segunda-feira, outubro 09, 2006

Primeiro aniversário

Bianca completou , dia 5 de outubro passado, um aninho.
Ontem foi a festa de aniversário. Muito linda.
Ficamos felizes por reunir tantos amigos queridos .
Bianca é uma criança maravilhosa. Tranquila , serena , amorosa e muito alegre.
Pequenininha mas já demostra muita segurança e equilibrio. Ah...observadora.
Para mim foi um ano muito especial.Tenho ageadecido , todo dia , pela oportunidade de fazer parte do dia a dia da Bianca. Presenciar suas graçinhas e suas descobertas.
Bianca gosta dos DVDs da Xuxa , aprecia seus livrinhos de história , curte passear de carrinho pelo condomínio , se diverte com as brincadeiras do papai.
Quando mamãe e papai retornam do trabalho é só alegria , e ela os presenteia com um abraço gostoso.
Testemunhar , o carinho e paciëncia com que minha filha está criando sua filha é gratificante. O carinho que ela recebeu ela dá para sua filha...
Quando meus filhos eram pequenos, muitas vezes me angustiei por não poder lhes dar tudo que gostaria.Mas dei-lhes sempre o meu melhor. Hoje, quando os vejo, sei que meu melhor foi o suficiente.

domingo, outubro 01, 2006

Que brincadeira!

Moramos cerca de dois anos em Caxias do Sul.Minha mãe ia nos visitar com bastante frequëncia, o que nos deixava muito felizes. Um dia não avisou, resolveu fazer uma surpresa.
Chegou no meio da tarde. Passou pelo porteiro e subiu sem se anunciar. Não tocou a campanhia pois percebeu que a porta estava apenas encostada. Estava em casa o André , com a Pati e Adriana. Eu havia ido , com Ale e Du , numa reunião na escola.
Minha mãe entrou em silëncio e escondeu-se atrás da cortina da sala. A sala era bastante ampla ... Escondida ela começou a fazer ruídos e as meninas acreditaram que fosse o Dé, até que o viram no quarto ...Levaram um susto .Minha mãe chamou-lhes a atenção por não terem trancado a porta.
Mais tarde...
Chegamos em casa e eles vieram correndo me dizer que o video havia estragado. Fiquei intrigada pois o video era novo.
As luzes estavam apagadas .
Cheguei perto da TV e , quando ia me abaixando , minha mãe saiu detrás das cortinas, gritando e sacudindo os braços. Levei um susto muito grande. Fiquei gritando , descontrolada. Nem sei como me acalmei. Mas a impressão que ficou foi desagradável.
Acho de mau gosto este tipo de brincadeira.Podemos acabar desencadeando reflexos perigosos.
Mas, com certeza , passamos a tomar maior cuidado ao sair, trancando sempre a porta.

domingo, setembro 24, 2006

Honestidade

Adriana fez comentário no blog dela sobre honestidade.Acredito que não devemos perder a fé nas pessoas , independente de tantos e tantos maus exemplos .
Eu sempre gosto de pensar que as pessoas tem muito de bom dentro de sí,apenas precisam ser estimuladas para o bem.
Quinta-feira á noite chamei um táxi para ir até a Santa Casa.Estava cansada e preferi pegar um táxi á dirigir.Mais tarde a Patricia e o Rafael me buscariam.
Quando fui pagar a corrida ( 12 reais ) o motorista disse que não tinha troco.Que iniciara seu turno fazia pouco tempo e estava sem troco.
Ficamos num impasse. Eu cansada, triste pelo motivo que me levara áquele hospital. Sugeri que ele me desse o valor que tinha . O restante ele poderia colocar na minha caixa do correio quando fizesse uma corrida por aqueles lados.
Muitos me disseram , naquela noite , que eu podia esquecer o meu troco.
Porém eu acreditava na honestidade daquele homem. Ele demonstrara surpresa pela confiança que eu lhe depositara. Percebi que ficara quase agradecido por isto.
Pela manhã fui conferir a caixa do correio e lá estava o meu troco.
Concordo com a Adriana. Nossos gestos de honestidade , de confiança e de respeito pelas pessoas nos trarão um retorno gratificante.
Claro que levaremos uns escorregões mas isto fica por conta daqueles que não nos merecem...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Esqueceram...

Verão de 1982. Estávamos passando alguns dias em Arroio do Silva, SC.
Sempre gostei de estar com as crianças.Achava que ninguém cuidaria delas como eu. Eu as levava para a praia, para passear e o tempo todo eu as contava...1, 2 , 3 , 4 , 5. Era automático.
Porém , naquela noite eu não os acompanhei.Adrianinha, que estava com 9 meses, estava um pouco resfriada e já adormecera.Sendo assim as crianças foram dar uma volta no centro, comer pipoca acompanhados do pai delas, além dos avós paternos.Sem dúvida bem acompanhados.Pelo menos era para ser assim.
Fiquei em casa , mas inquieta . Eu os aguardava na janela quando, finalmente , surgiram .Dobraram a esquina e eu contei...1, 2 , 3 .Com a Adriana que ficara comigo...4. Faltava um, a Patricia .Patricia tinha trës aninhos.
Eu logo gritei , perguntando por ela e, então , foi uma correria.
Encontraram-na na praça.A pipoqueira estava com ela e tinha resolvido levá-la consigo. A atitude correta seria procurar um policial.
Felizmente eles chegaram em tempo . Quando os vi chegando com ela eu a peguei nos braços , agradecendo á Deus por të-la protegido.Fiquei indignada com a desatenção que haviam tido com as crianças. Nunca mais deixei que saíssem sem mim.
A gente sabe de muitas crianças que se perdem e nunca mais se tëm notícias delas.
Felizmente Deus a protegeu .

Em tempo...Como alguém pode esquecer da Pat ? Ela sempre foi muito danada e exigia muita atenção.

domingo, setembro 10, 2006

Coragem

Em post recente , eu afirmei que eu era corajosa. De fato, era e ainda sou uma pessoa muito corajosa. Isto não significa que eu não tenha tido , ou que eu não tenha meus medos.Claro que os tenho.Feliz aquele que vive sem medo.Eu tenho muitos e acho muito difícil, nas circunstäncias de nosso dia a dia, que alguem viva na mais absoluta paz. Coragem não é a ausëncia de medo. Coragem é a capacidade que se tem para enfrentar os obstáculos , tristezas e decepções com que nos deparamos no decorrer de nossas vidas. Coragem é a força que nos faz andar para frente , apesar de tudo.
Diariamente nos vemos desafiados pela violëncia , pela miséria e pelas injustiças que assolam o mundo. As vezes pode dar vontade de fechar as janelas de nossa casa e ficar quietinha no escuro.Mas sabemos que isto não melhora nada.Pode-se fugir dos medos que andam do lado de fora de nossas casas, talvez, mas não podemos fugir, sequer se esconder dos medos que estão dentro de nós.
Por isso a CORAGEM. Coragem para , em primeiro lugar, vencer os medos.
E, depois ,coragem para viver e ser feliz.

sábado, setembro 09, 2006

Acampando

Nos anos 70 virou modismo, no Brasil , acampar. Demoramos a comprar nossa barraca mas quando compramos era das melhores.Dois quartos e avanço.Azul e amarela, lindinha.
Hoje , quando lembro , vejo como eu era corajosa.Na verdade eu ainda o sou, mas eu era também muito jovem. No verão de 1976 fomos acampar em Torres.A idéia inicial era ficar num camping, mas acabamos no pátio de uma familia amiga.Dona Belica, pessoa maravilhosa.
Alessandra não tinha ainda trës anos, André com um ano e dois meses e o Eduardo com trës meses. Eu cozinhava , lavava e passava .Ainda íamos á praia todas as manhãs.Todos nós. Eduardo ficava no bebë-conforto, debaixo do guarda-sol enquanto eu brincava no mar com a Ale e Dé. Alessandra nunca foi muito amiga do mar.Não gostava das tatuíras.Porém o Dé não perdia uma onda. Numa ocasião ele foi derrubado por uma onda maior e a Ale, mesmo detestando os bichinhos , correu para ajudá-lo.Dé adorava picolé e não se contentava com apenas um.Comia o dele, vinha pegar o meu e , depois , ía para perto da carrocinha de sorvetes até que déssemos mais um para ele.Foi uma época gostosa e eu não me lembro de sentir-me cansada. O fato de ter tido os meus primeiros trës filhos tão seguidos , não foi motivo para não proporcionar-lhes toda diversão e atenção que lhes era de direito.
Pela manhã, antes de irmos para a praia , eu precisava lavar a roupa e deixar o almoço pronto. Enquanto eu ficava no tanque a Ale brincava com suas panelinhas pertinho do Dudu e o Dé corria aträs das galinhas da Dona Belica.Lembrança terna.
Com tudo e por tudo isto, como não ser feliz?

segunda-feira, setembro 04, 2006

Caráter

Era um rapaz de aparëncia frágil parecido com a mãe , que o acompanhava.Sentou-se bem ao meu lado e imediatamente percebi que além de fragil era fraco, mau caráter.
Estávamos todos aguardando consulta numa clinica.
Ele , por alguma razão que desconheço, precisou pagar uma taxa de 13 reais.Enquanto a sua mãe fazia o pagamento , ele fez uma ligação para seu pai pedindo que o mesmo o ressarcisse dos 30 reais de que dispusera.Fiquei pasma diante da pressa que ele demonstrou de tirar proveito da situação.Percebi, mais uma vez, que há pessoas que mentem e enganam com muita naturalidade.
Marcas da personalidade que dão aos individuos características distintas. Observo que pessoas com má índole acreditam nas próprias mentiras .Pior, pessoas que magoam conseguem criar situações onde se tornam os heróis .Além deles mesmos acreditarem em suas mentiras conseguem que outros assim também o façam.
Fácil provar que estou certa.Basta abrir os jornais e ler o resultado das pesquisas quanto as próximas eleições.
Fazer o quë , se há quem goste de ser enganado?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Observando

Eu gosto de observar as pessoas.Inclusive , preciso me policiar para não tornar este hábito em uma mania incoveniente.
Acho o ser humano admirável.Quantas formas de bocas, narizes , corpos enfim...Incrível , realmente incrível.
Hoje cedo, enquanto aguardava atendimento numa Clinica Médica , exercitei minha observäncia. Mães e filhas se parecem. Há quem diga que antes de casar com a filha , deve-se olhar a mãe. Acho que também se aplica aos homens. Mas , toda regra tem exceção. Felizmente para uns, infelizmente para outros.
Se não houver semelhança fisica , a mesma se fará através da postura.Observem...
Màes ou pais corcundas caminham ao lado de filhos corcundas. Quando minhas filhas estavam em crescimento , eu estava sempre chamando-lhes a atenção para a postura das costas. Por vezes , isto as aborrecia. Tenho certeza que devem ser bem agradecidas , quando vëem alguém andando curvado.
Podemos observar familias inteiras que se parecem. Não apenas a mãe com a filha , mas também o pai e o filho. De longe já se percebe que formam uma família.Seja pela semelhança fisica , seja pela postura ou ainda , pela maneira de falar ou sorrir.É a convivëncia.Não somos iguais ,mas podemos nos tornar parecidos por dentro e por fora.
Por tudo isto , considero que os pais tëm que ter muita atenção , não apenas com o que dizem para seus filhos , mas com o próprio comportamento. Sào nossos hábitos e atitudes que educam , muito mais que nossas palavras e conselhos.
Torno a repetir.Há exceções , sempre haverá.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Primeiro amor

O primeiro amor ninguém esquece e , apesar de tantos anos terem se passado, eu não esqueci do meu. Até porque sou de opinião de que sempre devemos guardar, com muito carinho, as boas lembranças.
Dia 30 deste mës, meu primeiro amor estará de aniversário (memória boa).
Época linda .Época em que a inocëncia tinha lugar.
A gente flertava , lançava olhares , dançava nas reuníões dançantes e aguardava o pedido de namoro. Nem sempre se respondia na hora.Podia-se pedir um tempo para pensar...
E assim aconteceu comigo. Flertamos e namoramos durante dois anos.Eu tinha doze anos. Mas a inocëncia era tão grande que era cabível.Pegar na mão só depois de um ano. Beijo ...Lembro que ganhei um na testa no dia dos meus treze anos.
Impossível esquecer um amor tão puro, meigo.
Ele me buscava na saída do colégio e ficávamos conversando em frente do meu prédio.
Aos domingos íamos ao cinema.Mas não íamos só.Tinha que ter o chá de përa. Foi numa tarde de domingo, durante a sessão dupla do cinema Cacique, que ele pegou
pela primeira vez a minha mão. Já estávamos namorando há mais de um ano.Quando as luzes acenderam e nós saímos de mãos entrelaçadas , toda turma , que nos acompanhava bateu palmas. Fiquei corada de tanta vergonha.
Voltávamos para casa de önibus e eu ficava desejando que a viagem nunca acabasse.
Nunca ouve brigas , mentiras ou mágoas.O nosso namoro acabou porque éramos ainda muito crianças. Provavelmente teríamos voltado se...Sempre há um se para atrapalhar as lindas histórias de amor.
Eu tinha uma caixinha de madeira onde guardava as nossas lembranças.Fotografias , fitinhas , flores secas...Gostaria de ainda të-las comigo.Mas , as tenho no coração.
Lamento pelo jovem de hoje , que trata os sentimentos e atitudes com tanta informalidade, tanto descaso.Acabam por não ter um primeiro amor para recordar.
Com certeza foi um período precioso da minha vida .

domingo, agosto 20, 2006

Taça Libertadores

Em 1983 , morávamos em Blumenau , o Gremio ganhou o título de Campeoes da América.Mesmo em Blumenau, a movimentação e festejos foram grandes .
Os meus meninos , como o pai deles , torciam pelo Internacional. Geralmente o que ocorre é isto mesmo.Os filhos pequenos seguem a escolha paterna.
Com a vitória do Grëmio, o Eduardo ( na época com 7 anos ) resolveu ser gremista.
Primeira coisa que me pediu foi uma camiseta do time.Percorri todas lojas da cidade e , com muita dificuldade , encontrei uma regata de adulto.
Ele ficou satisfeito e vestiu , orgulhoso , a camiseta que cobria os seus joelhinhos.
Vestido assim é que ele esperou o pai chegar.Ficou na frente da casa e não foi preciso palavras para a novidade ficar esclarecida. Até mesmo porque nenhum dos dois é de muitas palavras...
Passaram-se 23 anos e chegou a vez do Internacional conquistar o título.Parabenizo todos os Colorados.
E o Edu ...Continua sendo gremista.

Enquanto isso...

Era verão de 1993.
Depois de ter atingido a Patricia , o menino tratou de remar para longe da beira. André , Eduardo e Rafael que perceberam o que estava acontecendo remaram para a praia. O menino acabou surpreendido pelos trës que resolveram dar umas remadas no mesmo.
A familia do menino estava perto de onde estávamos e , claro , assistiu de camarote toda correria e confusão. O menino, juntamente com seu pai , veio falar conosco e disseram que iriam esperar pela Patricia (já a tinham levado para atendimento)para se desculparem.Eu os aconselhei a irem embora pois estavam todos muito nervosos e as desculpas poderiam não ser muito bem aceitas. Não naquele momento.
Posteriormente acabamos nos cruzando em Garobapa , e eles tiveram oportunidade de dizer que lamentavam a brincadeira.Brincadeira inconsequente que acabou privando a Patricia de entrar no mar , durante todo resto de nossas férias.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Susto na praia

Era verão.Talvez 1993.Fomos passar as férias em Garobapa.
Era nosso segundo ou terceiro dia de praia. O programa preferido dos meninos era andar de caiaque. Esperávamos a praia ficar vazia para que eles pudessem se divertir, sem risco de machucar os banhistas.
Debaixo do guarda sol eu conversava com a minha irmã.Conversava mas de olho na Patricia , que estava pegando onda de morey. Ela e a Ana Claudia.
Eu estava aflita pois havia um menino pegando onda (ao invés de remar ) com um caiaque.Pegando onda justo onde elas estavam. Eu fazia sinal para elas se afastarem dele, mas assim que elas se afastavam ele as seguia. Ele estava de brincadeira.
Até comentei que aquilo não iria dar certo.
E, foi assim que aconteceu...Patricia veio numa onda e , quando ela levantou e virou , foi atingida pelo caiaque .Eu gritei chamando a atenção de todos. Paty desapareceu sob a ägua.Todos correram para o mar. Vi quando ela surgiu em meio as ondas, a blusa branca estava vermelha do sangue que escorria da sua cabeça.Meu cunhado alcançou-a e a trouxe para a beira da praia. Lembro que a preocupação dela era comigo. Não queria que eu ficasse assustada.Tarde demais. Eu já estava enlouquecida...Correria completa.
Uma jovem que passeava ali perto , com sua neném, apresentou-se como médica e acompanhou-os para atender a Paty.
Felizmente Patricia ficou bem , mas perdeu todo resto dos dias de férias.Na verdade , o acidente poderia ter sido muito mais grave do que o corte que teve na testa.
O menino que machucou-a , veio se desculpar .Eu tentei explicar-lhe que é necessário que a gente sempre pense na consequëncia de nossos atos.O fato dele não ter tido a intenção , não evitou o acidente.
Assim é em tudo que fazemos ou dizemos.
Nenhum cuidado será em excesso se estivermos evitando de magoar ou machucar alguém.

terça-feira, agosto 15, 2006

Saudade

Certamente não deve existir quem não tenha sofrido ou sofra por saudade.Podemos sentir saudades de alguém , de algo , de uma época...Na minha vida a saudade tem se tornado uma constante . E , o fato dela ser minha velha conhecida ,não torna a convivëncia mais fácil.
Quando a saudade é de alguëm que está distante passamos a contar os dias , semanas , meses.Sabemos que ao término de determinado tempo ela irá embora.Ao menos por alguns dias.
Quando é de alguém que sabemos que não vai retornar, acomodamos a saudade num cantinho do coração.Assim como guardamos , em um canto da casa as coisas das quais não queremos nos desfazer.Da mesma forma esta saudade vai ficando por lá.
Nào curto a saudade de um tempo passado.Acredito que o passado é para ser lembrado , até mesmo comemorado.Porém sentir saudade do passado é querer voltar e eu não creio nesta volta.Nunca será igual.Melhor ter a lembrança.
Pior é a saudade de alguém que está muito próximo mas que se faz ausente.
Dói a saudade de quem partiu.Partida inevitável e necessária porém , repentina.Sem tempo para despedida.
Mas , se por um lado a saudade nos causa sofrimento, por outro lado ela é a prova de que temos vivido momentos que valem as lágrimas derramadas.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Gracinhas

Criança é sempre maravilhosa e tudo que ela faz ou diz achamos uma graçinha.
Dudu tinha uns 4 aninhos . Estávamos na piscina brincando quando ele me olhou e sugeriu que eu deixasse meu cabelo crescer. Com o cabelo comprido tu vais ficar mais bonita e até arranjar um namorado ,foi o que ele disse.
Eu expliquei para ele que eu gostava do meu cabelo assim . Que quando eu era jovem o meu cabelo era bem comprido mas que agora , mais velhinha , não seria tão apropriado.
Ele continuou insistindo. Argumentou que a outra avó tinha namorado pois tinha o cabelo mais bonito.
Dei um tempo e disse para ele que ia seguir o conselho dele. CLaro que com namorado ,eu não iria ter tempo para ficar horas e horas só brincando com ele. Brincando na piscina , jogando canastra , indo ao cinema...Mas se eu ia ficar mais bonita ...
Encerramos o assunto e continuamos com as bricadeiras.
De noite , depois de já termos feito a oração do anjinho da guarda e ele quase adormecera , ele me disse
-Sabe vovó? Deixa o teu cabelo assim , tu até que é bem bonitinha !

domingo, agosto 06, 2006

TIPIE

Eu fiz a escola Normal no Instituto de Educação. Minha formatura foi em 22 de agosto de 1971.
Uma das disciplinas que nós , futuras professoras ,tinhamos era de teatro...o TIPIE. Nossa professora era a Olga Reverbel. Excelente...maravilhosa.
No final de semestre nós tínhamos que apresentar uma peça para as crianças do curso primário ( hj curso fundamental ).
A peça do meu grupo se chamava A bruxinha que era boa. Eram muitas bruxas más , uma muiiiiiito má , um bruxo , um menino e a bruxinha que era boa.Meu papel era do bruxo. Eu fazia o grande bruxo , o chefe das bruxas.
Muitos ensaios , falas bem decoradas . Cenário feito por todas do grupo. Ficávamos envolvidas durante todo o semestre .Lembro que eu esperava pelo dia da aula de teatro com muita ansiedade.
Chegou o dia da nossa apresentação.Ginásio do IE cheio , lotado. Eu vesti calça e camisa preta.Uma capa preta enorme ( não podia faltar )e claro o chapéu. Chapéu de bruxo é sempre essencial.
Eu estava na lateral esquerda do palco aguardando o momento de entrar em cena. Ao meu lado a menina que fazia o Ponto.
Antes de entrar eu deveria dar uma grande gargalhada , anunciando a minha chegada. Pois bem...no momento em que gargalhei a menina do ponto assustou-se e invadiu a cena aos gritos, correndo. Foi muito engraçado.O grito dela desencadeou muitos gritos das crianças. Eu fiquei com muita vontade de rir da situação mas consegui prosseguir com o script . Fiz uma entrada triunfal , abaixo de gritos...
A apresentação foi tão elogiada que fomos convidadas a realizar um espetáculo fora do IE , na ACM.
Eu tinha na época 17 anos.Até hoje eu mantenho contato e amizade com algumas destas colegas.Amigas preciosas.
Um acontecimento pequeno , tão remoto.Mas , já ali , eu estava aprendendo que mesmo quando as coisas não acontecem do modo que planejamos, nós temos que seguir em frente e fazer o melhor possível.
Se o espetáculo não pode parar muito menos a Vida.

segunda-feira, julho 31, 2006

Terra

Recebi um e-mail hoje de uma amiga muito querida.Daquelas amigas que sabem que estamos precisando de um incentivo , de um carinho , mesmo sem confessarmos.
A gente sabe que tem muitos motivos e razões para ser feliz mas , as vezes , uma palavra mal colocada ou um gesto menos gentil faz nossa estrutura balançar. E , vulneráveis , acabamos envolvidos por lembranças e pensamentos que nos trazem tristezas.Ficamos remoendo mágoas passadas ,lamentando por sonhos que nos tiraram e choramos os momentos perdidos. Deixamos rolar por nossos rostos lágrimas por tanto tempo contidas , lágrimas quentes ...
Então chega uma mensagem amiga. Mensagem que me faz lembrar tantos que me amam e que só alegria e prazer me dão...Que me faz lembrar da linda familia que formamos...Que faz lembrar que nada é mais importante que a paz e a tranquilidade...Nada é maior que sabermos que somos dignos e honrados.
Volto a sorrir e guardar no canto mais distante do coração aquilo que me causa dor.Sepulto as lembranças e momentos tristes já que não posso jogá-los fora.Fazem parte da minha história.
Todos temos dias de tristeza.Felizes aqueles que podem resurgir para um novo dia. Felizes os que conseguem seguir em frente sabendo que a terra que nos jogam pode ser o caminho para alcançarmos novos sonhos.
Importante é nunca deixar que a tristeza obscureça a nossa existëncia.Essencial é ter olhos e ouvidos para aqueles que nos amam e merecem nos ver
felizes.

quarta-feira, julho 26, 2006

Avós

Pois é , criaram o Dia dos Avós. Como se algum dia não fosse o dia dos avós , dos pais, das mães...
Alguns falam que ser avó é ser mãe duas vezes. Eu não concordo. Gosto que cada um tenha o seu papel bem determinado. Sou mãe dos meus filhos e amo ser avó dos meus netos.
Um neto nos trás tanta alegria , imagina trës...
O Eduardinho chegou de surpresa na minha vida e se tornou muito especial.
O Pedro é o meu anjinho de cachos dourados.
A Bianca é a minha princesinha.
Sou uma avó muito previlegiada pois tenho uma convivëncia muito próxima com todos eles. Acompanho seus crescimentos e descobertas . Fico triste quando os vejo chorar e fico feliz quando os vejo sorrir.Só mesmo outra avó para saber quanto isto nos faz feliz...participar.
Como avó muitas vezes me falta energia , porém me sobra paciëncia. Como mãe ,jovem , eu tinha mais energia e disposição e menos paciëncia. Gostaria de ter tido mais...Mas minhas atribuições como mãe eram maiores.
Avó brinca , conta histórias , canta , passeia...e também deve acompanhar a educação que os pais desejam para seus filhos.
Como tenho cinco filhos , sei que terei outros netos para embalar e isto é outra razão para olhar para o futuro com otimismo e confiança.
Hoje é o dia dos avós e , tenho orgulho e tranquilidade de poder afirmar que tenho conseguido ser avó todos os dias e não apenas um dia apenas no ano.
Agradeço aos pais dos meus netos que confiam em mim e permitem que eu compartilhe da vida destes meus tesouros. Tesouros que trouxeram um significado novo para meu dia a dia.
Meus filhos cresceram. Quando crianças precisavam de mim. Hoje , eu é que preciso deles...
Através dos meus netos eu continuo a existir...a ser.

segunda-feira, julho 24, 2006

Laranja

Quando a Alessandra estava no prézinho , a professora dela usava as cores verde , laranja e vermelha como conceito nos trabalhinhos das crianças.
Alessandra apesar de ter 5 aninhos já era muito dedicada e caprichosa. Todas suas atividades eram feitas com cuidado e carinho.Todos seus tabalhinhos vinham com o `sinal verde `.
Numa tarde , depois de realizar sua tarefa , ela trouxe para eu ver como estava...Estava bom , mas ela costumava fazer muito melhor. Eu disse isto e ela ficou um pouco aborrecida . Respondeu que estava muito bom . Eu , então lhe disse...`Vais tirar Laranja `. De fato , foi o único Laranja de toda vida escolar dela.
De certa forma ela passou a me achar responsável por aquilo. Ela passou a semana toda sonhando com o trabalhinho. Tendo pesadelos com o sinal laranja. Pior foi quando a professora , depois de uma semana , devolveu o tema e ...lá estava...LARANJA.
Valeu a experiëncia. Nunca mais ela deixou de se esforçar.
Alessandra sempre foi uma aluna exemplar. Na verdade ela é uma pessoa exemplar. Profissional , amiga , filha maravilhosa.
E , agora , uma mãezinha encantadora.

quinta-feira, julho 20, 2006

Dia do Amigo

Dia do Amigo...Semana da Amizade...
As caixas de e-mail ficaram cheias de mensagens sobre a amizade.Mas amigo , amigo mesmo , não se encontra em qualquer esquina.
Há amigos e amigos...vocës hão de concordar comigo.Amigo é aquele que está ao nosso lado em todas as horas.Vibra com nossas conquistas, chora com nossas tristezas. Compartilha de nossos sonhos e torce para que eles aconteçam.Amigo é aquele que dá um telefonema e tenta nos animar quando estamos querendo nos deprimir. Amigo , amigo mesmo , consegue.
Sou uma pessoa muito feliz pois sei que tenho muitos bons amigos.Melhor, tenho muitos amigos já que maus amigos , não são amigos.
Tenho amizades de longa data. Mas longa data mesmo.As vezes ficamos tempo sem nos vermos ,mas quando nos encontramos é como se tivessemos nos visto no dia anterior. A intimidade permanece.
Tenho amizades mais recentes mas tão intensas , que parecem estar comigo desde sempre.
Amizade que é verdadeira não se perde.Não se perde pelo tempo ou pela distäncia. Se perder ou esquecer é porque não era real e , sendo assim , não há o que lastimar. Não se perde o que nunca se teve.Não se chora pelo que não se perdeu.
Amigo...Com certeza é algo para se guardar não apenas no lado direito do peito , mas dentro dele.

domingo, julho 16, 2006

Dias de chuva

Distrair crianças em dias de chuva não era tarefa fácil. Precisava de muita criatividade e paciëncia.
Hoje as crianças tëm muitos canais de TV com uma programação variada.Sem falar no computador e video games.
Meus filhos estavam acostumados a ir , diariamente , para a Redenção ou praça.Quando chovia era dia de inventarmos e reinventarmos brincadeiras que nos deixassem entretidos e felizes.
Os programas de TV eram poucos. Haviam alguns muito bons como Vila Sësamo, Clubinho da Criança ( Alessandra era sócia de carteirinha), Sitio do Pica Pau Amarelo.Mas eram no horário da manhã. O canal 4 era proibido .Ninguem assistia Power Rangers.
Mas eram muitas as brincadeiras...Nós pintávamos , recortávamos.Fazíamos dobraduras. Usávamos os jogos de mesa ( dama, xadrez chinës , dominó ...)
Quando eles iam ficando agitados , aborrecidos , eu precisava de imaginação.
Lembro de uma tarde em que fizemos colares com cascas das laranjas do nosso lanche.Todos com agulhas e linha na mão para ver quem fazia o colar mais comprido.
Outra vez improvisei um escorregador.Foi muito divertido.Coloquei uma porta de armário apoiada na cama e guarda-roupa e eles ficavam deslizando .Difícil foi conseguir colocar a porta de novo no lugar...
O apartamento que morávamos , no edificio Ada , era grande.Eu os puxava , em cima de um cobertor , do quarto até a porta da frente (um de cada vez ).Certa vez o André se ergueu e acabou batendo com a testa na parede...que galo.
Ah...e as barracas feitas com lençóis e cobertores.Muito legal e divertido.
Hoje não brincam mais deste modo.Se avanços tecnológicos ajudam os pais nesta tarefa de entreter os seus filhos , por outro lado criam um afastamento , um acomodamento.
Claro que não podemos ficar no passado .Que adulto não gosta de um video game ou computador? Eu só acho que estas atividades podem ser partilhadas com a criança.
A infäncia é um período tão lindo, tão cheio de descobertas mas passa muito rápido.
Sou feliz porque sei que, assim como eu tenho estes dias na minha memória ,meus filhos tëm estas lembranças nos seus corações...e eu faço parte, para sempre.

segunda-feira, julho 10, 2006

Brincadeiras

Muitas eram as brincadeiras quando as crianças eram pequenas .Se o dia estivesse bonito eu os levava na praça (na Jerönimo de Ornelas esq Santana) ou na Redenção. Eu ia carregada com brinquedos e lanches.Muitas vezes levava as suas bicicletas. Era eu e eles.Alessandra, André e Eduardo. Depois também a Patricia.
Brincávamos na praça de areia que fica perto dos patos. Eu sentava na areia junto com eles e construíamos castelos, estradas , laguinhos e tudo o mais que a imaginação permitisse.Na hora de retornar nos tínhamos um caminho próprio.Passávamos pela àrvore do Tarzan , pelas pontes do Jardim Oriental , pela casa de ferro da bruxa, pelo chafariz perto do Araújo Viana...Muitas vezes eu estendia um cobertor na grama e fazíamos um piquenique. A Pat ficava sentadinha na coberta e eu corria com as crianças brincando de esconder , de pega-pega , mamãe posso ir...Certa vez, no inverno, nós pegamos uma grande folha de palmeira. Um de cada vez sentava sobre a folha e eu os puxava pela grama. Eu tinha 27 anos e muita força e saúde. Era divertido.
Algumas vezes aconteceram acidentes e tive que correr para o Pronto Socorro, como na vez que o André caiu e cortou o queixo.
Retornávamos para casa com a roupa , rostinhos e mãos sujas.Direto para o banho.Janta , e seis horas todos já dormiam. Eles deitavam todos juntinhos na minha cama e eu lhes contava histórias e cantava cantigas de roda e de ninar.Depois que adormeciam eu levava cada um para sua cama.( Adriana ainda não era nascida)
Gostava de estar com eles da mesma forma que gosto de estar com meus netos.Apesar de não ter energia para pular e correr , ainda tenho muita disposição e paciëncia para cantar e contar histórias.
Hoje canto , as mesmas cantigas que cantava para meus filhos , para o Eduardo, Pedro e Bianca...Assim sou feliz.

sábado, julho 08, 2006

Quem já não teve um dia difícil? Pior ainda , quem não teve uma semana ou mës ,mesmo anos difíceis? Com certeza , dificuldades é o que não falta para qualquer um de nós.
Tem dias que levantamos bem.Então uma notícia ,o conhecimento de que alguém a quem amamos não está bem e entristecemos.
Se bastasse o tanto que amamos para resolver os problemas...
Dias difíceis, como já escrevi , não é privilégio de um.Porém a maneira de enfrentarmos as dificuldades é que nos tornam diferentes.
Há situações em que me sinto totalmente impotente e eu só mantenho a calma porque tenho Fé.
Há um ditado que diz que a fé move montanhas. Tantas já foram as dificuldades, tantas já foram as preocupações e não foram poucas as decepções. Se venci a todas elas e sou uma pessoa plenamente feliz é porque nunca desesperei, nunca perdi a fé.
Sei que vai doer, que muito vou chorar .
Mas...vai passar.

quinta-feira, julho 06, 2006

Páginas da Vida

Durante esta semana estão sendo feitas muitas chamadas em cima da nova novela da Globo, Páginas da Vida. Eu nào sou noveleira. Não tenho nada contra .
Meus horários não fecham com os das novelas.Como passo o dia fora de casa, nestes horários eu estou sempre envolvida com os afazeres domésticos ou navegando na internet...rs...rs...
Estou curiosa , entretanto com esta nova novela.
Os assuntos que serão abordados fazem parte do nosso dia a dia.Algum deles, ao menos um , com certeza , já foi protagonizado por nós.
Elenco bom , da pesada. Grandes nomes televisivos.
Estou curiosa .Espero que o autor , carinhosamente chamado Maneco, dë um desenrolar e desfecho reais. Estou até me propondo a acompanhar os primeiros capitulos e ver se a arte saberá , de fato , imitar a vida.

domingo, junho 25, 2006

Que raio!

Aconteceu há mais de 20 anos e foi manchete dos jornais. Um raio caiu bem na cúpula da Catedral Metropolitana , em Porto Alegre , durante a madrugada. Foi um estrondo que se ouviu á grande distäncia .
Nós , na ocasião , morávamos na escadaria da rua Borges de Medeiros , esquina com a Duque de Caxias. Morávamos muito próximos á Catedral.
O que foi manchete foi o raio , não o que se passou no nosso apartamento.
Acordamos, não sei se com o barulho estrondoso do raio ou , com os gritos alucinados da Patricia.Ela devia ter 7 aninhos.Lembro de estarmos todos , quase ao mesmo tempo , junto á cama dela.Ela estava de pé sobre a cama e gritava agitando os braços , olhinhos fechados. No meio da madrugada se leva um tempo para entender o que se passa.Não dava para saber o que acontecera primeiro , os gritos dela ou aquele estouro enorme. A confusão era total. Não havia jeito de acordá-la , tirá-la daquele frenesi.Ela pulava , gritava e nós também acabamos fazendo bastante gritaria tentando acalmá-la.Imagina a situação. Ela estava histérica e nós , provavelmente , só estávamos assustando-a mais ainda.
Finalmente , deixei a psicologia de lado , e agarrando-a pelos braços dei-lhe umas boas sacudidas. Foram boas mesmo pois , surtiram efeito. Meus filhos dizem , quando relembramos este episódio ,que na verdade eu enchi o rostinho dela de tapas. Mas nào foi não. Foram sacudidelas.Fortes sacudidelas.
Bem... Se ela não parasse , eu teria mesmo que partir para os tapas no rosto , como se vë nas telas de cinema.

sábado, junho 24, 2006

Perder o chão

Há poucos dias atrás ouvi alguém dizer que haviam lhe tirado o chão de sob os pés.
Geralmente se diz isto diante de uma situação delicada, diante de uma grande decepção. Se a perda ,seja pessoal ou profissional , for verdadeiramente grande o que estará sendo tirado de nós será muito mais que o chão. Poderemos estar perdendo também a estrutura , as ilusões , nossos sonhos e fantasias.
As pessoas dizem que não é nada , que o tempo cura tudo.Mas o que fazer quando o nada é tudo e o tempo custa a passar? Como continuar nossa caminhada se nossos pés não tëm onde se firmar?Como continuar se sentimos nossa mente e corações vazios?
Ë difícil.Mas é necessário prosseguir.
Eu diria o seguinte...`Tenha fé. Pense no que ficou e esqueça o que foi perdido`.
Se não temos onde calcar os pés, estendamos as mãos.Sempre haverá algo ou alguém em que poderemos nos amparar.
Se uma porta se fechou , vamos abrir novas portas.Não devemos jamais fechar o coração.
Parece impossível porém eu sei que é possível.
O tempo acaba passando e com ele a dor.
Se formos fortes , se nunca deixarmos de acreditar em nós mesmas , conseguiremos fazer surgir da dor , do sofrimento uma nova pessoa com capacidades e belezas que mantinhamos adormecidas.

quarta-feira, junho 21, 2006

Meus queridos

Há algum tempo atrás , sempre que eu via um casal maduro passeando de mãos dadas , eu ficava imaginando a sua caminhada.
Hoje já tenho um pensamento diferente.Hoje eu me indago se a história deles começou junto ou se formaram um desvio ...
Mas , não me julguem cética.Tenho fé na relação de meus filhos e conheço muitos casais que mantém uma relação de amor e respeito por todo o sempre.
Para citar apenas um, que é muito próximo a mim ,e pelo qual tenho uma estima enorme,a minha irmã Cristina e meu cunhado.
Eles já completaram 37 anos de casados. Nenhum casamento se sustenta por ser um mar de tranquilidade.Todos nós sabemos que na nossa trajetória de vida as dificuldades e preocupações ocupam um grande espaço.Um casamento , como o deles , se apoia e fortalece no amor e no respeito. E , por que não dizer , na coragem . Coragem para criar os filhos , dá-lhes sustento e educação. Coragem de abrir mão , todo dia , dos seus sonhos para ver os dos outros realizados.Coragem para enfrentar os momentos mais difíceis estendendo a mão para o companheiro.
Não basta a força de um se o outro não quiser compartilhar.Casamento é isto.Ë enfrentar as horas mais duras , trocando forças , gerando amor.
Triste, muito triste quando após tanta luta , pela covardia de um , acabamos morrendo na praia.
Eu os admiro muito.Sempre tiveram espaço nas suas vidas para todos nós.Eu mesma contei sempre com o auxilio silencioso de minha querida irmã.Ela sempre comenta que não lembra o que eu sempre tento tanto agradecer.Mas é assim mesmo.As pessoas boas esquecem a mão que nos estendem.Eu jamais vou esquecer as vezes que ela amenizou minhas angustias com gestos simples mas importantes, fundamentais.
Gosto de pensar que muitos casais que caminham de mãos dadas, tëm como eles , uma bonita história sendo escrita desde o princípio.
Todo o meu amor e respeito para eles que , sem dúvida , são exemplo de uma vida conquistada dia a dia.

quinta-feira, junho 15, 2006

Tesourinha

Era uma tarde linda de domingo .Muito sol e todos aproveitando o espaço maravilhoso , que o Clube Ginástica de Novo Hamburgo oferecia a seus associados.
Todos, menos a Adrianinha.Ela ficava sentadinha no banco comigo.
Eu a ficava incentivando a ir brincar , correr com as outras crianças.
Havia uma pista circular onde as pessoas faziam caminhadas ou corridas. No centro um grande gramado.
Observei que pequenos pássaros voavam por ali , bem baixinho.
Falei para a Adrianinha se aproximar dos passarinhos. Para ela ir olhar de perto como eles eram bonitinhos. Ela relutou , relutou até que foi, correndo.
Na verdade, eram filhotinhos de Tesourinha. Adriana correu exatamente na direção do ninho deles.
Foi muito rápido.Conforme ela corria, o Tesourinha voava na direção dela.Levantei do banco onde estava sentada e comecei a correr.Queria desesperadamente alcançar minha filha antes do pássaro. O pássaro já passara perto dela e retornava. Eu corria e gritava tentando alertá-la. Ela olhava para trás e não entendia o que estava acontecendo. Devia pensar que eu insistira tanto para ela ir brincar e agora gritava para ela voltar.
Enquanto isto eu já tinha chamado a atenção de todos. Felizmente alguém , que estava mais perto da Adri , pegou-a e correu com ela, debaixo do braço, para longe do ninho do pássaro.
Lembro dos seus olhinhos cheios de lágrimas me olhando...que aperto no coração.
Eu acreditava que ela estaria aproveitando mais a tarde se ela estivesse brincando com as outras crianças. Como eu estava errada.Acreditava que ela era envergonhada ( era um pouquinho)quando na verdade , ela só queria ficar pertinho de mim.
Hoje eu sei que ela não ia brincar porque era muito mais gostoso ficar ao meu lado.
Naquele dia , eu e o Tesourinha cometemos um engano .O Tesourinha fazendo seu ninho num lugar inadequado e eu afastando minha filhotinha do meu aconchego.Mas ,nós dois fomos rápidos na hora de protegë-los porque mãe é mãe , em qualquer espécie.

terça-feira, junho 13, 2006

Como gosto!

Há muitas coisas que me são prazerosas e que dão um colorido todo especial a minha vida.
Coisas que podem parecer simples ou até sem importäncia , mas que fazem meu coração ficar sorrindo...sorrindo.
Gosto de conversar no msn com a Adriana.Participar da vida dela e do Carlos através da leitura dos seus blogs.Olhar para seus rostos iluminados nas fotos que a Adri edita.
Gosto do modo como a Alessandra me chama de `maezinha`.
Gosto do abraço apertado do André .Abraço comprido pois a saudade dele sempre é grande.
Gosto dos telefonemas da Patricia.Liga para dizer que me ama. Para saber se estou bem.( e moramos juntas...)
Gosto do jeito amoroso que o Eduardo me joga um beijo. Do carinho dele me chamando para jantar.( ele cozinha muito bem).
Amo de paixão conversar com meu neto Pedro.Gosto de ouvi-lo contar as coisas que fez na escolinha.Cada dia me encanto mais com sua expressividade. Ele é muito lindo.
Gosto de fazer um programa especial com meu neto Eduardo.Ir ao cinema ,férias na praia, ler a revista Recreio juntos enquanto comemos um lanche do Mc. Fico feliz em saber que ele terá para sempre com ele , lembranças do que partilhamos juntos.Gosto de saber que faço diferença na vida dele .
Aprecio as manhãs e tardes que passo com minha princesinha Bianca. Participar das suas descobertas, fazer parte de seu mundinho.Gosto de të-la aconchegada junto á mim.Sentir seu coraçãozinho batendo junto ao meu enquanto tira um soninho.
Gosto da oportunidade de poder cantar , brincar e contar histórias para os meus netos , da mesma maneira como fiz com meus filhos.
Gosto de ter com meus genros e noras uma relação de carinho.
Gosto de navegar na internet , ler meus e-mails, procurar e fazer amigos no orkut.
Gosto das reuniões de familia .Gosto de saber que posso contar com todos eles , a qualquer momento.
Gosto de ter minha querida mãe com saúde , bom humor e alegria.
E, é claro , gosto de saber que muitos encontram tempo e lëem as palavras que aqui escrevo e que dizem muito de mim.
Sào infinitas coisas das quais gosto e que pincelam a minha vida fazendo-a tão especial.
Lamento por aqueles que não tëm olhos para apreciar e reconhecer , que é em pequenas coisas que encontramos o maior motivo pra amar e ser feliz.

segunda-feira, junho 12, 2006

Saudosismo

Eu sou uma pessoa que nunca desejou voltar no tempo, pois acredito que se ficarmos desejando reviver coisas passadas estaremos deixando de viver o momento. Desta forma , sempre estaremos querendo voltar para viver o que acabamos não vivendo.Complicado...mas simples.
Aproveitei , dentro dos valores e critérios que eu tinha , cada etapa da minha vida.
Mas , sinto saudades...muitas saudades.
Saudades do tempo que, á noite , eu levantava para ver se meus filhos estavam bem aquecidos debaixo das cobertas.
Saudades das brincadeiras no Parque da Redenção.
Saudades dos meus cinco filhos indo pela manhã para a minha cama onde ficávamos brincando e conversando.
Saudades dos banhos de chuva que tomávamos em Blumenau.Eu , os cinco e o Sheik.(Muito tempo depois , fiquei sabendo que um vizinho costumava ir para a janela para nos ver correndo na chuva).
Saudades das viagens de carro em que eu vinha contando histórias que eu lera.Muitas vezes livros que algum deles tinha que ler para a escola.Eu lia para podermos discutir á respeito.
Saudades da viagem em que levamos os passarinhos , o cachorro e ao Hamster do André.O Hamster fugiu da gaiola e foi uma gritaria.
As festas de 15 anos das meninas , as formaturas , comunhões , casamentos...
Saudades da voz do André , caminhando de um lado para outro , enquanto estudava para a prova de residëncia.
Saudades da linda árvore que eu tinha em frente a minha casa.Era confortador olhar pela janela e ver seus enormes galhos e as lindas flores amarelas.
Saudades da Adrianinha ...muitas saudades.Saudades de abraça-la.
Saudades do tempo em que eu ia até o YAZIGi para deixar o carro para ela.Saudades de quando voltavamos juntas batendo um papo gostoso.
Saudades das festas de Ano Novo com minhas amadas irmãs.( Hj passamos apenas o Natal juntas)
Saudades das conversas com os professores na hora do recreio.
Saudades dos meus pequenos aluninhos.
Saudades do cheiro do café passado domingo pela manhã..do café na cama.
Se sou tão feliz é porque tenho coisas boas para lembrar.São tantas as coisas boas que as tristes deixam de ter importancia, somem no meio das lembranças maravilhosas que formam a minha trajetória de vida.

domingo, maio 28, 2006

Adriana e Carlos

Amanhä o Carlos , meu genro , estará completando 25 anos.Jovem , muito jovem mas com uma bagagem cultural fabulosa. Extremamente inteligente.Sua mäe, minha querida amiga Norma, sempre fala com orgulho que com trës anos ele já estava alfabetizado. Criamos os filhos para o mundo e a Norma cumpriu muito bem a sua missáo de mäe.Oportunizando...abnegando.
Adriana trouxe o Carlos para o nosso convívio e hoje os dois constroem sua história de vida com muito amor. A distäncia enorme que nos separa fisicamente näo é suficiente para të-los fora de nossas vidas.Continuamos sendo uma familia.Familia saudosa , mas muito orgulhosa.
Escrever sobre a inteligëncia dele seria ser repetitiva.Todos sempre se referem a isto.
Quero falar sobre um rapaz que atrás de um olhar sério tem muita ternura e afeto.
Quero , principalmente, dizer que tenho um carinho muito grande por este grande homem que muito mais que uma brilhante cabeça tem um grande coraçáo.

sábado, maio 27, 2006

FOGOOOOOOO !!!

Veräo de 1977. Estava em Torres com as crianças.Alessandra 3 aninhos,André 2 aninhos e Eduardo com 1 aninho.
A casa em que ficamos , para entenderem a situaçäo , tinha as peças dispostas de forma pararela (cozinha, sala e quartos ).
Era noite e as crianças dormiam no meu quarto.
Na sala eu jogava cartas com minha mäe, minha irmä Rosana ( na época com 16 anos) e minha tia Neli. Os homens estavam todos em Porto Alegre.
Minha mäe levara a Maria , senhora que trabalhava para ela.
Entäo, ouvimos a Maria gritar...FOGOOOOOOOOOO !!!!!! Ela gritou e correu para a rua levando com ela o seu `radinho`de pilhas.
Vimos que realmente havia labaredas vindo da cozinha ( o fio da geladeira incendiara á partir de um curto circuíto).
Imediatamente minha mäe, tia e irmä sairam para a rua. Rosana , minha irmä , correu até a casa da Cris ,minha outra irmä, para pedir ajuda. Ninguém sabia onde era a caixa da chave de luz...gritaria e correria.
Enquanto isto...
Corri para meu quarto para pegar as crianças que dormiam.Eram trës e eu com dois braços. Uma coisa era certa ...eu só sairia da casa com os trës.Gritei pedindo ajuda mas ninguém atendeu. Consegui acordar a Alessandrinha que era maior , e peguei os meninos no colo. Sentindo a mäozinha da Ale segurando firme na minha roupa eu saí da casa.
A chave geral foi desligada e o fogo cessou.
Lembro que eu fiquei inconformada por ninguém ter lembrado de me ajudar com meus pequeninhos.
Foi um susto muito grande.Tudo aconteceu muito rápido.
Eu , durante todo tempo , tinha uma certeza. Meus filhos sairiam dali juntos.Jamais eu deixaria para trás um deles.
Os filhos gostam de dizer que temos o preferido.Eu sempre digo que o relacionamento pode ser diferente mas amor que sempre tive por eles , jamais.Amor näo se reparte entre os filhos , se multiplica.
Sempre me desdobrei para dar á eles todo amor e atençäo que lhes era de direito.Sempre fiz isto com muito carinho e prazer pois sempre foram meu bem mais precioso.

sexta-feira, maio 19, 2006

Tati Bi Tati

Quando criança , bem pequeninha mesmo , eu tinha dificuldade na pronúncia de algumas letras , era o Tati Bi Tati.
Recordo do meu pai fazendo-me repetir as palavras enquanto me colocava os sapatos. Morávamos na rua Hoffman. Ele, pacientemente , mandava que eu repetisse ;ônibus..e eu falava ombus. Felizmente , meu amado pai , teve êxito. Demorou só um pouquinho.Demorou o tempo de fazerem muita graça com isto.
Bastava eu entrar no banheiro para alguém bater na porta para ouvir-me dizer;"Não posso abrir, tô nula sem salsa".
Esta minha dificuldade era vista com graça pelas pessoas , que faziam-me ficar falando e falando....E todos riam , riam muito.Quanta terapia seria necessária se isto fosse nos dias atuais.
Havia uma história , em particular, que todos apreciavam ouvir-me contar.
Eu , inocente , contava bem faceira.
Eu devia ter menos de 4 anos. Estávamos indo , logo após o natal, para Torres. Imaginem o que era a estrada há meio século atrás. Bah...escrevendo assim , senti-me muito idosa.
Ìamos com o tio Rui. Ele tinha uma caminhonete, tipo Ford , com uma cabine e carroceria coberta com lona (assim que lembro). Na cabine iam meu tio , meu pai e minha avó .Minha mãe ia comigo, minha irmã Cristina e meus primos, na carroceria. Nós e a bagagem. Eu ganhara , de natal, um vestidinho . Eu gostara tanto dele que não deixei mamãe colocá-lo na mala. Não queria que amassasse. Pendurei-o perto de mim.Durante a viagem , o motor começou a pegar fogo. Meu pai tirou-nos da caminhonete , colocou-nos fora da estrada e providenciou em apagar o fogo.
Passado o susto retornamos. Mas , onde estava meu vestidinho ? Meu pai o usara para abafar o fogo. Que tristeza. Eu nunca iria usar meu lindo vestidinho.
Porque esta história tornou-se interessante ? Porque eu era Tati Bi Tati..
Ao invés do G eu falava o D. Então ficava assim: "Era um fodo muito grande , um fodaréu , um fodão enorme"."Todo mundo correu do fodo".
Quando maiorzinha eu entendi qual a graça e não achei mais tão engraçado.Parece-me que eu era um tanto tolinha.
Sempre tive muito cuidado , como mãe e também como professora ,de jamais expôr meus filhos ou alunos a situações que pudessem constrangê-los.Sei que não havia maldade mas , convenhamos , não era "politicamente" correto.

terça-feira, maio 16, 2006

Ser feliz...tem que querer

Na semana passada, assisti no programa da Adriane Galisteu , uma entrevista com Cauê. Cauê tem 23 anos e aos 18 perdeu as duas pernas num acidente ferroviário.
Rapaz simpático e , apesar de tudo , saudável. A mente nos faz saudáveis.
Cauê pratica natação, ciclismo e surfe. O surfe ele faz de joelhos , pois disse que equilibrar-se na prancha e nas próteses seria um esforço muito grande e desnecessário.
Várias perguntas foram feitas pela platéia e ele respondeu com desembaraço , mesmo as mais íntimas.Quando perguntado sobre ser feliz , respondeu que que é mais feliz hoje do que era antes do acidente.
Eu entendo o que ele quis dizer.È lógico que não foi a tragédia que o tornou feliz.Ele hoje é feliz porque foi capaz de , num momento triste e desesperador , encontrar dentro dele forças para continuar e fazer do fato de estar vivo, motivo de felicidade.
Muitas pessoas , diante de alguma perda , se escondem dentro de si mesmas, fogem da vida.Não aceitam o fato de que sua vida , tão perfeita , foi abalada por algo que lhes tira o chão , a estrutura.Diante disto passam a lamentar-se. Tornam-se pessoas amargas e trazem tristeza para aqueles que as amam.
Mas se usarmos a nossa dor como ferramenta de luta ,como fez o Cauê , certamente
seremos mais felizes.
Olhar para frente, valorizar o que ficou nos dá oportunidade de descobrir facetas e capacidades nossas que estavam adormecidas.Podemos sim, depois de uma experiência negativa , sermos mais capazes e felizes.
Concordo com o Cauê ,para ser feliz... basta querer.

quinta-feira, maio 11, 2006

Bombinhas de São João

Era o mès de junho. Meus tios haviam se mudado para a rua Olavo Bilac.
Eu tinha uns onze anos.Cau deveria estar com uns 8 e Silvinho com 7 aninhos.
Era noite. Minha màe tinha ido ver minha tia que ganhara neném e voltara do hospital por aqueles dias.
Descemos para brincar na calçada acompanhadas pela Mari Otilia. Muitas foram as recomendaçòes. Nào brincar com bombinhas e nào fazer travessuras pois minha tia precisava descansar.
Se as crianças ouvissem seus pais , muitos acidentes seriam evitados.
Descemos...e levávamos bombinhas...e fósforos. Jogamos uma , outra... Certamente nào estava interessante pois eu tive a idéia de colocar uma bombinha dentro de uma lata.
Pois foi o que fizemos. Se me recordo bem eu que tive a idéia quando encontrei uma lata jogada no meio fio da calçada. Detalhe importante...a lata era de IsaRaz(solvente).
Foi um estrondooooo...A lata explodiu e deixou o Cau com a camisa em chamas. Camisa volta-ao-mundo.(quem é daquele tempo lembra...super inflamável).
Deus protege as criancinhas sem juízo... Cau ficou apenas sem a camisa e os cílios.Ele tinha uns cílios enormes.Nenhuma queimadura grave. Chamamos a atençào de toda vizinhança.
Subímos para o apartamento e conversamos muito. Queríamos esconder a travessura mas acabamos contando. Nào lembro se foi voluntariamente ou sobre pressào. Também nào recordo se sofremos algum castigo.Mas recordo que eu fiquei muito envergonhada , pois era mais velha e tinha colocado em risco meus primos.
Hoje fico pensando que eu deveria ser meia `lerda` das idéias.Criança é assim mesmo.Por isso é criança.Age mais por impulso , sem pensar.
Crescemos e ficamos mais responsáveis, felizmente.
Mas era divertido...muito divertido.

Meu querido amigo Cau

Ontem eu estava sem sono e resolvi pesquisar no Orkut. Surpresa boa. Encontrei o Cau.Atualmente ele mora no Rio de Janeiro , por isso o distanciamento.Eu e Cau somos primos em primeiro grau.Devo ter 2 ou 3 anos a mais que ele. Quando crianças morávamos perto e protagonizamos juntos algumas aventuras.Inclusive passávamos as férias de verão juntos.
Lembrei-me de duas em particular.
Eu estava com 9 anos , então o Cau deveria ter seus 6 aninhos. Morávamos no mesmo prédio e naquela noite meus tios foram ao cinema e o Cau e seus 2 irmãos menores ficaram com a empregada , a Mari Otilia ( que tinha menos de 15 anos).
Eu e minha irmã subimos para o apartamento deles para assistir televisão.
Morávamos no andar térreo e eles no segundo andar.
Meus pais tinham ido visitar minha avó que morava , com outros tios meus, na mesma rua. Morávamos todos na rua Laurindo , na Cidade Baixa.
Nós costumávamos brincar de MANDRAKE ( STOP ).Eu dei Mandrake para o Cau que deveria , conforme a brincadeira , ficar imóvel. Como ele não fez isto ,eu fui até ele e dei trës soquinhos no braço dele. Ele ficou aborrecido , não estava certamente com vontade de brincar , e veio me devolver os soquinhos. Eu ergui o braço e ele acertou o meu pulso esquerdo. Nada demais se não fosse o fato de ele estar com uma gilete na mão. Ui...dá arrepio.
O que ele fazia com uma gilete na mão? Raspava uma vela...!!!
Imediatamente o meu pulso começou a jorrar muito sangue. Lembro que segurei o braço com a máo direita e sai correndo, aos berros , até o prédio da minha avó. Eram umas 9 horas da noite. Fiquei literalmente berrando na porta do prédio. Meus pais e tios surgiram aflitos pela maneira que eu gritava. Ficaram assustados quando me viram. Meu pai levou-me para o banheiro onde rasgou uma toalha que enrolou no meu pulso. Enquanto isto meu tio já chegava com um táxi. Naquela época tinha que se buscar o táxi no ponto.
Resultado...quatro pontos e uma cicatriz , bem charmosa , no pulso.
Enquanto isto no apartamento dizem que o Cau passava mal e o Silvinho chorava , porque achava que o Cau poderia ir preso.
Isto nào abalou nossa amizade. O que aconteceu não foi proposital.Ëramos crianças boas e sem maldade , embora um pouco inconsequentes como perceberão na minha próxima história.
Aguardem...Bombinhas de Sào João

terça-feira, maio 02, 2006

Viagens

No final de semana passado fomos para Gramado. Nossa idéia era viajar pela tarde porém , quando saímos de Viamão já era quase 19 horas. Noite fechada e muito movimento.Esta viagem me trouxe algumas recordações.
Quando as crianças eram pequenas nós viajávamos durante a noite , até que passamos por uma experiëncia muito desagrádavel. Morávamos em Blumenau e estávamos vindo passar o natal em Porto Alegre.Era a época em que se fazia racionamento de gasolina. Sábado e domingo os postos fechavam. Saímos de Blumenau numa sexta feira ä noite. Pretendíamos completar o tanque antes das 22 horas , hora em que os postos fechavam , para ter combustível suficiente para chegar ao nosso destino. Entretanto, fomos surpreendidos por uma grande tormenta. Lembro da angustia de ver um carro sendo arrastado para o acostamento...Seguimos atrás de um caminhão e com muita sorte alcançamos um posto de gasolina. Muitos motoristas já haviam parado e se abrigado sob o posto. Nós estacionamos em frente ao restaurante que, aquela hora e pela situação do tempo , estava fechado. Não se tinha nenhuma visibilidade .Ficamos ali estacionados durante toda noite. Não abastecemos...
Imaginem a situação. Passar uma noite, mais de 8 horas dentro de um carro (um Passat ), debaixo de muita chuva com cinco crianças pequenas. Alessandra tinha 9 anos , André 8 anos, Eduardo 7 anos , Patrícia 4 anos e Adrianinha ainda nào
completara 2 aninhos.
Quando amanheceu a chuva já passara e vimos que no outro lado da estrada havia um balneário e hotéis. Seguimos viagem e tivemos a certeza de que ficar a noite parados foi a coisa certa. Trechos inteiros da estrada haviam sumido.
Conseguimos , com o combustível que tínhamos, chegar em Ararangua.
Entramos no restaurante Becker para tomar café e pensar como resolver o problema da gasolina.Conversávamos quando um rapaz que escutara nossa conversa ofereceu combustivel de uma empresa de transporte. Bastou atravessar a rua e enchemos o tanque. Não foi só coincidëncia ou sorte.
Chegamos em Porto Alegre. Cansados mas felizes.
Depois disto sempre evitamos viajar durante á noite.

terça-feira, abril 25, 2006

Quando era criança eu costumava brincar na calçada do prédio em que morávamos. Eu e minhas amigas estendíamos uma coberta no chão , e alí colocávamos nossas bonecas . Brincávamos sem preocupação alguma. Nem o olhar vigilante de nossas mães se fazia necessário.
Não tínhamos grades, nem porteiro eletrönico, nem guardas noturnos.
Brincadeiras de roda , cabra-cega , meia lua , mamãe posso ir , esconde-esconde, pega-pega...Brincadeiras inocentes , crianças felizes.
Minha mãe permitia que eu brincasse na rua , andasse de bicicleta ao redor da quadra. Eu tinha uns dez anos.
Nosso único medo era do Homem do Saco. Conforme nos diziam , este homem atraia as crianças com balas e as colocava num saco, que levava pendurado ás costas.
No meu bairro tinha um andarilho. Era um alemão muito alto e que andava , realmente , com um saco pendurado nas costas. Provavelmente era neste que saco ele guardava seus poucos pertences. Bastava ele aparecer na esquina da nossa rua que todas nós disparávamos para dentro do edíficio. Todas gritando muito . E o dia que ele resolveu entrar no prédio ???...Coitado.Pobre Homem do Saco...Na verdade ele nunca fez mal para ninguém. Com certeza ele não sobreviveria na rua , nos dias de hoje.
Minha infäncia está tão distante.Dias de tranquilidade tão distante...impossíveis.
O tempo ter passado não me incomoda. Incomoda é ver que o mundo , as pessoas mudaram tanto...tanto...Nem caminhar ,tranquilamente, dentro de um shopping é possível.Entrar ou sair de dentro de nossas casas é um perigo.
Tragédias fazem parte do cotidiano. As pessoas parecem ter perdido o respeito pela vida.Nào existe segurança em lugar algum.
Vida...quão maravilhosa é a vida.Vida...como muitos a ignoram.
Hoje eu só tenho um desejo...
Que todos nós , ao término do dia , estejamos de volta as nossas casas com saúde e em segurança. Este deve ser o desejo de todos mas que , infelizmente ,deixa de se realizar para muitos.
Que Deus continue generoso e eu possa alcançar esta graça todo dia.

sexta-feira, abril 14, 2006

Filhas

Tenho duas filhas arianas portanto ,elas acabaram de aniversariar.
Alessandra é minha primogënita e esteve de aniversário no dia 30 de março.
Adriana é a minha caçula. Aniversariou ontem , dia 13 de abril.
' Quando a Adri nasceu a Ale tinha completado 8 aninhos.
Nào sou uma pessoa ligada em astrologia ,mas acredito ,que o fato delas terem o mesmo signo contribui para que sejam tão parecidas em tantas aspectos.
Ambas sempre foram muito tranquilas , reservadas e ,embora timidas ,muito determinadas. As duas , quando pequenas ,foram muito agarradas comigo o que não impediu de tornarem-se pessoas seguras e independentes.
Muitas pessoas dizem que elas são fisicamente parecidas o que, com certeza , não é verdade. Há uma ligação entre elas que nos faz achá-las assim.
Alessandra fala de maneira calma e clara. Adrianinha fala muito rápido e quando pequeninha eu precisava ficar traduzindo , para os outros , o que ela falava. Claro que atualmente ela já fala mais devagar e se faz entender perfeitamente por todos.Inclusive , ensina portuguës e inglës nos EUA. (Sempre bom esclarecer).
Alessandra sempre foi moreninha.Cabelo e olhos bem escuros. Quando criança as pessoas costumavam dizer: Que moreninha linda !
Adriana bem clarinha. Cabelos castanhos e olhos cor de mel.Quando chora ficam esverdeados. As pessoas costumavam dizer : Que diferente ! Não parece com nenhum dos irmãos.
Apesar da Ale , aos 5 aninhos, se desenhar com lápis marrom e a Adri ter tido um amiguinho imaginário, elas cresceram tranquilas e felizes. Nunca precisamos de auxílio de psicólogos, prática tão comum hoje.
As duas sempre se destacaram na escola por suas notas altas e comportamento exemplar.Nunca foram de `baladas`, preferindo um bom livro ou filme.Elas poderão me corrigir se eu estiver errada. Mãe, as vezes , pensa que conhece os filhos.Eu , entretanto, acredito conhecë-las o suficiente. O suficiente para poder dizer que, o amor que elas tëm por mim é tão grande como o amor que eu tenho por elas.
Outra semelhança se deu no campo profissional.
Uma se formou em Arquitetura e outra em Ciëncia da Computação ,porém as duas acabaram trabalhando e se realizando na área da Educação.

Foram tantas as alegrias que me deram e outras tantas com que ainda me presenteiam. Sinto-me pequena ao lado destas grandes mulheres e me sinto grande quando penso que sou a mãe delas.
Arianas. Valentes e determinadas. Quietas , mas capazes de provocar grandes turbulhões para alcançar o que desejam. Fortes porém delicadas.
Alessandra e Adriana. Minha `pretinha`e minha `pequena`. Como as amo.

domingo, abril 09, 2006

O Tempo ou o Amor?

Sempre ouvi , e eu mesma muitas vezes disse , que o tempo cura tudo. Que se ainda não passou é porque o tempo ainda não foi o bastante. Porém , outro dia , recebi um e-mail que dizia que não é o tempo que faz nossas tristezas ou mágoas passarem , mas o amor.
Tenho pensado muito e não discordo. Não há tempo no mundo que nos ajude a esquecer uma dor , seja dor de perda , de traição ou de abandono , se não tivermos amor.
Amor de pessoas queridas, amigas ou familiares. Amor de um novo amor.
Amor que temos por aqueles que nos rodeiam e nos estimam e que merecem ver-nos seguir em frente , de cabeça erguida e sorriso no rosto. E , principalmente , felizes.
O tempo ajuda , mas o amor torna mais fácil. O amor certamente faz o tempo passar mais rápido.
A vida é uma só e seria injusto desperdiçá-la pensando ou sofrendo por algo que aconteceu e que não há como modificar.
Não podemos trazer de volta ao nosso convívio aquele que já partiu desta vida . Mas podemos reverenciar sua memória e continuar amando-o infinitamente.
Nào podemos anular mentiras , ações ou palavras que nos feriram e mudaram nossas vidas. Mas podemos direcionar nossa energia para aqueles que nunca foram capazes de nos magoar e que merecem todo nosso respeito e amor.
E aquelas pessoas que ficaram sós? Que julgam não ter o amor de ninguém ? Estas pessoas tëm que contar com o tempo ,e com o amor maior que cada um de nós tem que ter : amor-próprio.

domingo, março 19, 2006

Eduardo-meu neto

Hoje ,dia 19 de março, meu neto Eduardo está completando 10 anos.
Quem o conhece sabe que eu não estou exagerando quando afirmo que ele é uma criança muito especial.Amoroso , meigo e muito espirituoso. Tenho um amor incondicioal por ele e uma relação que , pelas circunstäncias, vai muito além de avó e neto.
Eduardo tem uma sensibilidade e um cuidado com as pessoas que é incomum para a sua idade. Preocupa-se em não magoar e nem entristecer ninguém.Desde pequeninho mostrou ter uma inteligëncia muito aguçada e aprendeu a ler praticamente sozinho ,antes dos 5 anos de idade.
Algumas vezes já precisei mudar minha rotina de vida para priorizá-lo e sempre , sempre mesmo, foi muito gratificante.
Temos muitas histórias ...Histórias que quando conto provocam risos...Momentos de ternura. Sei que o tempo e as circunstäncias mudam as situações ... mas já terá sido o bastante. Saber que um dia eu talvez não tenha a mesma importäncia na vida dele não me preocupa . Sempre saberemos que quando foi necessário eu estive presente.
Eu sempre terei por ele um carinho e um amor infinito e , tenho a certeza absoluta que nossos corações estarão sempre sintonizados e serão inumeras as lembranças que o farão lembrar carinhosamente de mim.

domingo, março 05, 2006

Meu aniversário

Quinta-feira passada, dia 2 de março, eu aniversariei. Completei 54 anos.Tenho orgulho de mais de meio século vivido. Escrevendo assim parece muito tempo e quase me sinto velha. Mas que nada... eu me sinto ótima. Seria maravilhoso ser eternamente jovem, mas diante do inevitável posso dizer que foi uma estrada bem percorrida.
Trajetória com bastante dificuldades e momentos bem difíceis.Muitas noites e dias de aflição quando as crianças ficavam doentes ou se machucavam...Saudades ,pois morei alguns anos longe da familia e amigos...Muitos sonhos destruídos...Lamento pela faculdade não concluida...Perdas, algumas quebras de confiança.
Entretanto são pesares pelos quais todos passamos. Alguns mais , outros nem tanto.
Importante na vida é dar valor para o que se tëm e não para o que se perde.E, com certeza, a vida me deu muita , mas muita coisa boa.Tenho uma mãe e irmãs com as quais posso sempre contar. Sobrinhos...Enfim somos uma familia, uma grande e unida familia.
Tenho filhos extraordinários. Netos saudáveis que são minha alegria.Filhos que me permitem compartilhar suas vidas, que retribuem em grandes e pequenos gestos todo amor que tenho por cada um deles.
Minha vida profissional foi breve mas suficiente para deixar marcada minha passagem.Marcada pelo respeito , carinho e seriedade com que sempre trabalhei.Sinto saudades de meus alunos.
Agradeço diariamente , em minhas orações ,o previlégio de ser feliz.
Lastimo por aqueles que deixam escapar por entre os dedos , como pequenos grãos de areia , a história de suas vidas.
Minha trajetória ainda não chegou ao fim.Tenho ainda sonhos e desejos.Mas não tenho pressa.O que tiver que ser será.
Tenho 54 anos e gosto disto. Ë bom navegar em aguas claras e calmas.