domingo, junho 25, 2006

Que raio!

Aconteceu há mais de 20 anos e foi manchete dos jornais. Um raio caiu bem na cúpula da Catedral Metropolitana , em Porto Alegre , durante a madrugada. Foi um estrondo que se ouviu á grande distäncia .
Nós , na ocasião , morávamos na escadaria da rua Borges de Medeiros , esquina com a Duque de Caxias. Morávamos muito próximos á Catedral.
O que foi manchete foi o raio , não o que se passou no nosso apartamento.
Acordamos, não sei se com o barulho estrondoso do raio ou , com os gritos alucinados da Patricia.Ela devia ter 7 aninhos.Lembro de estarmos todos , quase ao mesmo tempo , junto á cama dela.Ela estava de pé sobre a cama e gritava agitando os braços , olhinhos fechados. No meio da madrugada se leva um tempo para entender o que se passa.Não dava para saber o que acontecera primeiro , os gritos dela ou aquele estouro enorme. A confusão era total. Não havia jeito de acordá-la , tirá-la daquele frenesi.Ela pulava , gritava e nós também acabamos fazendo bastante gritaria tentando acalmá-la.Imagina a situação. Ela estava histérica e nós , provavelmente , só estávamos assustando-a mais ainda.
Finalmente , deixei a psicologia de lado , e agarrando-a pelos braços dei-lhe umas boas sacudidas. Foram boas mesmo pois , surtiram efeito. Meus filhos dizem , quando relembramos este episódio ,que na verdade eu enchi o rostinho dela de tapas. Mas nào foi não. Foram sacudidelas.Fortes sacudidelas.
Bem... Se ela não parasse , eu teria mesmo que partir para os tapas no rosto , como se vë nas telas de cinema.

sábado, junho 24, 2006

Perder o chão

Há poucos dias atrás ouvi alguém dizer que haviam lhe tirado o chão de sob os pés.
Geralmente se diz isto diante de uma situação delicada, diante de uma grande decepção. Se a perda ,seja pessoal ou profissional , for verdadeiramente grande o que estará sendo tirado de nós será muito mais que o chão. Poderemos estar perdendo também a estrutura , as ilusões , nossos sonhos e fantasias.
As pessoas dizem que não é nada , que o tempo cura tudo.Mas o que fazer quando o nada é tudo e o tempo custa a passar? Como continuar nossa caminhada se nossos pés não tëm onde se firmar?Como continuar se sentimos nossa mente e corações vazios?
Ë difícil.Mas é necessário prosseguir.
Eu diria o seguinte...`Tenha fé. Pense no que ficou e esqueça o que foi perdido`.
Se não temos onde calcar os pés, estendamos as mãos.Sempre haverá algo ou alguém em que poderemos nos amparar.
Se uma porta se fechou , vamos abrir novas portas.Não devemos jamais fechar o coração.
Parece impossível porém eu sei que é possível.
O tempo acaba passando e com ele a dor.
Se formos fortes , se nunca deixarmos de acreditar em nós mesmas , conseguiremos fazer surgir da dor , do sofrimento uma nova pessoa com capacidades e belezas que mantinhamos adormecidas.

quarta-feira, junho 21, 2006

Meus queridos

Há algum tempo atrás , sempre que eu via um casal maduro passeando de mãos dadas , eu ficava imaginando a sua caminhada.
Hoje já tenho um pensamento diferente.Hoje eu me indago se a história deles começou junto ou se formaram um desvio ...
Mas , não me julguem cética.Tenho fé na relação de meus filhos e conheço muitos casais que mantém uma relação de amor e respeito por todo o sempre.
Para citar apenas um, que é muito próximo a mim ,e pelo qual tenho uma estima enorme,a minha irmã Cristina e meu cunhado.
Eles já completaram 37 anos de casados. Nenhum casamento se sustenta por ser um mar de tranquilidade.Todos nós sabemos que na nossa trajetória de vida as dificuldades e preocupações ocupam um grande espaço.Um casamento , como o deles , se apoia e fortalece no amor e no respeito. E , por que não dizer , na coragem . Coragem para criar os filhos , dá-lhes sustento e educação. Coragem de abrir mão , todo dia , dos seus sonhos para ver os dos outros realizados.Coragem para enfrentar os momentos mais difíceis estendendo a mão para o companheiro.
Não basta a força de um se o outro não quiser compartilhar.Casamento é isto.Ë enfrentar as horas mais duras , trocando forças , gerando amor.
Triste, muito triste quando após tanta luta , pela covardia de um , acabamos morrendo na praia.
Eu os admiro muito.Sempre tiveram espaço nas suas vidas para todos nós.Eu mesma contei sempre com o auxilio silencioso de minha querida irmã.Ela sempre comenta que não lembra o que eu sempre tento tanto agradecer.Mas é assim mesmo.As pessoas boas esquecem a mão que nos estendem.Eu jamais vou esquecer as vezes que ela amenizou minhas angustias com gestos simples mas importantes, fundamentais.
Gosto de pensar que muitos casais que caminham de mãos dadas, tëm como eles , uma bonita história sendo escrita desde o princípio.
Todo o meu amor e respeito para eles que , sem dúvida , são exemplo de uma vida conquistada dia a dia.

quinta-feira, junho 15, 2006

Tesourinha

Era uma tarde linda de domingo .Muito sol e todos aproveitando o espaço maravilhoso , que o Clube Ginástica de Novo Hamburgo oferecia a seus associados.
Todos, menos a Adrianinha.Ela ficava sentadinha no banco comigo.
Eu a ficava incentivando a ir brincar , correr com as outras crianças.
Havia uma pista circular onde as pessoas faziam caminhadas ou corridas. No centro um grande gramado.
Observei que pequenos pássaros voavam por ali , bem baixinho.
Falei para a Adrianinha se aproximar dos passarinhos. Para ela ir olhar de perto como eles eram bonitinhos. Ela relutou , relutou até que foi, correndo.
Na verdade, eram filhotinhos de Tesourinha. Adriana correu exatamente na direção do ninho deles.
Foi muito rápido.Conforme ela corria, o Tesourinha voava na direção dela.Levantei do banco onde estava sentada e comecei a correr.Queria desesperadamente alcançar minha filha antes do pássaro. O pássaro já passara perto dela e retornava. Eu corria e gritava tentando alertá-la. Ela olhava para trás e não entendia o que estava acontecendo. Devia pensar que eu insistira tanto para ela ir brincar e agora gritava para ela voltar.
Enquanto isto eu já tinha chamado a atenção de todos. Felizmente alguém , que estava mais perto da Adri , pegou-a e correu com ela, debaixo do braço, para longe do ninho do pássaro.
Lembro dos seus olhinhos cheios de lágrimas me olhando...que aperto no coração.
Eu acreditava que ela estaria aproveitando mais a tarde se ela estivesse brincando com as outras crianças. Como eu estava errada.Acreditava que ela era envergonhada ( era um pouquinho)quando na verdade , ela só queria ficar pertinho de mim.
Hoje eu sei que ela não ia brincar porque era muito mais gostoso ficar ao meu lado.
Naquele dia , eu e o Tesourinha cometemos um engano .O Tesourinha fazendo seu ninho num lugar inadequado e eu afastando minha filhotinha do meu aconchego.Mas ,nós dois fomos rápidos na hora de protegë-los porque mãe é mãe , em qualquer espécie.

terça-feira, junho 13, 2006

Como gosto!

Há muitas coisas que me são prazerosas e que dão um colorido todo especial a minha vida.
Coisas que podem parecer simples ou até sem importäncia , mas que fazem meu coração ficar sorrindo...sorrindo.
Gosto de conversar no msn com a Adriana.Participar da vida dela e do Carlos através da leitura dos seus blogs.Olhar para seus rostos iluminados nas fotos que a Adri edita.
Gosto do modo como a Alessandra me chama de `maezinha`.
Gosto do abraço apertado do André .Abraço comprido pois a saudade dele sempre é grande.
Gosto dos telefonemas da Patricia.Liga para dizer que me ama. Para saber se estou bem.( e moramos juntas...)
Gosto do jeito amoroso que o Eduardo me joga um beijo. Do carinho dele me chamando para jantar.( ele cozinha muito bem).
Amo de paixão conversar com meu neto Pedro.Gosto de ouvi-lo contar as coisas que fez na escolinha.Cada dia me encanto mais com sua expressividade. Ele é muito lindo.
Gosto de fazer um programa especial com meu neto Eduardo.Ir ao cinema ,férias na praia, ler a revista Recreio juntos enquanto comemos um lanche do Mc. Fico feliz em saber que ele terá para sempre com ele , lembranças do que partilhamos juntos.Gosto de saber que faço diferença na vida dele .
Aprecio as manhãs e tardes que passo com minha princesinha Bianca. Participar das suas descobertas, fazer parte de seu mundinho.Gosto de të-la aconchegada junto á mim.Sentir seu coraçãozinho batendo junto ao meu enquanto tira um soninho.
Gosto da oportunidade de poder cantar , brincar e contar histórias para os meus netos , da mesma maneira como fiz com meus filhos.
Gosto de ter com meus genros e noras uma relação de carinho.
Gosto de navegar na internet , ler meus e-mails, procurar e fazer amigos no orkut.
Gosto das reuniões de familia .Gosto de saber que posso contar com todos eles , a qualquer momento.
Gosto de ter minha querida mãe com saúde , bom humor e alegria.
E, é claro , gosto de saber que muitos encontram tempo e lëem as palavras que aqui escrevo e que dizem muito de mim.
Sào infinitas coisas das quais gosto e que pincelam a minha vida fazendo-a tão especial.
Lamento por aqueles que não tëm olhos para apreciar e reconhecer , que é em pequenas coisas que encontramos o maior motivo pra amar e ser feliz.

segunda-feira, junho 12, 2006

Saudosismo

Eu sou uma pessoa que nunca desejou voltar no tempo, pois acredito que se ficarmos desejando reviver coisas passadas estaremos deixando de viver o momento. Desta forma , sempre estaremos querendo voltar para viver o que acabamos não vivendo.Complicado...mas simples.
Aproveitei , dentro dos valores e critérios que eu tinha , cada etapa da minha vida.
Mas , sinto saudades...muitas saudades.
Saudades do tempo que, á noite , eu levantava para ver se meus filhos estavam bem aquecidos debaixo das cobertas.
Saudades das brincadeiras no Parque da Redenção.
Saudades dos meus cinco filhos indo pela manhã para a minha cama onde ficávamos brincando e conversando.
Saudades dos banhos de chuva que tomávamos em Blumenau.Eu , os cinco e o Sheik.(Muito tempo depois , fiquei sabendo que um vizinho costumava ir para a janela para nos ver correndo na chuva).
Saudades das viagens de carro em que eu vinha contando histórias que eu lera.Muitas vezes livros que algum deles tinha que ler para a escola.Eu lia para podermos discutir á respeito.
Saudades da viagem em que levamos os passarinhos , o cachorro e ao Hamster do André.O Hamster fugiu da gaiola e foi uma gritaria.
As festas de 15 anos das meninas , as formaturas , comunhões , casamentos...
Saudades da voz do André , caminhando de um lado para outro , enquanto estudava para a prova de residëncia.
Saudades da linda árvore que eu tinha em frente a minha casa.Era confortador olhar pela janela e ver seus enormes galhos e as lindas flores amarelas.
Saudades da Adrianinha ...muitas saudades.Saudades de abraça-la.
Saudades do tempo em que eu ia até o YAZIGi para deixar o carro para ela.Saudades de quando voltavamos juntas batendo um papo gostoso.
Saudades das festas de Ano Novo com minhas amadas irmãs.( Hj passamos apenas o Natal juntas)
Saudades das conversas com os professores na hora do recreio.
Saudades dos meus pequenos aluninhos.
Saudades do cheiro do café passado domingo pela manhã..do café na cama.
Se sou tão feliz é porque tenho coisas boas para lembrar.São tantas as coisas boas que as tristes deixam de ter importancia, somem no meio das lembranças maravilhosas que formam a minha trajetória de vida.

domingo, maio 28, 2006

Adriana e Carlos

Amanhä o Carlos , meu genro , estará completando 25 anos.Jovem , muito jovem mas com uma bagagem cultural fabulosa. Extremamente inteligente.Sua mäe, minha querida amiga Norma, sempre fala com orgulho que com trës anos ele já estava alfabetizado. Criamos os filhos para o mundo e a Norma cumpriu muito bem a sua missáo de mäe.Oportunizando...abnegando.
Adriana trouxe o Carlos para o nosso convívio e hoje os dois constroem sua história de vida com muito amor. A distäncia enorme que nos separa fisicamente näo é suficiente para të-los fora de nossas vidas.Continuamos sendo uma familia.Familia saudosa , mas muito orgulhosa.
Escrever sobre a inteligëncia dele seria ser repetitiva.Todos sempre se referem a isto.
Quero falar sobre um rapaz que atrás de um olhar sério tem muita ternura e afeto.
Quero , principalmente, dizer que tenho um carinho muito grande por este grande homem que muito mais que uma brilhante cabeça tem um grande coraçáo.

sábado, maio 27, 2006

FOGOOOOOOO !!!

Veräo de 1977. Estava em Torres com as crianças.Alessandra 3 aninhos,André 2 aninhos e Eduardo com 1 aninho.
A casa em que ficamos , para entenderem a situaçäo , tinha as peças dispostas de forma pararela (cozinha, sala e quartos ).
Era noite e as crianças dormiam no meu quarto.
Na sala eu jogava cartas com minha mäe, minha irmä Rosana ( na época com 16 anos) e minha tia Neli. Os homens estavam todos em Porto Alegre.
Minha mäe levara a Maria , senhora que trabalhava para ela.
Entäo, ouvimos a Maria gritar...FOGOOOOOOOOOO !!!!!! Ela gritou e correu para a rua levando com ela o seu `radinho`de pilhas.
Vimos que realmente havia labaredas vindo da cozinha ( o fio da geladeira incendiara á partir de um curto circuíto).
Imediatamente minha mäe, tia e irmä sairam para a rua. Rosana , minha irmä , correu até a casa da Cris ,minha outra irmä, para pedir ajuda. Ninguém sabia onde era a caixa da chave de luz...gritaria e correria.
Enquanto isto...
Corri para meu quarto para pegar as crianças que dormiam.Eram trës e eu com dois braços. Uma coisa era certa ...eu só sairia da casa com os trës.Gritei pedindo ajuda mas ninguém atendeu. Consegui acordar a Alessandrinha que era maior , e peguei os meninos no colo. Sentindo a mäozinha da Ale segurando firme na minha roupa eu saí da casa.
A chave geral foi desligada e o fogo cessou.
Lembro que eu fiquei inconformada por ninguém ter lembrado de me ajudar com meus pequeninhos.
Foi um susto muito grande.Tudo aconteceu muito rápido.
Eu , durante todo tempo , tinha uma certeza. Meus filhos sairiam dali juntos.Jamais eu deixaria para trás um deles.
Os filhos gostam de dizer que temos o preferido.Eu sempre digo que o relacionamento pode ser diferente mas amor que sempre tive por eles , jamais.Amor näo se reparte entre os filhos , se multiplica.
Sempre me desdobrei para dar á eles todo amor e atençäo que lhes era de direito.Sempre fiz isto com muito carinho e prazer pois sempre foram meu bem mais precioso.

sexta-feira, maio 19, 2006

Tati Bi Tati

Quando criança , bem pequeninha mesmo , eu tinha dificuldade na pronúncia de algumas letras , era o Tati Bi Tati.
Recordo do meu pai fazendo-me repetir as palavras enquanto me colocava os sapatos. Morávamos na rua Hoffman. Ele, pacientemente , mandava que eu repetisse ;ônibus..e eu falava ombus. Felizmente , meu amado pai , teve êxito. Demorou só um pouquinho.Demorou o tempo de fazerem muita graça com isto.
Bastava eu entrar no banheiro para alguém bater na porta para ouvir-me dizer;"Não posso abrir, tô nula sem salsa".
Esta minha dificuldade era vista com graça pelas pessoas , que faziam-me ficar falando e falando....E todos riam , riam muito.Quanta terapia seria necessária se isto fosse nos dias atuais.
Havia uma história , em particular, que todos apreciavam ouvir-me contar.
Eu , inocente , contava bem faceira.
Eu devia ter menos de 4 anos. Estávamos indo , logo após o natal, para Torres. Imaginem o que era a estrada há meio século atrás. Bah...escrevendo assim , senti-me muito idosa.
Ìamos com o tio Rui. Ele tinha uma caminhonete, tipo Ford , com uma cabine e carroceria coberta com lona (assim que lembro). Na cabine iam meu tio , meu pai e minha avó .Minha mãe ia comigo, minha irmã Cristina e meus primos, na carroceria. Nós e a bagagem. Eu ganhara , de natal, um vestidinho . Eu gostara tanto dele que não deixei mamãe colocá-lo na mala. Não queria que amassasse. Pendurei-o perto de mim.Durante a viagem , o motor começou a pegar fogo. Meu pai tirou-nos da caminhonete , colocou-nos fora da estrada e providenciou em apagar o fogo.
Passado o susto retornamos. Mas , onde estava meu vestidinho ? Meu pai o usara para abafar o fogo. Que tristeza. Eu nunca iria usar meu lindo vestidinho.
Porque esta história tornou-se interessante ? Porque eu era Tati Bi Tati..
Ao invés do G eu falava o D. Então ficava assim: "Era um fodo muito grande , um fodaréu , um fodão enorme"."Todo mundo correu do fodo".
Quando maiorzinha eu entendi qual a graça e não achei mais tão engraçado.Parece-me que eu era um tanto tolinha.
Sempre tive muito cuidado , como mãe e também como professora ,de jamais expôr meus filhos ou alunos a situações que pudessem constrangê-los.Sei que não havia maldade mas , convenhamos , não era "politicamente" correto.

terça-feira, maio 16, 2006

Ser feliz...tem que querer

Na semana passada, assisti no programa da Adriane Galisteu , uma entrevista com Cauê. Cauê tem 23 anos e aos 18 perdeu as duas pernas num acidente ferroviário.
Rapaz simpático e , apesar de tudo , saudável. A mente nos faz saudáveis.
Cauê pratica natação, ciclismo e surfe. O surfe ele faz de joelhos , pois disse que equilibrar-se na prancha e nas próteses seria um esforço muito grande e desnecessário.
Várias perguntas foram feitas pela platéia e ele respondeu com desembaraço , mesmo as mais íntimas.Quando perguntado sobre ser feliz , respondeu que que é mais feliz hoje do que era antes do acidente.
Eu entendo o que ele quis dizer.È lógico que não foi a tragédia que o tornou feliz.Ele hoje é feliz porque foi capaz de , num momento triste e desesperador , encontrar dentro dele forças para continuar e fazer do fato de estar vivo, motivo de felicidade.
Muitas pessoas , diante de alguma perda , se escondem dentro de si mesmas, fogem da vida.Não aceitam o fato de que sua vida , tão perfeita , foi abalada por algo que lhes tira o chão , a estrutura.Diante disto passam a lamentar-se. Tornam-se pessoas amargas e trazem tristeza para aqueles que as amam.
Mas se usarmos a nossa dor como ferramenta de luta ,como fez o Cauê , certamente
seremos mais felizes.
Olhar para frente, valorizar o que ficou nos dá oportunidade de descobrir facetas e capacidades nossas que estavam adormecidas.Podemos sim, depois de uma experiência negativa , sermos mais capazes e felizes.
Concordo com o Cauê ,para ser feliz... basta querer.

quinta-feira, maio 11, 2006

Bombinhas de São João

Era o mès de junho. Meus tios haviam se mudado para a rua Olavo Bilac.
Eu tinha uns onze anos.Cau deveria estar com uns 8 e Silvinho com 7 aninhos.
Era noite. Minha màe tinha ido ver minha tia que ganhara neném e voltara do hospital por aqueles dias.
Descemos para brincar na calçada acompanhadas pela Mari Otilia. Muitas foram as recomendaçòes. Nào brincar com bombinhas e nào fazer travessuras pois minha tia precisava descansar.
Se as crianças ouvissem seus pais , muitos acidentes seriam evitados.
Descemos...e levávamos bombinhas...e fósforos. Jogamos uma , outra... Certamente nào estava interessante pois eu tive a idéia de colocar uma bombinha dentro de uma lata.
Pois foi o que fizemos. Se me recordo bem eu que tive a idéia quando encontrei uma lata jogada no meio fio da calçada. Detalhe importante...a lata era de IsaRaz(solvente).
Foi um estrondooooo...A lata explodiu e deixou o Cau com a camisa em chamas. Camisa volta-ao-mundo.(quem é daquele tempo lembra...super inflamável).
Deus protege as criancinhas sem juízo... Cau ficou apenas sem a camisa e os cílios.Ele tinha uns cílios enormes.Nenhuma queimadura grave. Chamamos a atençào de toda vizinhança.
Subímos para o apartamento e conversamos muito. Queríamos esconder a travessura mas acabamos contando. Nào lembro se foi voluntariamente ou sobre pressào. Também nào recordo se sofremos algum castigo.Mas recordo que eu fiquei muito envergonhada , pois era mais velha e tinha colocado em risco meus primos.
Hoje fico pensando que eu deveria ser meia `lerda` das idéias.Criança é assim mesmo.Por isso é criança.Age mais por impulso , sem pensar.
Crescemos e ficamos mais responsáveis, felizmente.
Mas era divertido...muito divertido.

Meu querido amigo Cau

Ontem eu estava sem sono e resolvi pesquisar no Orkut. Surpresa boa. Encontrei o Cau.Atualmente ele mora no Rio de Janeiro , por isso o distanciamento.Eu e Cau somos primos em primeiro grau.Devo ter 2 ou 3 anos a mais que ele. Quando crianças morávamos perto e protagonizamos juntos algumas aventuras.Inclusive passávamos as férias de verão juntos.
Lembrei-me de duas em particular.
Eu estava com 9 anos , então o Cau deveria ter seus 6 aninhos. Morávamos no mesmo prédio e naquela noite meus tios foram ao cinema e o Cau e seus 2 irmãos menores ficaram com a empregada , a Mari Otilia ( que tinha menos de 15 anos).
Eu e minha irmã subimos para o apartamento deles para assistir televisão.
Morávamos no andar térreo e eles no segundo andar.
Meus pais tinham ido visitar minha avó que morava , com outros tios meus, na mesma rua. Morávamos todos na rua Laurindo , na Cidade Baixa.
Nós costumávamos brincar de MANDRAKE ( STOP ).Eu dei Mandrake para o Cau que deveria , conforme a brincadeira , ficar imóvel. Como ele não fez isto ,eu fui até ele e dei trës soquinhos no braço dele. Ele ficou aborrecido , não estava certamente com vontade de brincar , e veio me devolver os soquinhos. Eu ergui o braço e ele acertou o meu pulso esquerdo. Nada demais se não fosse o fato de ele estar com uma gilete na mão. Ui...dá arrepio.
O que ele fazia com uma gilete na mão? Raspava uma vela...!!!
Imediatamente o meu pulso começou a jorrar muito sangue. Lembro que segurei o braço com a máo direita e sai correndo, aos berros , até o prédio da minha avó. Eram umas 9 horas da noite. Fiquei literalmente berrando na porta do prédio. Meus pais e tios surgiram aflitos pela maneira que eu gritava. Ficaram assustados quando me viram. Meu pai levou-me para o banheiro onde rasgou uma toalha que enrolou no meu pulso. Enquanto isto meu tio já chegava com um táxi. Naquela época tinha que se buscar o táxi no ponto.
Resultado...quatro pontos e uma cicatriz , bem charmosa , no pulso.
Enquanto isto no apartamento dizem que o Cau passava mal e o Silvinho chorava , porque achava que o Cau poderia ir preso.
Isto nào abalou nossa amizade. O que aconteceu não foi proposital.Ëramos crianças boas e sem maldade , embora um pouco inconsequentes como perceberão na minha próxima história.
Aguardem...Bombinhas de Sào João

terça-feira, maio 02, 2006

Viagens

No final de semana passado fomos para Gramado. Nossa idéia era viajar pela tarde porém , quando saímos de Viamão já era quase 19 horas. Noite fechada e muito movimento.Esta viagem me trouxe algumas recordações.
Quando as crianças eram pequenas nós viajávamos durante a noite , até que passamos por uma experiëncia muito desagrádavel. Morávamos em Blumenau e estávamos vindo passar o natal em Porto Alegre.Era a época em que se fazia racionamento de gasolina. Sábado e domingo os postos fechavam. Saímos de Blumenau numa sexta feira ä noite. Pretendíamos completar o tanque antes das 22 horas , hora em que os postos fechavam , para ter combustível suficiente para chegar ao nosso destino. Entretanto, fomos surpreendidos por uma grande tormenta. Lembro da angustia de ver um carro sendo arrastado para o acostamento...Seguimos atrás de um caminhão e com muita sorte alcançamos um posto de gasolina. Muitos motoristas já haviam parado e se abrigado sob o posto. Nós estacionamos em frente ao restaurante que, aquela hora e pela situação do tempo , estava fechado. Não se tinha nenhuma visibilidade .Ficamos ali estacionados durante toda noite. Não abastecemos...
Imaginem a situação. Passar uma noite, mais de 8 horas dentro de um carro (um Passat ), debaixo de muita chuva com cinco crianças pequenas. Alessandra tinha 9 anos , André 8 anos, Eduardo 7 anos , Patrícia 4 anos e Adrianinha ainda nào
completara 2 aninhos.
Quando amanheceu a chuva já passara e vimos que no outro lado da estrada havia um balneário e hotéis. Seguimos viagem e tivemos a certeza de que ficar a noite parados foi a coisa certa. Trechos inteiros da estrada haviam sumido.
Conseguimos , com o combustível que tínhamos, chegar em Ararangua.
Entramos no restaurante Becker para tomar café e pensar como resolver o problema da gasolina.Conversávamos quando um rapaz que escutara nossa conversa ofereceu combustivel de uma empresa de transporte. Bastou atravessar a rua e enchemos o tanque. Não foi só coincidëncia ou sorte.
Chegamos em Porto Alegre. Cansados mas felizes.
Depois disto sempre evitamos viajar durante á noite.

terça-feira, abril 25, 2006

Quando era criança eu costumava brincar na calçada do prédio em que morávamos. Eu e minhas amigas estendíamos uma coberta no chão , e alí colocávamos nossas bonecas . Brincávamos sem preocupação alguma. Nem o olhar vigilante de nossas mães se fazia necessário.
Não tínhamos grades, nem porteiro eletrönico, nem guardas noturnos.
Brincadeiras de roda , cabra-cega , meia lua , mamãe posso ir , esconde-esconde, pega-pega...Brincadeiras inocentes , crianças felizes.
Minha mãe permitia que eu brincasse na rua , andasse de bicicleta ao redor da quadra. Eu tinha uns dez anos.
Nosso único medo era do Homem do Saco. Conforme nos diziam , este homem atraia as crianças com balas e as colocava num saco, que levava pendurado ás costas.
No meu bairro tinha um andarilho. Era um alemão muito alto e que andava , realmente , com um saco pendurado nas costas. Provavelmente era neste que saco ele guardava seus poucos pertences. Bastava ele aparecer na esquina da nossa rua que todas nós disparávamos para dentro do edíficio. Todas gritando muito . E o dia que ele resolveu entrar no prédio ???...Coitado.Pobre Homem do Saco...Na verdade ele nunca fez mal para ninguém. Com certeza ele não sobreviveria na rua , nos dias de hoje.
Minha infäncia está tão distante.Dias de tranquilidade tão distante...impossíveis.
O tempo ter passado não me incomoda. Incomoda é ver que o mundo , as pessoas mudaram tanto...tanto...Nem caminhar ,tranquilamente, dentro de um shopping é possível.Entrar ou sair de dentro de nossas casas é um perigo.
Tragédias fazem parte do cotidiano. As pessoas parecem ter perdido o respeito pela vida.Nào existe segurança em lugar algum.
Vida...quão maravilhosa é a vida.Vida...como muitos a ignoram.
Hoje eu só tenho um desejo...
Que todos nós , ao término do dia , estejamos de volta as nossas casas com saúde e em segurança. Este deve ser o desejo de todos mas que , infelizmente ,deixa de se realizar para muitos.
Que Deus continue generoso e eu possa alcançar esta graça todo dia.

sexta-feira, abril 14, 2006

Filhas

Tenho duas filhas arianas portanto ,elas acabaram de aniversariar.
Alessandra é minha primogënita e esteve de aniversário no dia 30 de março.
Adriana é a minha caçula. Aniversariou ontem , dia 13 de abril.
' Quando a Adri nasceu a Ale tinha completado 8 aninhos.
Nào sou uma pessoa ligada em astrologia ,mas acredito ,que o fato delas terem o mesmo signo contribui para que sejam tão parecidas em tantas aspectos.
Ambas sempre foram muito tranquilas , reservadas e ,embora timidas ,muito determinadas. As duas , quando pequenas ,foram muito agarradas comigo o que não impediu de tornarem-se pessoas seguras e independentes.
Muitas pessoas dizem que elas são fisicamente parecidas o que, com certeza , não é verdade. Há uma ligação entre elas que nos faz achá-las assim.
Alessandra fala de maneira calma e clara. Adrianinha fala muito rápido e quando pequeninha eu precisava ficar traduzindo , para os outros , o que ela falava. Claro que atualmente ela já fala mais devagar e se faz entender perfeitamente por todos.Inclusive , ensina portuguës e inglës nos EUA. (Sempre bom esclarecer).
Alessandra sempre foi moreninha.Cabelo e olhos bem escuros. Quando criança as pessoas costumavam dizer: Que moreninha linda !
Adriana bem clarinha. Cabelos castanhos e olhos cor de mel.Quando chora ficam esverdeados. As pessoas costumavam dizer : Que diferente ! Não parece com nenhum dos irmãos.
Apesar da Ale , aos 5 aninhos, se desenhar com lápis marrom e a Adri ter tido um amiguinho imaginário, elas cresceram tranquilas e felizes. Nunca precisamos de auxílio de psicólogos, prática tão comum hoje.
As duas sempre se destacaram na escola por suas notas altas e comportamento exemplar.Nunca foram de `baladas`, preferindo um bom livro ou filme.Elas poderão me corrigir se eu estiver errada. Mãe, as vezes , pensa que conhece os filhos.Eu , entretanto, acredito conhecë-las o suficiente. O suficiente para poder dizer que, o amor que elas tëm por mim é tão grande como o amor que eu tenho por elas.
Outra semelhança se deu no campo profissional.
Uma se formou em Arquitetura e outra em Ciëncia da Computação ,porém as duas acabaram trabalhando e se realizando na área da Educação.

Foram tantas as alegrias que me deram e outras tantas com que ainda me presenteiam. Sinto-me pequena ao lado destas grandes mulheres e me sinto grande quando penso que sou a mãe delas.
Arianas. Valentes e determinadas. Quietas , mas capazes de provocar grandes turbulhões para alcançar o que desejam. Fortes porém delicadas.
Alessandra e Adriana. Minha `pretinha`e minha `pequena`. Como as amo.

domingo, abril 09, 2006

O Tempo ou o Amor?

Sempre ouvi , e eu mesma muitas vezes disse , que o tempo cura tudo. Que se ainda não passou é porque o tempo ainda não foi o bastante. Porém , outro dia , recebi um e-mail que dizia que não é o tempo que faz nossas tristezas ou mágoas passarem , mas o amor.
Tenho pensado muito e não discordo. Não há tempo no mundo que nos ajude a esquecer uma dor , seja dor de perda , de traição ou de abandono , se não tivermos amor.
Amor de pessoas queridas, amigas ou familiares. Amor de um novo amor.
Amor que temos por aqueles que nos rodeiam e nos estimam e que merecem ver-nos seguir em frente , de cabeça erguida e sorriso no rosto. E , principalmente , felizes.
O tempo ajuda , mas o amor torna mais fácil. O amor certamente faz o tempo passar mais rápido.
A vida é uma só e seria injusto desperdiçá-la pensando ou sofrendo por algo que aconteceu e que não há como modificar.
Não podemos trazer de volta ao nosso convívio aquele que já partiu desta vida . Mas podemos reverenciar sua memória e continuar amando-o infinitamente.
Nào podemos anular mentiras , ações ou palavras que nos feriram e mudaram nossas vidas. Mas podemos direcionar nossa energia para aqueles que nunca foram capazes de nos magoar e que merecem todo nosso respeito e amor.
E aquelas pessoas que ficaram sós? Que julgam não ter o amor de ninguém ? Estas pessoas tëm que contar com o tempo ,e com o amor maior que cada um de nós tem que ter : amor-próprio.

domingo, março 19, 2006

Eduardo-meu neto

Hoje ,dia 19 de março, meu neto Eduardo está completando 10 anos.
Quem o conhece sabe que eu não estou exagerando quando afirmo que ele é uma criança muito especial.Amoroso , meigo e muito espirituoso. Tenho um amor incondicioal por ele e uma relação que , pelas circunstäncias, vai muito além de avó e neto.
Eduardo tem uma sensibilidade e um cuidado com as pessoas que é incomum para a sua idade. Preocupa-se em não magoar e nem entristecer ninguém.Desde pequeninho mostrou ter uma inteligëncia muito aguçada e aprendeu a ler praticamente sozinho ,antes dos 5 anos de idade.
Algumas vezes já precisei mudar minha rotina de vida para priorizá-lo e sempre , sempre mesmo, foi muito gratificante.
Temos muitas histórias ...Histórias que quando conto provocam risos...Momentos de ternura. Sei que o tempo e as circunstäncias mudam as situações ... mas já terá sido o bastante. Saber que um dia eu talvez não tenha a mesma importäncia na vida dele não me preocupa . Sempre saberemos que quando foi necessário eu estive presente.
Eu sempre terei por ele um carinho e um amor infinito e , tenho a certeza absoluta que nossos corações estarão sempre sintonizados e serão inumeras as lembranças que o farão lembrar carinhosamente de mim.

domingo, março 05, 2006

Meu aniversário

Quinta-feira passada, dia 2 de março, eu aniversariei. Completei 54 anos.Tenho orgulho de mais de meio século vivido. Escrevendo assim parece muito tempo e quase me sinto velha. Mas que nada... eu me sinto ótima. Seria maravilhoso ser eternamente jovem, mas diante do inevitável posso dizer que foi uma estrada bem percorrida.
Trajetória com bastante dificuldades e momentos bem difíceis.Muitas noites e dias de aflição quando as crianças ficavam doentes ou se machucavam...Saudades ,pois morei alguns anos longe da familia e amigos...Muitos sonhos destruídos...Lamento pela faculdade não concluida...Perdas, algumas quebras de confiança.
Entretanto são pesares pelos quais todos passamos. Alguns mais , outros nem tanto.
Importante na vida é dar valor para o que se tëm e não para o que se perde.E, com certeza, a vida me deu muita , mas muita coisa boa.Tenho uma mãe e irmãs com as quais posso sempre contar. Sobrinhos...Enfim somos uma familia, uma grande e unida familia.
Tenho filhos extraordinários. Netos saudáveis que são minha alegria.Filhos que me permitem compartilhar suas vidas, que retribuem em grandes e pequenos gestos todo amor que tenho por cada um deles.
Minha vida profissional foi breve mas suficiente para deixar marcada minha passagem.Marcada pelo respeito , carinho e seriedade com que sempre trabalhei.Sinto saudades de meus alunos.
Agradeço diariamente , em minhas orações ,o previlégio de ser feliz.
Lastimo por aqueles que deixam escapar por entre os dedos , como pequenos grãos de areia , a história de suas vidas.
Minha trajetória ainda não chegou ao fim.Tenho ainda sonhos e desejos.Mas não tenho pressa.O que tiver que ser será.
Tenho 54 anos e gosto disto. Ë bom navegar em aguas claras e calmas.