Quando criança , bem pequeninha mesmo , eu tinha dificuldade na pronúncia de algumas letras , era o Tati Bi Tati.
Recordo do meu pai fazendo-me repetir as palavras enquanto me colocava os sapatos. Morávamos na rua Hoffman. Ele, pacientemente , mandava que eu repetisse ;ônibus..e eu falava ombus. Felizmente , meu amado pai , teve êxito. Demorou só um pouquinho.Demorou o tempo de fazerem muita graça com isto.
Bastava eu entrar no banheiro para alguém bater na porta para ouvir-me dizer;"Não posso abrir, tô nula sem salsa".
Esta minha dificuldade era vista com graça pelas pessoas , que faziam-me ficar falando e falando....E todos riam , riam muito.Quanta terapia seria necessária se isto fosse nos dias atuais.
Havia uma história , em particular, que todos apreciavam ouvir-me contar.
Eu , inocente , contava bem faceira.
Eu devia ter menos de 4 anos. Estávamos indo , logo após o natal, para Torres. Imaginem o que era a estrada há meio século atrás. Bah...escrevendo assim , senti-me muito idosa.
Ìamos com o tio Rui. Ele tinha uma caminhonete, tipo Ford , com uma cabine e carroceria coberta com lona (assim que lembro). Na cabine iam meu tio , meu pai e minha avó .Minha mãe ia comigo, minha irmã Cristina e meus primos, na carroceria. Nós e a bagagem. Eu ganhara , de natal, um vestidinho . Eu gostara tanto dele que não deixei mamãe colocá-lo na mala. Não queria que amassasse. Pendurei-o perto de mim.Durante a viagem , o motor começou a pegar fogo. Meu pai tirou-nos da caminhonete , colocou-nos fora da estrada e providenciou em apagar o fogo.
Passado o susto retornamos. Mas , onde estava meu vestidinho ? Meu pai o usara para abafar o fogo. Que tristeza. Eu nunca iria usar meu lindo vestidinho.
Porque esta história tornou-se interessante ? Porque eu era Tati Bi Tati..
Ao invés do G eu falava o D. Então ficava assim: "Era um fodo muito grande , um fodaréu , um fodão enorme"."Todo mundo correu do fodo".
Quando maiorzinha eu entendi qual a graça e não achei mais tão engraçado.Parece-me que eu era um tanto tolinha.
Sempre tive muito cuidado , como mãe e também como professora ,de jamais expôr meus filhos ou alunos a situações que pudessem constrangê-los.Sei que não havia maldade mas , convenhamos , não era "politicamente" correto.