também acabamos fazendo bastante gritaria tentando acalmá-la.Imagina a situação. Ela estava histérica e nós , provavelmente , só estávamos assustando-a mais ainda.
Finalmente , deixei a psicologia de lado , e agarrando-a pelos braços dei-lhe umas boas sacudidas. Foram boas mesmo pois , surtiram efeito. Meus filhos dizem , quando relembramos este episódio ,que na verdade eu enchi o rostinho dela de tapas. Mas nào foi não. Foram sacudidelas.Fortes sacudidelas.
Bem... Se ela não parasse , eu teria mesmo que partir para os tapas no rosto , como se vë nas telas de cinema.

sábado, junho 24, 2006

Perder o chão

Há poucos dias atrás ouvi alguém dizer que haviam lhe tirado o chão de sob os pés.
Geralmente se diz isto diante de uma situação delicada, diante de uma grande decepção. Se a perda ,seja pessoal ou profissional , for verdadeiramente grande o que estará sendo tirado de nós será muito mais que o chão. Poderemos estar perdendo também a estrutura , as ilusões , nossos sonhos e fantasias.
As pessoas dizem que não é nada , que o tempo cura tudo.Mas o que fazer quando o nada é tudo e o tempo custa a passar? Como continuar nossa caminhada se nossos pés não tëm onde se firmar?Como continuar se sentimos nossa mente e corações vazios?
Ë difícil.Mas é necessário prosseguir.
Eu diria o seguinte...`Tenha fé. Pense no que ficou e esqueça o que foi perdido`.
Se não temos onde calcar os pés, estendamos as mãos.Sempre haverá algo ou alguém em que poderemos nos amparar.
Se uma porta se fechou , vamos abrir novas portas.Não devemos jamais fechar o coração.
Parece impossível porém eu sei que é possível.
O tempo acaba passando e com ele a dor.
Se formos fortes , se nunca deixarmos de acreditar em nós mesmas , conseguiremos fazer surgir da dor , do sofrimento uma nova pessoa com capacidades e belezas que mantinhamos adormecidas.

quarta-feira, junho 21, 2006

Meus queridos

Há algum tempo atrás , sempre que eu via um casal maduro passeando de mãos dadas , eu ficava imaginando a sua caminhada.
Hoje já tenho um pensamento diferente.Hoje eu me indago se a história deles começou junto ou se formaram um desvio ...
Mas , não me julguem cética.Tenho fé na relação de meus filhos e conheço muitos casais que mantém uma relação de amor e respeito por todo o sempre.
Para citar apenas um, que é muito próximo a mim ,e pelo qual tenho uma estima enorme,a minha irmã Cristina e meu cunhado.
Eles já completaram 37 anos de casados. Nenhum casamento se sustenta por ser um mar de tranquilidade.Todos nós sabemos que na nossa trajetória de vida as dificuldades e preocupações ocupam um grande espaço.Um casamento , como o deles , se apoia e fortalece no amor e no respeito. E , por que não dizer , na coragem . Coragem para criar os filhos , dá-lhes sustento e educação. Coragem de abrir mão , todo dia , dos seus sonhos para ver os dos outros realizados.Coragem para enfrentar os momentos mais difíceis estendendo a mão para o companheiro.
Não basta a força de um se o outro não quiser compartilhar.Casamento é isto.Ë enfrentar as horas mais duras , trocando forças , gerando amor.
Triste, muito triste quando após tanta luta , pela covardia de um , acabamos morrendo na praia.
Eu os admiro muito.Sempre tiveram espaço nas suas vidas para todos nós.Eu mesma contei sempre com o auxilio silencioso de minha querida irmã.Ela sempre comenta que não lembra o que eu sempre tento tanto agradecer.Mas é assim mesmo.As pessoas boas esquecem a mão que nos estendem.Eu jamais vou esquecer as vezes que ela amenizou minhas angustias com gestos simples mas importantes, fundamentais.
Gosto de pensar que muitos casais que caminham de mãos dadas, tëm como eles , uma bonita história sendo escrita desde o princípio.
Todo o meu amor e respeito para eles que , sem dúvida , são exemplo de uma vida conquistada dia a dia.

quinta-feira, junho 15, 2006

Tesourinha

Era uma tarde linda de domingo .Muito sol e todos aproveitando o espaço maravilhoso , que o Clube Ginástica de Novo Hamburgo oferecia a seus associados.
Todos, menos a Adrianinha.Ela ficava sentadinha no banco comigo.
Eu a ficava incentivando a ir brincar , correr com as outras crianças.
Havia uma pista circular onde as pessoas faziam caminhadas ou corridas. No centro um grande gramado.
Observei que pequenos pássaros voavam por ali , bem baixinho.
Falei para a Adrianinha se aproximar dos passarinhos. Para ela ir olhar de perto como eles eram bonitinhos. Ela relutou , relutou até que foi, correndo.
Na verdade, eram filhotinhos de Tesourinha. Adriana correu exatamente na direção do ninho deles.
Foi muito rápido.Conforme ela corria, o Tesourinha voava na direção dela.Levantei do banco onde estava sentada e comecei a correr.Queria desesperadamente alcançar minha filha antes do pássaro. O pássaro já passara perto dela e retornava. Eu corria e gritava tentando alertá-la. Ela olhava para trás e não entendia o que estava acontecendo. Devia pensar que eu insistira tanto para ela ir brincar e agora gritava para ela voltar.
Enquanto isto eu já tinha chamado a atenção de todos. Felizmente alguém , que estava mais perto da Adri , pegou-a e correu com ela, debaixo do braço, para longe do ninho do pássaro.
Lembro dos seus olhinhos cheios de lágrimas me olhando...que aperto no coração.
Eu acreditava que ela estaria aproveitando mais a tarde se ela estivesse brincando com as outras crianças. Como eu estava errada.Acreditava que ela era envergonhada ( era um pouquinho)quando na verdade , ela só queria ficar pertinho de mim.
Hoje eu sei que ela não ia brincar porque era muito mais gostoso ficar ao meu lado.
Naquele dia , eu e o Tesourinha cometemos um engano .O Tesourinha fazendo seu ninho num lugar inadequado e eu afastando minha filhotinha do meu aconchego.Mas ,nós dois fomos rápidos na hora de protegë-los porque mãe é mãe , em qualquer espécie.